Lampadário Espírita

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CAPÍTULO 14

Necessidade da reencarnação

"As lutas têm sido cruéis. Dificuldades me assinalam os passos em todo lugar. Sofro em demasia. " — Clamam, com irreflexão, aqueles que jornadeiam, desatentos, a trilha evolutiva. "Acompanho a marcha do progresso e constato que o êxito a coroar tantas cabeças não me alcança. Creio que em breve desistirei da luta. " — Rebelam-se os companheiros do labor diário, em pleno campo redentor. "Fracassos me seguem nos melhores empreendimentos, conduzindo-me a desespero infrene. A dor é comensal dos meus dias. Que fazer?" — Refletem, de mente desalinhada, os que se distanciam da fé racional e se consomem em interrogações aflitivas.


No entanto, todos esses que seguem, sob aparente amargura, aprendem na enxerga da aflição a valorizar os tesouros divinos que malbarataram por leviandade ou loucura. Recomeçam pelos sítios em que desertaram da vida, fixando experiências que a rebeldia, mal contida, ainda hoje transforma em novos cardos a se lhe cravarem nos tecidos sutis da alma.


Tem paciência diante da aflição punitiva ou libertadora. Não te recolhas à análise deprimente dos fatos ou das oportunidades. Enquanto contabilizas desditas, olvidas a claridade estelar espargindo luminosidade, seja durante o dia, seja na escuridade da noite.


Tudo são lições. O desgosto de agora transformar-se-á em proveitosa experiência de amanhã.


Caminho percorrido — local identificado.


Afervora-te ao exame do trabalho sem a desarmonia ansiosa dos resultados que temes. O que hoje parece insucesso logo mais se converterá, em dadivoso bem.


* * *

A reencarnação significa precioso ensejo de sublimar e superar, registrando como bênçãos nos refolhos da alma as experiências de libertação do imediatismo e da extravagância.


É expressivo o retorno à carne para refazimento das experiências deixadas à margem; tantas se fazem necessárias quantas as oportunidades de evoluir, até chegar à perfeição.


Nunca se nos deparam os mesmos recursos no roteiro da vida, nas mesmas condições.


Não pisarás duas vezes as águas do mesmo rio. Embora retornes ao local da véspera, as águas que fluem não são as mesmas.


A oportunidade, conquanto se nos apresente assinalada pelo nosso desagrado, representa preciosa dádiva.


Transforma, portanto, a dor em cântico de júbilo.


Cada etapa vencida é vitória conquistada a marcar os teus triunfos sobre as próprias lutas, incessantemente, até conquistares a paz em plenitude.


* * *

Não fossem os dissabores, e os estímulos para as tarefas desapareceriam.


A reencarnação ficaria destituída de valor se não burilasse os espíritos quando do retorno iluminativo.


O pavio que não arde, conserva-se; todavia, não espalha luz.


A lâmina que não se consome, no uso, não vai além de ornamento a pesar na economia das utilidades.


Nasce e renasce o espírito em diversos círculos para conquistar e reconquistar afetos, alargando os horizontes da fraternidade entre todas as criaturas, de modo a que o Reino de Deus não se transforme em oásis fechado de felicidade grupal, distante da Humanidade inteira.


Com propriedade, portanto, anotou o Codificador do Espiritismo que a reencarnação, aliás, precisa ter um fim útil.


Ascendamos através das lutas diárias nesse estado transitório da encarnação, calcando óbices e superando dificuldades, de tal modo que esta oportunidade significativa para os que se encontram revestidos da organização carnal constitua a ponte que leva ao planalto da vida melhor, sem sombra, sem dor, sem desespero, fazendo-os vencedores das paixões e da morte, verdadeiramente espíritos felizes.


NOTA — Tema para estudo: L. E. — Parte 2a — Cap. IV — A reencarnação.


Leitura complementar: E. — Cap. IV — Necessidade da encarnação. — Itens 25/26.




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