No Limiar do Infinito

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CAPÍTULO 16

FAZER A OUTREM...

O inimigo caído nas complexas redes do mal que haja feito, sofre, é certo, o impositivo da justiça. No entanto, cada um se deve reservar a contribuição da misericórdia que lhe é dever oferecer.


O caluniador que se comprazia em atenazar os demais carpe, agora, a solidão a que se atirou espontaneamente. Todavia, ninguém se considere isento de ofertar-lhe a dieta da misericórdia neste momento difícil que ele vive.


O usurpador de ontem, que dilapidou os bens alheios, experimenta neste instante a prova da miséria financeira. Foi, sim, alcançado pela justiça, porém, não é justo que os demais se coloquem distantes da misericórdia que lhe minimize a situação.


O gozador de ontem derrapou nas bordas da insensatez e hoje expia nas rudes limitações. Apesar disso, não é direito que o seu próximo se coloque longe da misericórdia para com ele, considerando-o recolhido pela incoercível justiça de Deus e permanecendo indiferente.


Aquele que escarneceu e perseguiu, nestes dias, experimenta o látego que antes soubera aplicar com rigor. De forma alguma, porém, a sua vítima deverá situar-se insensível no tribunal da justiça impertérrita, já que a misericórdia com que o assista lenir-lhe-á a dor.


O verdugo chora transformado em vítima da própria sanha. Recupera-se ao impositivo da justiça, entretanto, necessita de misericórdia.


Justiça e misericórdia!


Não obstante Herodes e Herodíades mantivessem uma ligação lavrada no desrespeito à Lei, o problema era deles, pelo qual responderiam, conforme sucede com todo aquele que se conspurca e afeta o organismo social.


Invectivando-lhes a conduta reprochável, João apelava para a justiça, quando poderia ter-lhes oferecido à misericórdia.


Irritados os incursos na atitude arbitrária, utilizaram-se da justiça caótica de que dispunham entre artimanhas e traições, encarcerando-o e decepando-lhe a cabeça.


Embora combalida pelo adultério de que se não podia escusar, a dorida mulher recebe de Jesus a misericórdia e não o cumprimento da justiça que a lapidaria consoante o Estatuto que regia o inquieto povo de Israel.


Não que se deva concordar com o erro, conivir com o crime, apoiar o desequilíbrio.


Em nome da justiça falha, Pilatos lava as mãos em torno do destino do Justo, para que os intrigantes, os interessados na acomodação e os exploradores se sintam tranquilizados por libertar-se d’Ele.


Apesar disso, por misericórdia Ele volta em madrugada de bênçãos para os ajudar. *

A justiça divina jamais falta.


Mesmo que não seja percebida, ela realiza o seu ministério superior, alcançando todos quantos desrespeitam os Estatutos que regem a vida.


De mil modos se manifesta, sem exceção recupera os delituosos, trazendo-os à reta conduta.


Quando o amor não é considerado, a verdade se faz menoscabada, a caridade sofre desprezo; é a justiça que amalgama as almas férreas e nelas plasma as formas de luz, lapidando arestas e aprimorando-as.


Infatigável, persuasiva, ora rígida, ora suave se apresenta como dor e grilhão, provança rude e expiação irreversivel, impondo os seus ditames na alma, na mente e no corpo dos defraudadores da vida, sempre vítimas de si mesmos.


* * *

A ninguém compete, no entanto, em situação alguma "fazer justiça com as próprias mãos", nem utilizar-se de arrazoados em nome da justiça, em referência aos que caíram.


Este tombou, aquele explora, esse mente, uns caluniam, outros zombam, diversos são pusilânimes, incontáveis se fazem algozes, todavia, não se erga a clava contra eles, mesmo que, aparentemente ao jugo da impiedade ou de insensatez deles, se esteja com a razão...


Pregando correção não se censure o erro exorbitando da tarefa que é a de ensinar. Expresse-se a verdade sem se reportar à mentira.


Enfocar o bem sem fazer a descrição do mal.


Pessoa alguma se evadirá à consciência ou fugirá à evolução.


Use-se sempre de misericórdia.


É a misericórdia de Nosso Pai que a todos ampara herdeiros que somos do Seu amor, no entanto, dilapidadores das mercês que desfrutamos.


Isto, porque, com a misericórdia com que se medirem os erros do irmão, assim serão os próprios erros considerados e medidos.


Obsessões


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