Roteiro de Libertação

Versão para cópia
CAPÍTULO 20

A MISSÃO DO CONSOLADOR

Parte 20
A Revolução Industriai, que tomou conta da Europa, substituindo os antigos valores econômicos e promovendo mudanças sociais; o crescente desdobramento das conquistas tecnológicas sob o apoio e a guarda das Ciências; a ampliação dos conceitos filosóficos, que passaram a encontrar respaldo nos fatos, cientificamente demonstrados; as sucessivas guerras de lamentáveis consequências; as contínuas depressões econômicas e inquietações humanas, agitando povos e Nações, responsabilizam-se pela inevitável morte da velha ética em que se sustentavam as antigas bases morais e espirituais, que cederam lugar a comportamentos diferentes, com estereótipos surpreendentes, ora anarquistas, ora alienados, não mais convencionais ou submissos.

 

A onda da rebelião cresceu e os atentados terroristas tomaram a posição da ordem, em nome da insatisfação, do desprezo pela vida, sob os estímulos da violência, que estruge, devastadora, em toda parte. O Velha Mundo oferece espaço a um Novo Mundo de inquietação e medo, em que as criaturas se agridem mutuamente, sem justificativa de qualquer espécie, sem ao menos um motivo aparente.

 

A corrida provocada pela Revolução Industrial, que se iniciou ao final da segunda metade do século XIX, produziu profundas modificações nas atividades humanas, que se fizeram raízes de outras tantas alterações expressivas, sem dúvida, com algumas infelizes posições que foram assumidas, entre as quais a perda da sensibilidade fraternal e afetiva, a corrupção mais acentuada, a dúvida sistemática, o utilitarismo imediatista.

 

Tornou-se inevitável o jogo das paixões defluentes dos interesses pessoais com os riscos da indiferença pelos problemas do próximo, pelo amor fora do círculo familiar e de si mesmo.

 

As contínuas alterações da emotividade humana viriam refletir-se na arte, onde melhor se expressam os sentimentos e ideais de todos os seres pensantes, fazendo que o belo se descaracterizasse; a pintura perdeu formas e contornos e trouxe de volta os traços vagos ou indefinidos do primitivismo cultural, traduzindo os estados interiores do homem esvaziado de equilíbrio e de harmonia; a música alucinada fez-se substituta do classicismo e o ritmo tornou-se selvagem, de modo que as aberrações dos sentidos excitados se sublevassem, dominando a razão, que se anestesia sob a hipnose atordoante do barulho sem melodia; a literatura submete-se ao baixo teor das manifestações primeiras da sexualidade e do crime, acoimadas ou exacerbadas pela vulgaridade e distonia mental das personalidades psicopatas... A Filosofia tombou ante a Ciência, que passou à servidão, nas mãos de homens prevaricadores dos compromissos assumidos perante a Humanidade, quando sob encargos transitórios à frente dos povos e das Nações, que desejaram exaltar pela supremacia bélica, ou mediante o arrocho financeiro, ou através do controle comercial, engendrando as misérias econômicas, que ceifam centenas de milhões de vidas...

 

Os veículos de informação passaram pela mesma conjuntura, participando da alucinação, dando campo à divulgação da síndrome da época, em detrimento da acolhida aos informes e comentários do bem geral, da paz, da cultura e da ética, repetidamente considerados ultrapassados.

 

O pessimismo sobrepõe-se às manifestações idealistas, nas causas que dizem respeito à construção do homem moral, e o otimismo quase que somente comanda, quando na exaltação das lutas geradas pela agressividade.

 

É certo que respigam exceções.

 

A morte dos ideais comuns que ergueram povos às cumeadas da beleza e da compreensão é hoje constatada facilmente e o desfalecimento da esperança está presente nas atitudes e programações que objetivam o bem geral.

 

Diz-se que sempre houve guerras e o homem se apresentou em todas as épocas como o "lobo do seu irmão".

 

Não há por que se negar que a marcha tem sido do instinto para a razão, da brutalidade para a inteligência, da agressão para o diálogo, da conquista violenta para a participação. O oposto, no entanto, não se justifica.

 

Natural e lamentável que o Espiritualismo, durante tantos anos asfixiado no dogma, encontrando a liberdade de expressão, não despertasse interesse, vendo-se, na atualidade, reapresentar-se através de roupagens exóticas, em novos misticismos que, de certo modo, agradam ao Homo tecnologícos.

 

Surpreende aos estudiosos que a farta sementeira de luz pelos abnegados trabalhadores do Espiritismo, nos últimos cem anos, desse tão escassa messe, no solo europeu, particularmente na generosa terra francesa.

 

Ocorre, porém, que indivíduos, povos e nações evoluem por etapas e os seus valores humanos, na genialidade, na construção do bem e da verdade, nascem e renascem em grupos, abrindo o campo para o progresso e os horizontes para a civilização. Encerrando-se o ciclo, transferem-se esses Espíritos para outros núcleos humanos, a fim de fomentarem o desenvolvimento e apressarem a evolução dos que marcham à retaguarda, enquanto aguardam pelos resultados da realização.

 

Em cada época, fora os seus dramas e tragédias, povos se levantam como condutores dos ideais e pioneiros de avançados programas, com os quais a Humanidade se ergue e marcha para portos mais felizes.

 

À frente, estão os antigos batalhadores da fé, mensageiros sempre de Jesus, corporificados em novas aparências, arrimados, porém, ao pensamento renovador da verdade. Eles prosseguem haurindo perfeita identificação com o Mestre que, a Seu turno, os conduz, mesmo quando, aparentemente, tudo se apresenta decadente, à borda do caos...

 

Aos antigos trabalhadores do Evangelho e estudiosos do Espiritismo europeu, ora reencarnados no Brasil, cabe grande e indeclinável tarefa de devolver ao Velho Continente a Mensagem da Vida Eterna, pura e incorruptível, como a receberam do Senhor e dos Seus discípulos, de Kardec e dos seus colaboradores, não esquecendo de crescer em exemplo e ciência, em comportamento e filosofia, em vivência e fé, a fim de que o Espiritismo, que deverá influenciar a conduta da Terra e renovar o homem, cumpra, sem larga e demasiada tardança, a sua missão de consolador e libertador de consciências.

 

IVON COSTA

 

Paris, França, 01/09/80

 


IVON COSTA
Divaldo Pereira Franco


Acima, está sendo listado apenas o item do capítulo 20.
Para visualizar o capítulo 20 completo, clique no botão abaixo:

Ver 20 Capítulo Completo
Este texto está incorreto?