Lampadário Espírita

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CAPÍTULO 3

Considerando a fé

A fé é uma necessidade espiritual da qual não pode o espírito humano prescindir.


Da mesma forma que o corpo haure no ar e no pão os recursos de manutenção e preservação do patrimônio celular, o espírito necessita da fé que vitaliza e renova, dinamizando forças de difícil classificação que encorajam tonificando a organização física e psíquica na tarefa valorosa de progredir.


Alimento sutil, a fé é o tesouro de inapreciado valor que caracteriza os homens nobres a serviço da coletividade.


Graças a ela renova-se a face da Terra, consomem-se os abismos na voragem do realizar, modificam-se paisagens, alteram-se feições... Com ela cessam agonias, retemperam-se ânimos, multiplicam-se luzeiros, erradicam-se males...


Estrela, clareia noites da alma.


Chama, aquece corações.


Pão, nutre esperanças.


Roteiro, conduz vidas...


Conhecê-la, guardando-a no íntimo, é tarefa que a todos nos devemos impor, no abençoado desiderato de nossa imortalidade intransferível. "Se tivésseis fé"... - disse o Senhor.


* * *

Seguro da existência de terras além do horizonte do mar, Colombo avançou, intimorato, e descobriu a América, apesar de todos os opositores.


Cônscio do dever, Damião de Vesteur, jovem sacerdote belga, abandonou sua pátria e demandou Molokai, onde a lepra fizera seu reduto, e abriu novos horizontes à fraternidade, malgrado o cepticismo de todos.


Fascinada pelo amor fraternal, Florência Nightingale deixou as fantasias feminis e demandou a Crimeia, elaborando com a sua filantropia invulgar as bases da futura Cruz Vermelha Internacional, lutando contra todos...


Alexandre Yersin, pesquisando, infatigável, entre sarcasmos e ironias, identificou o bacilo específico da peste, apesar das dificuldades enfrentadas.


Denis Papin, em Mundem, acompanhou desolado a destruição do seu barco, por todos considerarem impossível a aplicação da máquina a vapor de pistão para a navegação, mas não desistiu.


Jesus, ante a mulher sírio-fenícia, lecionou a grandeza da fé... e, ante o cepticismo dos que o seguiam, levantou da sepultura Lázaro que dormia, para atender ao confiante apelo de Maria, irmã do cataléptico...


* * *

Não esperes que a fé te busque o país da alma, qual hóspede inesperado que chega, após viagem bem sucedida.


Examina a aflição que te alcança o domicílio mental e lança-te no intrincado meandro do estudo das causas, do culto da oração, meditando para discernir e discernindo para acertar.


A fé não se doa, não se transmite.


Chama divina arde em todas as almas, aguardado o combustível do esforço de cada um para agigantar-se e clarear por dentro como mensagem de Deus.


Mediante as lições do Espiritismo aprendes, através dos impositivos do raciocínio, que "fé legítima só o é aquela que pode enfrentar face a face a razão"...


Raciocina crendo, e, se te faltarem os tesouros do discernimento ideal, crê por amor e dá-te ao amor de nosso Pai que tudo nos dá, deixando-te arrastar pelos rios da bondade e do bem em favor de todos, transformando-te em lume e calor para as horas de sombra e frio, no imenso caminho por onde segues, até que duas alvas mãos, como asas angelicais, tomem as tuas mãos e pela libertação desencarnatória te conduzam aos infinitos limites da consciência livre, onde, feliz, constatarás em paz a resposta da fé, virtude libertadora.


NOTA — Tema para estudo: L. E. — Parte 1a — Cap. I — Atributos da divindade.


Leitura complementar: E. — Cap. XIX — Poder da fé. — Itens 1/5.




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