Roteiro de Libertação

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CAPÍTULO 2

MECANISMO DA EVOLUÇÃO

Parte 2

I


Recém-saído dos impulsos instintivos, não é de estranhar-se que o homem moderno atue movido mais pelas reações ç

|o automatismo animal e dos reflexo condicionados do que pela razão.

 

O breve período que o afasta do Hotentote não foi suficiente para inculcar-lhe hábitos racionais, pacifistas, não obstante a sua trajetória evolutiva sob as claridades da inteligência.

 

Considerando o período de quase dois milhões de anos utilizados desde o trilobita até a forma humana, concluímos que mais rápida tem sido a conquista de valores, no trânsito das formas, em que o princípio anímico e a consubstanciação do corpo dão-se no largo processo da aquisição da inteligência.

 

Neste lento mecanismo de aprimoramento fisiológico e psicológico, surpreende, inevitavelmente, ao estudioso sincero da antropologia, a presença simultânea, no Orbe, nos vários períodos da Idade do Homem esteta e do bruto, do sábio e do ignorante, do civilizado, do primitivo e do bárbaro caracterizando que a linha direcional do psiquismo não esteve adstrita, exclusivamente, aos limitados mecanismos terrestres...

 

Podemos verificar que a cultura oriental, apresentando biótipos portadores de altos dotes da inteligência e da arte, do conhecimento e da sensibilidade,-ainda não ultrapassados pelos avanços tecnológicos, enquanto os seus contemporâneos contentavam-se com a vida tribal, a ferocidade, a caça e uma sobrevivência animal, trazia para a época como para a posteridade precioso contributo para a Astronomia, a Política, a Religião, a Filosofia, a Medicina, as Matemáticas, as Artes e vários outros ramos de conhecimento que se transformariam, hoje, em Ciências incontestáveis.

 

O enflorescimento e a presença dos gênios que imortalizaram os séculos em que viveram demonstram que a evolução animal seguiu um estereótipo específico, não a evolução psíquica, a espiritual.

 

Desenvolvido o cérebro, no homem primitivo, jaziam em latência as suas funções, aguardando que hábeis manipuladores se encarregassem de pô-lo em ação, criando condições fisiológicas para se transmitirem em automatismos, conforme as necessidades, às gerações posteriores.

 

Realizaram e prosseguem realizando este mister Entidades, não necessariamente terrícolas, cujo princípio espiritual emergiu da massa ciclópica do planeta — imenso laboratório de experiências formidandas, no seu começo ssnão que realizaram o seu desenvolvimento noutras Esferas da Vida, convidadas a trazer o contributo das suas conquistas, a fim de promoverem o progresso da humana criatura terrestre.

 

Encontrando a forma enriquecida pelos recursos orgânicos, esses excelentes operários da ação nobilitante mergulharam na matéria e conduziram-na com proficiência, imprimindo novos rumos ao lento progresso, gerando tendências superiores, implantando aptidões, produzindo necessidades éticas e culturais, por ser em si mesma, a matéria, destituída de espontaneidade.

 

Elaborada, para ser conduzida, recebeu mais amplas contribuições da vida psíquica, que nela inseriu valores e recursos que passaram a constituir hábitos, ansiedades, aptidões, que se incorporaram aos implementos que ora a formam, transmitidos por hereditariedade.

 

Por isso que os conceitos do Transformismo e do Evolucionismo, nos seus termos eminentemente mecanicistas, não respondem pela realidade do processo de crescimento do homem.

 

Imprescindível, neste extraordinário processo, a interferência criacionista de um Ser, fora e independente do corpo, preexistente e sobrevivente ao invólucro material, este último transitório e maleável. O Espírito é o ser legítimo que pensa e age, através e fora do corpo físico, enquanto este sem aquele é de duração assaz efêmera, sem qualquer expressão direcional.

 

Demonstrando a exatidão do raciocínio, temos o lamentável confronto entre o civilizado e o homem tribal das florestas Amazônicas, do sudeste asiático, dos desertos áfricanos, da Oceania e da Antártica que engatinha no primarismo do progresso, sem experiências nem conquistas, aguardando a colaboração enobrecida dos seus irmãos mais avançados que, não obstante, mantêm infelizes pontos de contato cultural e sociológico, por se não haverem despojado da belicosidade, da desenfreada ambição, do primarismo da guerra...

 

Alienígenas de alto porte visitaram o planeta nas suas fases ancestrais, oferecendo-lhe os prodígios do amor e da sabedoria, doando os recursos para a beleza — nas artes, na filosofia, na literatura para o conhecimento m nas ciências, na investigação na fé — mediante o Ocultismo e o Esoterismo, que facultaram o surgimento das grandes religiões, arrancando a crença das expressões do Totemismo, do Politeísmo para alcançar a Metapsíquica, a Psicotrônica, a Religião Espírita, na sua extraordinária transcendentalidade.

 

Religião do homem integral, o Espiritismo contribui para a elucidação dos vários enigmas em que ainda se debatem a Antropologia, a Embriogenia, as Ciências Psíquicas e outras, oferecendo o fato comprovado da sobrevivência da vida como da reencarnação, suportes para que se erija o edifício da humana felicidade, através do imenso conteúdo moral e filosófico vigente em todo o seu comportamento doutrinário.

 

II

 

Sem a colocação do princípio espiritual, no processo da evolução do homem, não têm sentido os argumentos elaborados na base do acaso. Outrossim, sem a clara compreensão das vidas sucessivas, mediante as quais o princípio espiritual evolve, somando experiências que lhe oferecem crescimento ao largo dos milênios, igualmente ficam destituídas de sentido e finalidade as chocantes diferenças culturais e técnicas entre os povos, que seriam uns constituídos por seres superiores em detrimento dos outros, não aquinhoados com as mesmas concessões, raciocínio, portanto, incompatível com a Justiça e o amor de Deus.

 

A chave para decifrar a incógnita, neste como em outros casos, é a reencarnação.

 

Assim considerando, a Vida possui uma finalidade, uma direção que vai sendo conquistada através de sucessivas etapas, sem interrupção do progresso, sem aniquilamento, o que nos conduz à conclusão de que o homem atual não é o fim da cadeia evolutiva, senão um elo intermediário, que se aprimorará cada vez mais até afinar-se em perfeita identidade com o seu Criador.

 

Através das experiências conseguidas em cada renascimento, o ser impõe-se liberdade ou cárcere, beleza ou deformidade física, saúde ou enfermidade, retornando para fruir o gozo e mais crescer ou para resgatar o erro e assim progredir.

 

As inclinações e inatas tendências, as aptidões e dificuldades da criatura atual têm a sua gênese nas existências passadas, que lhes são a base do progresso, ao qual se incorporam, por impositivo da evolução que não cessa.

 

Essa posição filosófica propicia luz aos complexos e sombrios problemas da miséria social, econômica e intelectual, demonstrando que os homens são todos criados iguais, portanto, irmãos entre si, não necessariamente, porém, gerados no mesmo instante, o que responde pelas diferenças do progresso que assinalam, como não somente para habitarem a Terra, portando todos as mesmas condições iniciais e crescendo à custa das próprias conquistas e esforços, no rumo da perfeição para todos iguais.

 

Com a continuidade do processo reencarnatório, o ser espiritual lapida-se e desenvolve as potencialidades que nele jazem, herdeiro que é dos tesouros da Vida que o Pai Criador lhe concede.

 

Anulam-se, ante a reencarnação, as diferenças raciais, as posições humanas transitórias, as situações financeiras que são, apenas, meios de aprendizagem, de enriquecimento interior, faixas pelas quais todos transitarão na faina do crescimento a que se destinam.

 

A cada um, portanto, cumpre avançar ou retardar a marcha, conforme o esforço que empreenda na aquisição da felicidade.

 

Como não cessa a Vida, nunca se acaba a conquista de valores mais amplos, mais infinitos.

 

III

 

A reencarnação é conceito filosófico, comprovado pela pesquisa experimental, que dignifica e eleva o ser.

 

Desafio que é, o processo evolutivo impõe-se como necessidade mesma da vida, numa abrangência sem limite de valores que são postos à disposição do Espírito.

 

Nivelando todos, na sua gênese, abre-lhes as oportunidades excelentes para o crescimento individual, como da sociedade em que vive.

 

Abole as facciosas preferências atribuídas aos caprichos e vontades divinas, enquanto preenche as imensas lacunas que o evolucionismo, arbitrariamente elaborado, deixa no curso das suas pesquisas e afirmações.

 

Fortalece os sentimentos, que se sublimam à medida em que mais se apuram e aperfeiçoam as tendências e aptidões, sobrepondo à natureza primitiva, animal, a natureza espiritual preexistente e sobrevivente.

 

Reforça os laços de família e elimina os ódios, que predominam nas áreas primárias, como consequência do egoísmo, fortalecendo a experiência na parentela corporal pelas oportunidades de mudar de posição na consanguinidade e no parentesco, sem sair do grupo com o qual evolve.

 

Propicia consciência e responsabilidade dinâmica aos atos e comportamentos, por esclarecer os resultados que, automaticamente, se incorporam à economia moral e espiritual de quem os realiza.

 

Acalma, quanto ao futuro, em razão de acenar para depois o que agora falta e pode ser conseguido, desde que se queira, simultaneamente emulando o homem para lográ-lo.

 

^ A perfeição é-lhe a meta; o trabalho faz-se-lhe o meio.

 

Anula os absurdos privilégios; corrige as injustas punições.

 

Promove a ação digna; faculta a paz integral.

 

Elimina os mecanismos neurotizantes; favorece a saúde física e psíquica.

 

Dilata a compreensão da vida; dá-lhe sentido, direção.

 

Convida à solidariedade; estimula o progresso. Encoraja o amor, que mais se sublima; vence o egoísmo, que perde a razão de ser.

 

Ensina que a evolução é um veículo coletivo, no qual todos embarcamos, porém a passagem para o acesso são os atos pessoais.

 

Alarga os horizontes mentais e a panorâmica ética; cerra as portas dos limites que amesquinham e brutalizam.

 

Enriquece de sabedoria; vence a ignorância, que é pertinaz adversário da evolução.

 

Diante da reencarnação, as pátrias são todos os povos pelos quais, em existências diversas, o Espírito se aformoseia, lutando e crescendo, treinando fraternidade e tolerância. Este aprendizado entre pessoas de formação ética e histórica diferente dá-lhe mais amplas perspectivas, mais profundas reflexões em torno de deveres e direitos, amando cada berço como oportunidade feliz, não, porém, única ou definitiva.

 

A fantástica antevisão do futuro que o aguarda, a esplêndida grandeza das estâncias siderais que ora contempla a distância e que um dia as habitará, favorecem-no com emulação e fervor pelo libertar-se das retentivas mais grosseiras, alandose com as asas do amor e da sabedoria, na direção dos rumos ditosos.

 

IV

 

Religiosamente, a estrutura reencarnacionista destrói o vingador divino na sua feição antropomórfica, pouco veraz das antigas lendas religiosas, que afearam, apequenaram o Absoluto, que se humanizava, periodicamente, para misteres subalternos e inferiores.

 

A Justiça adquire comportamento novo e o Amor sobrepõe-se aos míseros, insignificantes erros que o homem comete, mais por ignorância e doença, do que por maldade.

 

São transferidas para a consciência individual as punições e recompensas dos atos cometidos, transladando-se de localização as regiões célicas e infernais...

 

Cada Espírito conduz as penas e consolações de que necessita, unindo-se com outros afins, em cujos grupos extremunham-se, infelicitam-se ou rejubilam-se, qual ocorre na Terra. Originado de um Mundo parafísico, a ele retornará, em definitivo, cessadas as contingências do processo evolutivo pela carne.

 

Nesse contexto dignificante, não param o intercâmbio das afeições nem dos desafetos até quando estes últimos se modificam —, a interferência benéfica a favor dos transeuntes da retaguarda, a ajuda libertadora propiciada pelos Benfeitores que promovem e avalizam os renascimentos, enfim, anjos e demônios que todos o somos em potencial, desatrelamos os valores e alcançamos a elevação psíquica que nos tornará querubins.

 

Esse suceder de existências religa a criatura ao seu Criador, que passa a amar, por compreender-Lhe a excelsitude e entender-Lhe a paternidade.

 

Humildece-se o Espírito descobre-se na na realidade, porém sabe quais os meios de engrandecer-se, de sublimar-se, e os busca. No Evangelho de Jesus, conforme o lecionou e o viveu, encontra os tesouros que lhe facultam lograr as metas, adotando-o como tratado ético e metodologia religiosa de que necessita para atingir os fins que persegue.

 

A oração fascina-o, pelo que de grandioso, pacificador, inspirativo lhe faculta uma ponte feita de luz pela qual transita seu pensamento conduzindo necessidades e através de cujo meio chegam-lhe as respostas, as soluções, os auxílios.

 

A caridade arrebata-o, por propiciar-lhe a oportunidade de ser feliz mediante a promoção do próximo, libertando-o das conjunturas penosas, esclarecendo-o, instruindo-o, educando-o, amando-o sobremaneira e compreendendo que o bem é sempre mais auspicioso para quem o realiza.

 

As antigas virtudes teologais adquirem uma dinâmica importante, impregnando o homem de ações produtivas, que o nobilitam; a Fé racional concede-lhe a Esperança de plenitude e a Caridade condu-lo ao grande destino.

 

Em consequência, advêm-lhe: a paciência, que o ajuda a aguardar os resultados das empresas evangélicas; a humildade, que o desnuda dos atavios enganosos com que veste a existência física, portanto, desnecessários; o perdão, que o torna tranquilo ante ofensas e ofensores; a benevolência para com os outros, porque reconhece necessitá-la; a indulgência diante das alheias faltas, já que não marcha indene de erro; a piedade, que é fator de importância, na vivência do amor; em suma: torna-se um cristão autêntico, um espírita perfeito.

 

Integrando-se na religiosidade, que dispensa atributos externos, cultos e ritos, cerimoniais e pastores hierarquizados, adora a Deus, em espírito e verdade, tornando-se mensageiro vivo da Era Nova, que o Espiritismo vem implantando na Terra, que lentamente ascende na escala dos mundos, ao lado daqueles que a habitam, ora em renovação e aprimoramento.

 

ANTÔNIO J. FREIRE

 

Lisboa, Portugal, 09/08/80

 


ANTÔNIO J. FREIRE
Divaldo Pereira Franco


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