Vitória Sobre a Depressão

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CAPÍTULO 9

Viagem ao Exílio

Não fosse a Terra abençoada escola de almas, onde a Divindade oferece tesouros de valor incalculável aos seus aprendizes, e poderia ser considerada uma região de exílio, na qual se auferem os recursos para o desenvolvimento espiritual indispensável para a glorificação imortal.


Para os Espíritos nobres que formam as falanges de luz da erraticidade, o mergulho nas sombras densas do planeta representa uma viagem de alto significado a um país de degredo, no qual o primarismo predomina e as lutas lamentáveis entre as criaturas são o clima normal e ambiental.


Eles, no entanto, acostumados às excelentes regiões onde não mais existe a dor, nas quais as harmonias siderais constituem um poema de indescritível sonoridade permanente e as paisagens são iluminadas por tonalidades opalinas de incomum variedade, renunciando aos afetos de sabor eterno com os quais convivem, às aspirações de infinitude, fazem parte do esquema da afetividade, vindo ao mundo de sombras para conduzir os calcetas encarcerados nas hórridas prisões da carne, a fim de os libertar.


Voluntários do amor, compreendem que a sua felicidade faz parte do esquema de devotamento aos amargurados trânsfugas dos deveres, que optaram pelo retardamento na estrada do progresso, incapazes, por enquanto, de aspirar à perfeição relativa que lhes está destinada, porque enredados nas paixões primitivas, nelas se comprazem.


Munidos de extrema paciência, convertem-se em anjos tutelares dos rebeldes, buscando arrancá-los dos pauis de sofrimento a que se arrojaram, orientando-os quanto aos meios de se afastarem dos labirintos tormentosos, utilizando da oração e da misericórdia para com as suas vítimas e algozes, lobrigando a renovação interior e a esperança de felicidade.


Muitas vezes, não reconhecidos pelos déspotas, e mesmo recusados, insistem suavemente, sem desrespeito às leis de justiça, em devotamento às de misericórdia, para que se desintoxiquem dos vapores morbíficos dos pensamentos e dos hábitos doentios, experimentando o oxigênio saudável da paz e da alegria que a todos está reservado pelo Prodigalizador de mercês.


Caminhando pelos sítios de exílio punitivo, sofrem as condições ambientais, experimentando o pesado fardo das circunstâncias morais do planeta, de que já se haviam libertado, em sublimes testemunhos de amor e de caridade.


À semelhança de sóis rutilantes, diminuem a potência da sua luminosidade, para não humilhar os sentenciados à escuridão, que a preferiram às claridades diamantinas da fraternidade que lhes estavam ao alcance.


Não fossem os seus testemunhos de abnegação e de entrega, nesses hórridos ambientes gerados pelas mentes perversas e mantidos pelas promíscuas, ali não luziriam a compaixão nem a esperança, qual antevira Dante Alighieri, na entrada do Inferno, na sua Divina Comédia.


* * *

De outra forma, esses infelizes habitantes das regiões de indescritível horror, são, também, filhos de Deus, que se arrojaram ao infortúnio, após repetirem muitas vezes os mesmos desatinos, enquanto dominados pela selvageria e hediondez.


Tomaram conhecimento das lições libertadoras do Mestre Jesus de Nazaré, chegaram mesmo a vincular-se a alguma das incontáveis escolas de fé, mas preferiram o mundo enganoso e suas oferendas mentirosas às esplêndidas concessões da paz derivada dos deveres rigorosamente atendidos, tendo como projeto a ventura plena.


Negociaram com moedas vis, a verdade e a honradez, malsinando as vidas que se lhes entregaram confiantes, enquanto esbanjavam a mentira e a sedição, preconizando a concórdia e a paz.


Ultrajaram-se, pelo abuso das energias genésicas nos pastos do prazer sensual, sem nenhum respeito pelas suas elevadas funções, aplicaram o rigor das leis contra os outros, enquanto delas se utilizavam para apoiar-se no crime, na insolência, na crueldade.


Converteram os programas de iluminação em roteiros de sombra, assim como em destruição as lições de solidariedade.


Até onde vão a astúcia e a ausência de sentimentos do Espírito que se apega às formas físicas, às sensações, aos engodos da matéria, em detrimento dos complexos deveres para com a sua realidade!


Afundaram-se na ignorância, e nela permaneceram por exclusiva e pessoal vontade, enredando-se em crimes ignominiosos para atender ao egoísmo insano e ao louco desejo de gozo que sempre se acaba. Não souberam reflexionar em torno das promessas espirituais que lhes acenavam bem-estar incomum, vitórias sobre os fracassos, experiências iluminativas, caso se houvessem resolvido por alguma renúncia e pelo devotamento ao Bem.


Embora houvessem chegado à Terra, anteriormente, procedentes do mundo espiritual, facultaram-se olvidar as atividades experiênciadas antes do corpo, encharcando-se da matéria e negando-as.


Por isso mesmo, não se detiveram a recordar as vivências no mundo das causas, somente fruindo os efeitos chocantes e grosseiros, de efêmera duração, quando tudo lhes propunha imortalidade, afeições indestrutíveis, belezas transcendentais… Naturalmente, deixando de lado quaisquer possibilidades de realização interior, conquistaram coisas, dominaram regiões, manipularam vidas que lhes padeciam nas garras da impiedade, mas sucumbiram também ao inevitável fenômeno orgânico da morte, despertando em excruciante situação nas regiões pungitivas em que se encontram.


Tiveram várias chances de elevação, mas não lhes concederam o valor nem a atenção que lhes exigiam. Então sucumbiram ao desespero que impunham aos outros e que, por efeito natural, ora os assalta.


Não somente se encontram nas regiões espirituais esses exilados, mas também nas expiações severas e causticantes, nas quais o buril da dor modifica-lhes as arestas morais e o calor intenso das lavas ardentes e contínuas do vulcão do desespero que lhes propicia a diluição dos metais endurecidos do orgulho e da presunção.


* * *

À semelhança de Jesus que desceu ao vale do sofrimento, após a ressureição, a fim de resgatar Judas da própria insânia e facultar-lhe nova oportunidade, esses mensageiros da caridade, que ascenderam aos páramos da luz, renunciam, momentaneamente, à ventura que merecem, a fim de ajudar os náufragos da retaguarda, que suplicam socorro sem dar-se conta.


Em exílio, mantem-te vigilante em relação ao Amor, e procura evitar os compromissos desgastantes e tenebrosos do mundo dourado, avançando, por enquanto, por caminhos penumbrosos, mas com o coração e a mente elevados à Eterna Luz, que um dia te alcançará.




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