No Limiar do Infinito

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CAPÍTULO 17

DÍVIDAS E RESGATES

Encontrando-se a alma com suas raízes fixadas ao passado, donde procede e se vem aprimorando a pouco e pouco, justo, que se considerem sejam as atuais vicissitudes e venturas uma natural decorrência das atividades antes empreendidas.


Pesando, na sua economia evolutiva, créditos e débitos, a consciência da responsabilidade impede ao ressarcimento, nos retornos à organização somática, a fim de expungir e liberar-se dos agravantes e conquistar valores que a elevem, felicitem e apaziguem.


Conforme anotou o Evangelista João, no Capítulo 5, versículo 29 (Jo 5:19): "E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida, e os que fizeram o mal, para a ressurreição da condenação. " A tese reencarnacionista encontra no conceito exarado por Jesus a sua afirmação, mediante cujo comportamento na Terra faz que o Espírito ressuscite para a luz da alegria ou renasça para a aflição reeducativa de que necessita imperiosamente.


Jornadeando por diferentes etapas, graças aos recursos morais de que se encontra investido, fomenta afeições a que se imana, quanto favorece animosidades que estimula a soldo do orgulho e do egoísmo de que se não consegue libertar.


Essas injunções circunstânciais que todos defrontam no transcurso de cada existência deveriam significar pretexto para a fraternidade geral, em cujo cometimento se engajassem com vistas ao futuro de todos. Sublimando as afeições que se fariam sem os impositivos do interesse individual nem as paixões personalistas, o amor se converteria numa paisagem de esperança e ternura ao invés de fazê-lo um oásis de júbilos rápidos na desolação do deserto de inércia e dor em que se abatem os insensatos e aturdidos.


Outrossim, as vergastadas da antipatia em explosões espontâneas, tanto quanto as reações do orgulho ferido e dos melindres suscitados por incompreensões e desaires se transformam em graves expressões de ódio que intercambiam entre si os que se detestam, estabelecendo demoradas imposições de reencontros futuros, até que se

despedassem as algemas ao império da força do amor.


Ao mesmo tempo, as atitudes arbitrárias fomentadas pelas dissipações e vãs conquistas transitórias engendram injustiças reais e imaginárias, que não recebem os lucilares do perdão nem da beneficência com que amortecessem a sede de desforço e a ânsia de revide que se agasalham nos sentimentos revoltados.


Colhidos pela desencarnação os que permanecem no ódio, não se despem da insidiosa presença do rancor que os combure, volvendo precipites jungido às leis do retorno e das afinidades aos círculos donde se separaram pela perda do corpo, não, porém, pela sintonia de propósitos, dando início consciente ou inconscientemente aos lamentáveis processos de alienações obsessivas de curso imprevisível.


Vencidos pela amargura a que se fixam, eliminam os venenos mentais e disparam dardos de incontida revolta contra aqueles que, no plano físico e mesmo fora dele, passam a receber-lhes os influxos deletérios que intoxicam e sitiam até que se consumam as metas infelizes em cuja direção são arrojados. Não arrimadas essas pessoas aos hábitos salutares da prece e da meditação, da vigilância e da ação edificante, porque sofrem a constrição da consciência culpada, acolhem os petardos inditosos que as alcançam em contínua pertinácia, culminando por estabelecer o clima de perturbação em que derrapam, assim malogrando e não se sentindo encorajadas à ressurreição interior...


Vinculados pelas dívidas que identificam entre si aqueles que sintonizam na mesma faixa mental de sombra, somente a custo de esforço em prol da própria elevação logram liberação da canga pesada que os extenua.


Ninguém consegue paz senão a preço da renúncia, do esforço nobre e da realização elevada.


Os atentados aos Estatutos Divinos que regem a vida produzem distúrbios e desarmonias que permanecem aguardando o responsável, até que este reorganize a paisagem afetada, recompondo a ordem que violou.


Incapazes da vivência do perdão, aqueles que se acreditam ludibriados anelam por incompreensível vindita, quando poderiam vencer a ocorrência desagradável, superando as ofensas e librando acima dos ofensores e agressores.


Dominados mais pelas expressões animais da personalidade inferior do que pelos relevantes títulos espirituais, não trepidam em revidar "mal por mal", embora essa atitude igualmente lhes proporcione grande mal.


Em toda pugna obsessiva se encontram dois litigantes infelizes. O perseguido, sem os arrimos da elevação moral, sucumbe inexoravelmente sob a constrição da força obsidente, se não encontra a salvadora solução evangélica, enquanto o sandeu perseguidor, em cobrando o que atribui ser-lhe um encargo de justa dívida, mergulha nas mesmas densas faixas vibratórias em que se amesquinha e se estertora.


Incontrolável é o número dos obsidiados por Espíritos desencarnados em nossos dias.


A imensa massa de obsessos com as mentes e os corpos violentados pelos fluidos perturbantes jaz amolentada por hipnose segura que a domina ou açulada por indução criminosa que a desorganiza e alucina.


Vinganças pessoais são patenteadas por temperamentos empedernidos no mal, que se resolveram retardar a marcha ascensional, a fim de promoverem a desdita dos seus adversários apesar de também pagando o preço do sofrimento.


Obsessões realizadas por avançada técnica com que, os que se supõem dilapidados, recorrem a mentes frias e hábeis do Mundo Espiritual inferior, consumam terríveis processos de vampirização e subjugação sem alma, em que se comprazem por tempo indeterminado, até que a Lei de Amor interfira compulsoriamente a favor de ambos os consórcios da peleja perniciosa.


Agressões ocasionais e constantes são promovidas por vigilantes verdugos que detestam os que caminham na senda reencarnacionista amarrados a débitos passados, de que se não liberaram.


Grupos humanos e comunidades submetidas às algemas da perturbação espiritual, constrangedora, arrastam suas misérias morais em caravana de inermes vítimas de si mesmos, sob a imperiosa força dos seus adversários desencarnados.


No intercâmbio espontâneo existente entre homens e Espíritos é muito maior do que se pensa o cerco das Entidades perversas e atrasadas, considerando-se a mais fácil sintonia de propósitos entre estes e os deambulantes do corpo físico.


Onde esteja à dívida sempre surge a cobrança.


Oculto o débito ou esquecido, em nada diminui o gravame, aparecendo no momento próprio à necessidade do ressarcimento.


A harmonia interior decorre do equilíbrio existente entre as ações positivas e os enganos que produzem as reações da ira e das idiossincrasias que passam a gravitar em torno dos que lhes fazem jus.


Somente o amor em toda a sua grandeza consegue modificar as cruas e rudes parasitoses psíquicas que dizimam os homens invigilantes e estabelecem o caos social que varre o planeta nos seus diversos quadrantes.


Instado ao bem, mediante os incontáveis convites da Natureza, o homem dispõe de vigorosos antídotos de que se não utiliza, a fim de preservar-se e possuir a paz.


A prática da beneficência, o culto da oração e a manutenção dos sentimentos nobres a qualquer custo conseguem resguardar, inclusive, os incursos no desrespeito à Lei, fazendo que se edifiquem pela soma das ações corretas ao inverso do tributo pelas lágrimas pungentes.


O bem possui maior soma de pesos na economia da vida, podendo anular quaisquer atentados e oferecer ao mesmo tempo forças para que o réprobo se encoraje à reabilitação, logrando conquistas que o credenciam à ventura agora ou mais tarde.


Retribuindo os assédios à sua casa mental com pensamentos salutares, consegue o encurralado anular e até mesmo descoroçoar o seu antagonista que, cansando-se da trama malévola que estabelece e na qual insiste, busca outras metas, encontrando a própria redenção. Nesse comenos os Espíritos Guias do encarnado ou do antagonista se acercam amparando os litigantes e inspirando um como outro à aquisição da vitória sobre o "eu" enfermiço em derrocada.


A argumentação benevolente e esclarecedora, no exercício da mediunidade com Jesus, constitui salutar medicamento para o severo problema das obsessões, equacionando as razões ocultas, das soezes perturbações, ao mesmo tempo propiciando a reeducação de ambos os combatentes, que na área da mente se enfrentam furiosos.


Havendo autoridade moral por parte do educador espiritual, consegue-se, a esforço, que ambos os comprometidos na estafante refrega se resolvam mudar de comportamento mental e se disponham ao recomeço reparador com que se armam para os empreendimentos futuros.


Mediante um grupo coeso de homens e mulheres em sintonia espiritual, estudiosos das causas e principais misteres da vida, arrimados à prece e à elevação de propósitos, em disciplinado exercício da caridade aos que atravessaram o portal do túmulo, a terapêutica desobsessiva consegue alcançar as finalidades elevadas a que se destina.


A comunhão fraternal, a solidariedade existente e o culto ao bem incessante produzem resistência às investidas das mentes impiedosas e perseguidoras que não

conseguem romper as defesas do grupo, verdadeiro reduto de luz que sombra alguma lobrigará entenebrecer...


Simultaneamente a honesta disposição do paciente em se recuperar, envidando esforços para arrebentar as algemas de dor e amargura através dos sorrisos e socorros que consiga proporcionar aos que padecem aflições e sufocam amarguras íntimas, constitui-lhe valiosa armadura para a vitória no embate severo.


Muitas vezes a soma de delitos que pesa sobre a consciência e a vida dos inditosos pacientes é superior à possibilidade momentânea de recuperação e de paz. Alonga-se em tal caso a interferência obsessiva, que nem sempre culmina na desencarnação, prosseguindo além do túmulo, em que se alteram os fatores vigentes e se estabelecem os novos cometimentos futuros em que sorrirão as esperanças e se enflorescerão as alegrias.


Na anterioridade da alma, nas suas vidas precedentes se encontram as matrizes de todos os sucessos de profundidade e alta significação a se refletirem na atualidade do ser espiritual encarnado ou não.


No passado espiritual se demoram as chaves decifradoras dos enigmas presentes.


No ontem de cada ser dormem as razões reais das agonias, dores e insatisfações que estiolam as criaturas humanas.


Oxalá compreendam os homens que as diretrizes do seu futuro vigem nas circunstâncias atuais, podendo cada ser construir o seu paraíso, desde então, a contributo de abnegação, nobreza e autoaprimoramento.


Não deseja o Senhor que os pecadores se extraviem, conforme lecionou, mas que se salvem.


No colossal intercâmbio existente entre os habitantes da Terra e os que vivem na Erraticidade, a questão que diz respeito à obsessão é das mais importantes, em razão das suas consequências, enquanto o amor é claridade que luze, apontando rumos, superior a todas as infelizes conjunturas que unem os endividados entre si, imanados pelas ofensas recíprocas.


A dívida-sombra a seguir o leviano, enquanto o bem realizado pode ser comparado a estrela fulgurante, vencendo a densa treva da noite, em triunfo, no zimbório de quem o conduz interiormente.




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João 5:19

Mas Jesus respondeu, e disse-lhes: Na verdade, na verdade vos digo que o Filho por si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai; porque tudo quanto ele faz, o Filho o faz igualmente.

jo 5:19
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João 5:29

E os que fizeram o bem sairão para a ressurreição da vida; e os que fizeram o mal para a ressurreição da condenação.

jo 5:29
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