Roteiro de Libertação

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CAPÍTULO 24

O FENÔMENO PARANORMAL

Parte 24
A paranormalidade humana ainda não encontrou a necessária compreensão a que faz jus.

 

Considerada, na antiguidade, como um dom divino, foram-lhe atribuídas possibilidades e recursos que, em verdade, não correspondiam ao seu mister.

 

Usufruindo de privilégios injustificáveis, os seus portadores foram elevados a posições perigosas, que lhes comprometeram a fidelidade no registro das impressões para físicas, como na tradução e interpretação das mensagens, que geraram situações penosas, desprestigiando, com o passar do tempo, a sua legitimidade.

 

Posteriormente, anatematizada pela ignorância medieval, que em tudo encontrava a expressão e interferência diabólica, tornou-se motivo de intérmina e cruel perseguição, que impôs critérios infelizes durante largos séculos contra os seus portadores.

 

Em passado recente, esteve, malevolamente, associada à loucura, como um fator preponderante ou sinal identificativo de muitos distúrbios mentais, sofrendo diferente tipo de idiossincrasia, no entanto, não menos ferrenho que o anterior...

 

Allan Kardec foi quem melhor estudou a paranormalidade humana, adentrando a sonda da investigação no cerne do fenômeno, de cuja ação feliz concluiu pela diversidade de caracteres que, criteriosamente, estabeleceu, ao mesmo tempo diferenciando o procedente da personalidade do sensitivo — animismo —, como aquele que experimenta ou permite a interferência dos Espíritos — mediunismo.

 

Não cessou, porém, aí a relevante contribuição do excelente investigador. Ele foi mais adiante, aprimorando observações em torno do mecanismo das ocorrências, dos agentes que os promovem, da metodologia correta para a sua educação e dos requisitos indispensáveis ao seu exercício.

 

Apurando pesquisas e experimentos, ofereceu uma filosofia moral em torno da faculdade paranormal, contribuindo com a mais clara e sensata análise de que se tem conhecimento a respeito do assunto.

 

Não obstante o seu meticuloso trabalho já tenha ultrapassado a marca do primeiro século de publicação, prossegue a paranormalidade, seja do ponto de vista parapsicológico como do espírita, sendo objeto de considerações e comentários estapafúrdios.

 

Porque envolta no mitológico e no mistério por muitos séculos, não se desvestiu do fantasioso e do sobrenatural, prosseguindo, alguns sensitivos, na injustificável posição de atribuir-se valores e dons que os tornariam superiores ao indivíduo normal, canalizando para o fenômeno lamentáveis conclusões.

 

Por outro lado, em razão de informações confusas e sem base, prossegue a paranormalidade inspirando medo aos que lhe experimentam as sensações, por acreditarem que se encontram sob uma ação maléfica, ou sofrem de distonias psíquicas.

 

Por fim, de maneira geral, a paranormalidade não tem sido aceita, senão de forma negativa, pela maioria das pessoas, que vêem nas suas manifestações verdadeiros espetáculos para os divertir, meios de receberem informações frívolas ou de resolverem problemas de importância mui secundária... O paranormal, para a quase generalidade das criaturas, é uma espécie de bufo moderno, interessante para momentos festivos ou um mago oportuno para as horas graves e de dificuldades.

 

De certo modo, ao lado da ignorância que expressam essas atitudes e conceitos, o paranormal responde por grande parte desses infelizes comportamentos.

 

Alguns dotados, por exploração da ingenuidade das massas ou por má fé, se atribuem virtudes que não possuem, submetendo-se a espetáculos, alguns deprimentes, às vezes, para usufruírem resultados pecuniários que os envilecem, passando à fraude, consciente ou não, quando se percebem abandonados das forças parapsíquicas que os impulsionavam.

 

O mesmo ocorre no fenômeno mediúnico, cuja ação é gerada pelos Espíritos, que não se submetem aos caprichos dos intermediários, marginalizando-os, quando estes fazem da mediunidade instrumento de exploração ou a profissionalizam, o que não tem cabimento.

 

O exercício da mediunidade deve ser gratuito, dignificando-se o seu ministério, o que granjeia a confiança das pessoas interessadas no seu estudo e as necessitadas do socorro moral e espiritual de que se faz objeto.

 

Somos, igualmente, de parecer que, nos fenômenos parapsicológicos, a sua aplicação deve ter a mesma gratuidade, por estarem estreitamente vinculados e acessíveis H interferência dos Espíritos, que são atraídos de acordo com a finalidade do tentame, a moral do homem-psi e a qualidade dos interesses postos em jogo...

 

Por assim parecer-nos correta a atitude de todo paranormal, exaltamos, na mediunidade com Jesus, colocada a serviço do bem para a Humanidade, a resposta dos Céus, aos apelos da aflição de toda ordem, na Terra, que nela encontrará a paz, o consolo, a diretriz para uma vida digna hoje, e para um futuro feliz e melhor.

 

EURÍPEDES BARSANULFO

 

Bruxelas, Bélgica, 06/09/80

 


EURÍPEDES BARSANULFO
Divaldo Pereira Franco


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