Roteiro de Libertação

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CAPÍTULO 34

O FENÔMENO MEDIÚNICO

Parte 34
Alguns estudiosos da paranormalidade humana, aferrados a um cepticismo estremado, pretendem que os médiuns sejam verdadeiros robôs sofisticados, capazes de atendê-fos nas exigências mais extravagantes, de cujas experiências esperariam a prova documental e soberana da imortalidade da alma.

 

Mesmo ante a impossível probabilidade, se permitiriam elaborar explicações e hipóteses, mediante as quais prosseguiriam negando a sobrevivência do Espírito ao transe da morte, por efeito de vaidades intelectuais e preconceitos sociais.

 

Não admitindo a possibilidade, sequer teórica, da continuação da vida, tais investigadores, diante de qualquer pesquisa nesse campo, concluem por lamentável negação, desde que, aprioristicamente, procuram firmar pontos de vista, sem permitir-se, ao menos, uma posição neutra, diante do exame honesto dos fatos.

 

Porque não encontram autômatos mediúnicos que se lhes submetam aos caprichos, subestimam o trabalho da investigação criteriosa, que não conhecem, e teimam por reduzir os intérpretes dos Espíritos a casos parapsicológicos de complexa nomenclatura e obscura explicação ou, simplesmente, a vítimas das fraudes do inconsciente...


Admitissem, pelo menos hipoteticamente, a tese imortalista e veriam a questão sob angulação diferente:

1

 

Os Espíritos não são seres à margem da evolução humana.

 

Constituem a população da Terra, desvestida do corpo físico, nem melhor, nem pior do que os homens, sendo mesmo os homens desencarnados.

 

Mantêm, em razão disso, os seus caprichos e paixões, preconceitos e opiniões, não se submetendo a imposições de qualquer natureza, senão mediante a anuência da própria vontade.

 

2

 

Utilizando-se dos médiuns para comunicar-se, defrontam delicada aparelhagem, que necessitam aprender a utilizar.

 

A morte não os torna sábios de um para outro momento, nem técnicos fisiopsicológicos, com recursos para movimentarem com a vontade e a mente a aparelhagem nervosa da organização somática do intermediário, ao mesmo tempo, produzindo fenômenos com os quais nunca lidaram ou dos quais sequer tomaram conhecimento.

 

3

 

Sendo, por sua vez, o médium, uma criatura muito sensível, suas emoções e comportamentos influem no mecanismo e nos resultados dos fatos de que se faz objeto.

 

4

 

Não se podendo dissociar, igualmente, a personalidade do intermediário, com as suas fixações, crenças e obstinações arraigadas, esta interfere, de alguma forma, no resultado de processo medianímico.

 

5

 

Porque de caráter psíquico influenciável, os condicionamentos e exigências do investigador criam um clima psíquico negativo que dificulta, não raro, a produção do fenômeno legítimo...

 

É certo que sucede, apesar da ausência de mínimas condições propiciatórias, a manifestação dos Espíritos, em casos de exceção, oferecendo extraordinários acontecimentos.

 

Outrossim, diante dos mais evidentes resultados, muitos médiuns, por serem inconscientes no transe, negam, eles próprios, a interferência dos Espíritos, atribuindo-os a outras causas desconhecidas, ou não se preocupam em compreender o que lhes ocorre.

 

Para que os efeitos mediúnicos sejam absolutos, como se alguma coisa fosse Total, com exceção do Absoluto, far-se-ia necessário que o medianeiro se transformasse num computador insensível, sem margem de erro, produzindo fenômenos, sem cessar, para que vencessem, por cansaço, os negadores contumazes e as suas teorias exageradas...

 

Em casos de computadores, a cada dia, constatam-se erros e destrambelho que aturdem, demonstrando que mesmo as mais perfeitas máquinas eletrônicas estão sujeitas a equívocos e desconcertos.

 

Embora o corpo humano seja uma perfeita máquina, o seu equilíbrio e funcionamento dependem de inumeráveis e complexos fatores. No caso específico da mediunidade, jamais esta produzirá com a fidelidade possível, sem o concurso, a educação e o aprimoramento correto do medianeiro e a contribuição superior dos Espíritos, sem os quais a comunicação jamais se daria, como é óbvio. O médium deve ser considerado como um companheiro digno de respeito e credor de confiança, até que se revele em contrário.

 

Por sua vez, não é lícito que ele acalente a presunção de modificar as demais criaturas ou demonstrar a legitimidade do fenômeno de que se faz portador.

 

Cumpre-lhe exercer a mediunidade, criteriosamente, cuidando da própria transformação moral e deixando que cada pessoa siga a corrente dos próprios interesses.

 

Deus não tem pressa em modificar a marcha das Leis, das criaturas.

 

A morte, porém, que a todos desveste da indumentária enganosa, se encarregará de demonstrar, sem qualquer margem de dúvida, a inquestionável realidade da vida sobrepondo-se aos caprichos e petulâncias humanos, impondo reconsideração dos conceitos e opiniões acalentados, ao mesmo tempo abrindo as portas de futuros berços, para que os negadores de hoje sejam, quiçá, os médiuns de amanhã.

 

CARNEIRO DE CAMPOS

 

Roma, Itália, 18/09/80

 


CARNEIRO DE CAMPOS
Divaldo Pereira Franco


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