Roteiro de Libertação

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CAPÍTULO 13

DISCUSSÃO E DIALOGO

Parte 13
"Da discussão nasce a luz", afirmam as pessoas interessadas em debates. Mas, nem sempre.

 

"O diálogo facilita o entendimento", insistem as criaturas afeiçoadas às discórdias. Não, comumente.

 

Quase sempre, os discutidores fecham-se em "pontos de vista" que não abdicam, produzindo contenda, mais para falarem o que pensam, do que para ouvirem o conceito com o qual não concordam.

 

Num diálogo, normalmente, as pessoas se exaltam e, quando falecem os argumentos, fazem-se azedas ou agressivas, deseducadas ou raivosas.

 

Das discussões e diálogos que se repetem, enfadonhamente, ressumam aborrecimentos e partidos, dividindo e fomentando animosidades.

 

Noutras vezes, é pura perda de tempo, com prejuízo do trabalho.

 

Para que o diálogo transcorra em alto nível, é necessário que os indivíduos estejam bem informados do assunto em pauta.

 

A fim de que a discussão se torne proveitosa, faz-se indispensável que os interessados se encontrem honestamente desejosos de aprender e de ensinar.

 

Expor, sem impor. Aclarar, sem confundir.

 

Propor uma tese e examiná-la com conhecimento de causa.

 

Amadurecer uma ideia para apresentá-la com segurança.

 

Conhecer os resultados da teoria posta na prática, para falar dos seus salutares ou perniciosos efeitos, são alguns dos requisitos basilares para um bom diálogo, uma discussão proveitosa.

 

Não esquecer, quando em discussão e diálogo, o comportamento emocional, o vocabulário, a postura pessoal, evitando a agressão sob qualquer forma e o exibicionismo de qualquer natureza.

 

Nunca se deve pretender a vitória, sobre o oponente, senão o triunfo da ideia, da melhor tese em benefício de todos.

 

Quanto possível, resguarda-te das discussões acaloradas e rudes.

 

Divulga a doutrina que te estimula e felicita com tranquilidade.

 

Ela será examinada pelos ouvintes através do seu conteúdo e não do teu ardor.

 

A tua paz, que dela deflui, apaziguará os que te ouvem.

 

Mantém diálogos aclaratórios, somente dos pontos que necessitam de reforço e dos conceitos que não ficaram bem explícitos após as tuas palestras e explicações.

 

Fora desses momentos, dialoga sempre com bom humor e fraternidade.

 

Não é importante ganhar contendas, senão conquistar corações para o bem e para o progresso em favor dos quis todos pôs devemos empenhar.

 

JOANNA DE ÂNGELIS

 

Madri, Espanha, 21/08/80

 

ARBITRÁRIA PROIBIÇÃO1 Toda a mensagem era uma sinfonia que se derramava sobre a paisagem feliz.

 

Sua musicalidade divina penetrava. Era impossível escutar-lhe a maviosidade, permanecendo insensível.

 

Conjugavam-se os requisitos para que o Maestro sublime conduzisse a partitura, acionando a orquestra invisível, encarregada da melodia ímpar.

 

Cada novo dia trazia páginas de incomparável beleza, que jamais foram ou voltariam a ser ouvidas.

 

Pairavam, nos corações, anseios e expectativas e, nas mentes, turbilhonavam as interrogações.

 

O poviléu sentia o magnetismo do amor que o dominava, quando Ele surgia, e, de uma só vez, assomava em vitória nos painéis das almas.

 

Nunca mais se experimentaria, na Terra, aquela estranha e dulcificante magia.

 

Uma primavera perene de emoções, eis o que pareciam aqueles dias, não obstante as estações do ano e dos sentimentos se sucedessem.

 

* * *

 

Não era fácil a empresa do "reino dos céus". Milenarmente afeiçoados aos interesses subalternos, os homens tinham dificuldades para fugir às próprias armadilhas da ambição, do egoísmo e da astúcia.

 

As mentes raciocinavam na horizontal da mesquinhez, do imediatismo, não na vertical da sublimação, da vitória sobre si mesmas.

 

As cogitações mais acuradas dificilmente se afastavam dos negócios em benefício próprio, do clã, no máximo, dos amigos que permutassem favores.

 

A doutrina religiosa, por sua vez, não fugia à regra, já que, elaborada pelos homens, trazia as suas características e manipulações. Mesmo quando inspirada, sofria a adaptação dos sacerdotes e dos políticos apegados aos apetites inconfessáveis.

 

Jesus diferia de tudo e de todos.

 

Ninguém igual a Ele ou que se Lhe pudesse aproximar era renúncia e elevação, nobreza e sabedoria.

 

Os companheiros ouviam-nO e aturdiam-se.

 

Amavam-nO, sem O compreenderem.

 

Por mais se esforçassem, não se desligavam das conjunturas do cotidiano.

 

Espíritos preparados para o ministério, entretanto, sofria m o véu da carne, que lhes toldava o discernimento.

 

A revolução, que se aprestava, era do interior para o exterior, em batalha silenciosa, em continuado esforço.

 

As palavras, portanto, que ouviam, não as entendiam, confundindo-se, muitas vezes, quando desejavam acertar.

 

A verdade é que, na condição de discípulos, de amigos, sentiam-se honrados, vaidosos...

 

Conviviam com Ele e isto os tornava invejados, antipatizados pelo despeito dos outros.

 

Nada, na Terra, que não sofra a conjuntura dos extremos, as reações antípodas.

 

Certamente, que se fazia necessário arrebanhar as almas, reuni-las e dizer que aquele era o momento. No entanto, eles não sabiam, exatamente, que momento era, que significava.

 

Viram Jesus limpar as nódoas abertas em chagas vivas, nos corpos em decomposição; doar luz aos olhos apagados; oferecer voz aos lábios sem música; conceder som aos ouvidos tapados e movimento aos membros hirtos...

 

Acompanharam a realização de prodígios ímpares.

 

Podiam constatar que se cumpriam as profecias, embora lhes escapassem as sutilezas dos textos das interpretações complexas.

 

Com Jesus, tudo era simples, embora não fosse fácil viver em doação integral.

 

Esse o clima emocional, essas as circunstâncias.

 

Amanhecera o dia em festa de luz e cor.

 

Os discípulos seguiam, a fim de estarem com o Mestre.

 

O caminho sinuoso e a aldeia bucólica surgiam à distância.

 

No burgo, em movimento, eles foram surpreendidos com um acontecimento inusitado.

 

Um homem, cercado pela multidão, curava enfermos, em nome do Mestre.

 

Tomados de justo zelo, avançaram na direção do impostor atrevido e rechaçaram-no, dispersando o aglomerado curioso.

 

Sentiam-se vitoriosos.

 

Anotavam que a revolução se iniciara e os primeiros combates foram, por eles, levados com êxito.

 

Não cabiam em si de contentamento.

 

A ansiedade apressava-lhes o passo. O Mestre necessitava saber. Quando defrontaram o Rabi, estavam esfogueados, bulhentos, ansiosos. O Amigo, como sempre, recebeu-os em calma, envolvendo-os com um olhar tranquilizador.

 

Por um momento sentiram-se desnudados e acanharam-se.

 

Passou-lhes pela mentem ideia do silêncio.


Um deles, porém, emocionado, narrou: "Quando vínhamos para cá, encontramos um homem que curava em teu nome, Senhor... "

Houve uma pausa natural, de efeito.


Jesus prosseguiu impassível, fitando-o. "... E como não era dos nossos — concluiu, entusiasmado, eufórico —, nós o proibimos e dispersamos a turba. "

O Mestre denotou tristeza na face amena e calma.

 

— "Tenho-vos ensinado o amor — enunciou, suavemente, porém, em tom de reprimenda —, demonstrando que somos todos irmãos, filhos de um único Pai, a fim de que nos ajudemos. No entanto, teimais por separar-nos.

 

"Fizestes muito mal em proibi-lo. Se curava em meu nome, é dos nossos, porque aquele que não está contra é a favor, quem não separa, ajunta.

 

"Se ele apelasse para o Espírito do mal, não faria o bem, porque a noite não propicia claridade, nem a doença faculta saúde.

 

"É indispensável somar esforços, reunir valores, amparar as tendências positivas. " Ante a decepção que abateu os companheiros precipitados, Jesus prosseguiu: "A intolerância é enfermidade que nasce da presunção e deve ser combatida. Matriz da impiedade, que se converte em loucura e crime, necessita de sofrer modificação.

 

"E estímulo para o fanatismo pernicioso e para a delinquência em nome da fé.

 

"O Filho do Homem não pertence a ninguém, senão ao Pai, impossível de demorar-se retido em denominações e grupos estreitos, partidos e povos...


Toda a Terra é o proscênio para a Mensagem e todas as criaturas são ovelhas do mesmo rebanho. " Silenciou um pouco ante a estupefação dos amigos envergonhados e prosseguiu:

"Nunca receeis o bem. Donde quer que proceda, vem sempre de Deus. "Não vos afatigueis por privilégios, nem cuideis de defender a verdade, rechaçando o próximo que a diz possuir ou simula conhecê-la. "Vivei corretamente; ensinai sem escândalo; exaltai o amor e a vida... O que fugir ao critério das minhas palavras não sobreviverá, extinguir-se-á por si mesmo, levando de roldão os que se lhe aficcionam.


"Só o bem tem duração eterna. "A verdade sobressai, sem que a exaltemos, e sobrevive, quando a subjugamos ou desejamos aniquilá-la. "Tende tento e amai!"

Não disse mais, nem necessitava.

 

A canção descia a um murmúrio, audível somente pelo coração.

 

O Sol ardia e os discípulos não se davam conta da canícula.


Mergulhados em profunda meditação, ouviram as suaves palavras chamando:
"Saiamos daqui. "

AMÉLIA RODRIGUES

 

Madri, Espanha, 22/08/80

 


Amélia Rodrigues
Divaldo Pereira Franco


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