Roteiro de Libertação

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CAPÍTULO 19

FINALISMO DA VIDA

Parte 19
O fato, concludente, imediato, que ressalta das manifestações espíritas, é a imortalidade da alma. Em decorrência dessa realidade a natureza espiritual do homem sobrepõe-se triunfante, corroborando a gênese transcendental da vida. O princípio inteligente que anima a matéria, independente da máquina celular, engrandece-se, à medida que assume corpos novos e deles se despe, num continuum que o leva à perfeição. O homem, em si mesmo, torna-se, ante a evidência da vida após o túmulo, mais do que um complexo químico de açúcares, sais e albuminas, modelado pela pressão atmosférica e resultante das aglutinações do carbono, do nitrogênio, do oxigênio, do hidrogênio sob as contingências violentas da natureza, nos seus princípios.

 

A vida não se organizou ao caos.

 

Houve um finalismo criador, um direcionamento das formidandas experiências biológicas, realizadas, porém, do mundo psíquico, espiritual, preexistente, na direção das formas físicas, materiais, em contínua movimentação e aprimoramento, nascendo e morrendo, portanto, transitórias, em obediência à programação inicial. O Espírito utiliza-se, por enquanto, do mundo corporal, para aprender a aperfeiçoar-se no trato com as demais criaturas, obedecendo a uma programática superior que o antecedeu e na qual se encontra colocado, por imposição mesmo da sua origem espiritual.

 

A matéria, no entanto, manipulada por hábeis experimentadores espirituais, na sua condição psíquica, sob a divina inspiração do Criador, submeteu-se, por sua vez, a transformações; amoldou-se; foi aglutinada de forma a servir para as determinações que deveria atender.

 

Deus, Espírito e matéria são, portanto, os elementos base constitutivos do Universo.

 

Eliminado o nada, descartado o acaso na gênese da vida, uma filosofia ética se estabelece com contornos definidos a benefício do homem-espiritual como do homem corporal, facultando ao último o desabrochar das potencialidades que lhe jazem inatas e aguardam as condições propícias para exteriorizar-se.

 

O homem-espiritual usufrui dos recursos de que é constituído, avançando na direção do bom e do belo.

 

Necessita encarnar-se e reencarnar-se para ampliar os tesouros de sabedoria e beleza — se feliz —, em razão da conduta que se impõe; para liberar-se da impureza e da imperfeição — se atrasado -9 porque não se sobrepôs aos fatores de que se reveste, exalçando a inteligência e o amor.

 

A ética, que é a ciência da moral, passa a comandar a vida humana, por propiciar-lhe as diretrizes para a aquisição da felicidade, que é a meta dos renascimentos espirituais. Sob esse comando, a visão se amplia, por entender a importância das realizações morais, nos múltiplos segmentos de que se constitui a vida: no corpo e fora dele.

 

A vida atual, pela sua brevidade, impõe compromissos e comportamentos para a eterna, oceano onde nasce o rio da existência e para onde torna a caudal das experiências.

 

O corpo, terminada a tarefa, retorna à decomposição material quando o Espírito volve ao mundo de sua origem.

 

A morte física, portanto, apenas liberta a vida que se enclausurou, a fim de que, enriquecida, retorne à plenitude, acaso não se haja deixado macular no trânsito da escolaridade humana.

 

A matéria, não obstante, merece os cuidados e zelos que exigem quaisquer instrumentos sensíveis, para bem colimarem as suas finalidades. Em razão disso, faz-se dúctil ao comando do Espírito, quanto mais valorizado nos seus recursos nobres, guardando as impressões daquele, ao mesmo tempo atuando na condição de fornecedor de mensagens que se plasmam no agente espiritual.

 

A vida, no entanto, crê-se, são glórias e desgraças que a todos alcançam, agitando os homens num afã incessante.

 

As glórias e as desgraças com que se sobrecarrega o Espírito devem melhor ser examinadas, essencialmente, do ponto de vista imortal, a fim de saber-se quais as que têm legítima importância.

 

As honras do poder econômico, artístico e político que não fizeram a ventura do povo e são mais comuns no mundo convertem-se em desgraça para aqueles que as possuíam e as desperdiçaram.

 

Desgraças que maceram a alma, despindo-a da jaça da imperfeição, lapidando-a para refletir a paz e que tudo supera, transformam-se em glória.

 

A filosofia ética da sobrevivência impõe-se, portanto, na educação moral, ao homem, que lhe permite a valorização da inteligência, da cultura, da solidariedade e do bem, que deve incorporar ao seu modus vivendi pensando na vida em termos de imortalidade, por fim educando-se no amor com renúncia e devotamento, dirigido a Deus e a todos os homens tornados seus irmãos, já que o amor é a mais sublime expressão do Criador, lei superior da Natureza que rege a vida e conduz-lhe ao seu finalismo.

 

VICTOR HUGO

 

Paris., França, 31/08/80

 


VICTOR HUGO


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