Vitória Sobre a Depressão

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CAPÍTULO 5

Arrogância

A arrogância é imperfeição moral que trabalha em detrimento do processo de libertação dos instintos agressivos e asselvajados, que remanescem em a criatura humana, mantendo-a em estágio primário de conquistas espirituais.


A arrogância torna o indivíduo insolente e atrevido, a ponto de permitir-se negar a existência de Deus, numa reação infantil contra a Progenitura Divina.


Supondo-se erradamente o centro do universo, o seu egocentrismo cilicia-o de maneira contínua, por não encontrar semelhantes no convívio humano, vendo-se impulsionado a estranhas condutas emocionais, ora isolando-se do grupo social, assim como em momentos outros agredindo e desrespeitando os direitos alheios.


O arrogante é alguém que perdeu o endereço de si mesmo e movimenta-se em estreito círculo de reflexões presunçosas, ferindo os demais e ferindo-se com tenacidade e de contínuo.


O seu culto à personalidade é tão desmedido que não se permite aceitar opiniões que pareçam divergir da sua, entronizando-se na vacuidade dos seus propósitos mesquinhos, porque soberbos.


Fazendo questão de ser temido e não amado, é fátuo, apresentando-se com empáfia, porém fácil de ser vitimado pela própria presunção, qual um balão dilatado que estoura ao contato de qualquer objeto pontiagudo.


Quando se dá conta do pouco valor que os demais lhe atribuem, atormenta-se, ruminando sentimentos de vingança e de malquerença que mais o afligem.


A presunção pode ser considerada enfermidade do caráter, que o consome sem parar, roubando-lhe as energias, enquanto se impõe de maneira férrea, ignorando o conceito em que é tido pelo grupo social e desejando auferir reconhecimento e homenagens que nunca lhe chegam por falta de merecimento.


Infelizmente, nem todos dão-se conta do comportamento ridículo e ultrapassado que assumem, sendo motivo de ácidas críticas e zombarias, embora mantendo a bazófia a que se agarram.


Somente o buril do sofrimento é capaz de romper o envoltório resistente no qual se encontram, desvelando o ser frágil e necessitado de carinho, que nunca se permitiu oferecê-lo a outrem, porque nunca concedeu a si mesmo.


Em consequência, as suas são dores muito severas, porque estiolam as ilusões interiores, derruindo as construções emocionais soberbas que erigiram para ocultar-se, necessitando de adaptar-se à compreensão do seu próximo e à necessária renovação interna.


Quem observe o arrogante, sem as lentes da compaixão, sente-se ultrajado pela maneira como é visto pelo mesmo, que nem sequer digna-se de manter um contato saudável e amigo, conservando-se em aparente superioridade, no que se compraz.


A arrogância de hoje tem as suas raízes em comportamentos tirânicos do passado, quando o Espírito enlouqueceu no poder, despedaçando vidas e impondo as suas paixões perversas.


Como ninguém se exime ao movimento contínuo da roda do tempo, todos são surpreendidos, hoje ou no futuro, pela realidade que os coloca nos lugares que lhes correspondem durante a vilegiatura orgânica.


* * *

O indivíduo presunçoso acredita na sua autossuficiência, e mesmo quando se permite relacionamentos sociais, afetivos, comerciais, normalmente mantém-se isolado no seu mundo de irrealidades.


Indiferente aos fenômenos da vida, não se permite as reflexões em torno do Criador nem da Sua criação, fechando-se era atitude niilista, assim resolvendo todas as questões cósmicas, reduzindo-as a fenômenos do acaso.


Pudesse romper a petulância, por um momento, e examinar uma delicada flor do campo, utilizando-se de um microscópio para bem penetrar-lhe a grandeza miniaturizada e, certamente, deslumbrar-se-ia com a magia da sua elaboração, alcançando mesmo o reino do infinitamente pequeno…

…E se olhasse com respeito um arquipelago de astros, imaginando o seu surgimento da poeira cósmica em infinitas variações, superando tudo quanto a imaginação pode elaborar, seria tentado a viajar um pouco pelo macrocosmo, no turbilhão das galáxias impenetráveis, curvandose ante â majestade do Sublime Dispensador.


Até onde o seu olhar alcançasse constataria a presença da ordem, de um programa, de leis de harmonia, de um projeto inconcebível para a mente humana com destinação adrede elaborada… Inevitavelmente descobriria a sua mísera pequenez e insignificância que, no entanto, assumiria superior significado, porque nada existe no universo que esteja em posição de inferioridade, como ocorre num concerto sinfônico, especialmente nesse regido pelo Onipotente Compositor.


Desacostumado, porém, à análise em torno da vida e das suas equações, permanece com os sentimentos enregelados até o momento quando a dor o alcança e rompe-lhe o mármore em cujo interior se encastela, facultando-lhe os primeiros lampejos de lucidez e anelos de felicidade.


Caso desencarne mantendo essa postura mental e emocional, despertará em álgida região de abandono, visitada pelas forças ignotas da Natureza ainda em desvario, chibateado pelas tormentas incontroláveis.


Passado algum tempo, sentir-se-á arrastado pelo tropel de outros infelizes que se aglutinam nas regiões moralmente inferiores do planeta, estorcegando na mesma fúria e padecimento, até quando a Misericórdia ilimitada do Amor os alcança, reconduzindo-os à reencarnação compassiva.


Retornam em corpos ultrajados por limites impostos pelo seu orgulho, apresentando distúrbios mentais profundos, embora a consciência de culpa vilipendiando-os e acicatando-os, por cujo meio diluem as poderosas fixações mentais que a arrogância lhes cimentou.


* * *

Quando defrontes alguém vitimado pela enfermidade moral da presunção, considera que se trata de um trânsfuga da consciência do dever, que se oculta na aparência soberba, sem coragem para o autoenfrentamento.


Não te deixes inspirar antipatia, em face da sua atitude extravagante e alucinada, recordando-te de que se trata de um Espírito sofrido enjaulado na petulância do vazio existencial, sem rumo nem amigos.


Sendo-te possível, direciona-lhe uma vibração de cordialidade e de compaixão que o alcançará, diminuindo-lhe as defesas em que se apoia, para permanecer inatingível.


Ante a circunstância penosa, agradece a Deus a simplicidade do teu coração e a pobreza das tuas ambições, embora rico de esperança e de alegria de viver conforme te encontras.




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