No Limiar do Infinito

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CAPÍTULO 10

FENÔMENOS MEDIÚNICOS

Educação da Mediunidade Sendo a educação a grande modeladora do caráter, o seu campo de ação alcança as aptidões psíquicas do homem, contribuindo eficazmente para o seu desenvolvimento.


A mediunidade, considerada como faculdade da alma, a manifestar-se por meio dos implementos orgânicos, é maleável ao comportamento do homem graças às vinculações que facilmente mantém com as Entidades desencarnadas que a utilizam. Sincronizando as ondas mentais conforme a sua intensidade vibratória, que decorre da qualidade e teor do pensamento, ao médium se faz indispensável grande esforço educativo, a fim de habituar-se às expressões de enobrecimento, nas quais haurirá forças e renovação íntima para o controle adequado e utilização dos recursos psíquicos.


Nesse campo impõe-se-lhe um cuidadoso estudo da própria personalidade, a fim de identificar as deficiências morais e corrigí-las, equilibrar as oscilações da emotividade, policiando o temperamento. Outrossim, o exercício das atitudes comedidas se lhe faz imprescindível para os resultados superiores que persegue na vivência das funções paranormais.


Igual às outras faculdades psíquicas, o comportamento moral do indivíduo é de relevantes consequências para a mediunidade. Em decorrência, torna-se de inapreciável significação o exame dessa complexa faculdade cujo mecanismo se instala nas tecelagens sutis da alma, que a comanda mesmo quando inconscientemente.


Percebidos os sintomas que a caracterizam e que nem sempre são constituídos por perturbações morais, psíquicas e, muito menos, como os convencionou a simplicidade popular em forma dos "azares da sorte", merece compreensão e exame da aptidão com uma conveniente tomada de posição, que decorre do estudo consciente das possibilidades para aplicá-las de forma rentável na economia do amor e do bem geral a que deve ser dedicada.


A ignorância em torno dessa faculdade importante da alma tem confundido as suas expressões com os fenômenos da chamada "miséria psicológica", fazendo que suas

causas sejam responsáveis pelos insucessos humanos, os humanos tormentos e as dificuldades de vária ordem que afligem o homem. Anuncia-se, mesmo, diante de qualquer ocorrência infeliz, que as matrizes do incômodo estão na mediunidade de que se é portador e não se lhe dão os devidos cuidados. Não há procedência, no entanto, afirmação desse porte. Sem dúvida, relegada ao abandono, produz perturbações, considerando-se o comportamento moral do médium. A conduta boa ou má faz atrair para o homem afeições e desafetos que lhe partilham as forças físicas, não obstante se encontrem na Esfera Espiritual. Em considerando a qualidade das aspirações desses comensais, que se lhes vinculam, absorve as vibrações peculiares, do que resultam os estados de inquietação e conflitos. Não é, portanto, a mediunidade que responde por tais efeitos e sim a conduta moral do indivíduo.


O descaso e o desrespeito à mediunidade, todavia, promovem situações e dependências malsãs que resultam do seu uso inadequado pelos Espíritos enfermos, maldosos, perturbados e perturbadores...


Além do dever imediato de moralizar-se para assumir o controle das suas forças medianímicas, o sensitivo deve instruir-se nos postulados espíritas, a fim de conhecer as ocorrências que lhe dizem respeito, adestrar-se na convivência dos Espíritos, saber conhecê-los, identificar as "leis dos fluídos", selecionar os seus dos pensamentos que lhe são inspirados, discernir quando a mensagem procede de si mesmo e quando flui através dele, provinda de outras mentes... Igualmente cabe-lhe conhecer as revelações sobre o Mundo Espiritual, despido do fantástico e do sobrenatural, do qual a vida na Terra é símile imperfeito, preparando-se, outrossim, para enfrentar as vicissitudes e vadear-lhe as águas, quando ocorrer a desencarnação.


A mediunidade não tem qualquer implicação com religião, conduta, filosofia, crença... A direção que se lhe dá é que a torna portadora de bênçãos ou desditas para o seu responsável.


Com a Doutrina Espírita, porém, aprende-se a transformá-la em verdadeira ponte de luz, que faculta o acesso às regiões felizes onde vivem os bem-aventurados pelas conquistas vitoriosamente empreendidas.


Embora vivendo no turbilhão da vida hodierna, o médium não pode prescindir do hábito da oração, aliás, ninguém consegue plainar acima das vicissitudes infelizes sem o benefício da prece, que luariza a alma por dentro, acalmando-a e inspirando-a, ao mesmo tempo favorecendo-a com as forças para os voos decisivos, na conquista dos altos píncaros... Paralelamente, a vida interior de reflexões favorece o registro das

mensagens que lhe são transmitidas, aprendendo a fazer silêncio íntimo com que se capacita para a empresa.


Muito importantes em qualquer tipo de mediunidade, intelectiva ou de efeitos físicos, o comportamento e o burilamento do medianeiro.


Às vezes, pessoas mal adestradas e portadoras de significativas falhas morais fazem-se portadoras de mensagens de Benfeitores nobres numa demonstração de que o caráter moral do instrumento é de secundária importância para o mister... Isto, porém, é conclusão apressada. Os Espíritos Superiores, ao aconselharem, esperam que as suas instruções beneficiem primeiramente aos próprios médiuns que as veiculam, insistindo no esforço que estes devem despender, a fim de se transformarem, o que, não ocorrendo, aqueles Instrutores se sentem impedidos de continuar o tentame por falta de identidade psíquica, porque os instrumentos se situam em distinta faixa de sintonia. Jamais, porém, abandonam os seus beneficiários, sendo, aliás, por estes abandonados, em razão de os mesmos não se interessarem por ascender e segui-los, preferindo as expressões grosseiras das sensações violentas com a quais se identificam e em que se encharcam...


— "Quem quiser vir a mim — declarou com ênfase Jesus Cristo — tome a sua cruz e siga-me". O convite não deixa margem a qualquer tipo de interpretação dúbia, não faculta acomodação de qualquer espécie. Seu apelo, quanto tem de conciso é também incisivo.


A cruz são os problemas a equacionar bem, que, todos possuem, e o tempo de fazê-lo é hoje, a hora presente. A outra determinação no convite é a opção do querer, porquanto sem essa definição de profundidade os tentames não vão além da superficialidade.


A mediunidade espírita colocada a serviço de Jesus é abençoada cruz a ser conduzida com elevação. Assim, a sua técnica de educação se assenta na prática da caridade nos múltiplos aspectos em que se apresenta. Nunca se restringe ou recua, estando de braços abertos em atitude fraterna para todos receber, afagar e ajudar. Fomentando o progresso do homem e da Terra, não desanima quando as dificuldades se multiplicam, não desiste quando os impedimentos parecem impossíveis de transpostos, porquanto o seu ministério não é precipitado, embora a urgência de que se reveste.


As realizações mediúnicas são todas pacíficas, portadoras de cor e otimismo, mensageiras da alegria e da imortalidade, não se compadecendo com o erro, o delito,

não obstante objetivem levantar o homem que caiu nas hábeis urdiduras infelizes e que deve ser daí arrancado a preço de paciência, de perseverança e de abnegação.


Tornando-se dócil às vozes dos Espíritos Guias, o médium adquire a confiança dos seus Mentores e experimenta amiúde a sua boa influência, que se lhe torna uma necessidade, cuja falta o aflige e o impele a novamente lograr.


Bem conduzido, o fenômeno mediúnico se incorpora à natureza do medianeiro, que, disciplinado, mediante austeras exigências a que se impõe e nunca aos outros, deixa de ser um homem fenômeno para que se ressalte o fenômeno da sua transformação moral e crescimento espiritual.


As extravagâncias a que o médium não se permite poupam-lhe as forças, que transforma em mecanismos poderosos e agentes especiais de realizações operosas para a tarefa que desenvolve a benefício próprio, redundando em benefícios gerais.


Toda vez que alguém se ergue, com eles se levantam os membros caídos da humanidade desfalecida.


Descuidada, a faculdade medianímica se converte em poço de aflições, considerando a qualidade dos seus usuários que, portadores dos desequilíbrios de todo porte, lhe enxovalham as fontes generosas, turbando-lhe a água lustral, que passa a veicular miasmas pestilenciais, venenosos. A primeira vítima, porém, é o próprio médium invigilante, que conecta com as mentes viciosas e malévolas da Erraticidade inferior, que se locupletam na manutenção dos equívocos em que se demoram, desnaturando as finalidades da vida e padecendo-lhe as consequências.


Têm início ou se reatam liames de obsessões cruéis, mediante os quais o encarnado se desalinha, saindo da diretriz mediana do equilíbrio para as distonias várias, em que se barafunda, em processo soez de complexa recomposição.


Noutras vezes a distonia toma curso sutil, engendrando fascinações perigosas e empurrando o incauto para o campo das revelações sem procedência, em que as expressões da imaginação doentia tomam corpo, assumindo posições de missionários soberbos ou de apóstolos intolerantes, cujos vaticínios são calamitosos e apavorantes.


O exercício edificante da mediunidade em processo de educação, de disciplina, é simples, embora não seja fácil. Simples porque o mecanismo das leis de amor que pulsam no homem faz: que ele a coloque a serviço da caridade, desinteressadamente; que se ofereça, através de um programa bem delineado, ao labor da solidariedade e da misericórdia fraternal; que se esclareça e aprenda a manejar os recursos de que se

torna portador; que se beneficie das forças que coloca ao alcance do seu próximo; que se liberte da constrição asfixiante das imperfeições, superando-se e renovando- -se na busca de Deus...


Não é fácil, se forem consideradas as posições que conspiram contra a sua finalidade, posições em que o ser se demora milenarmente, dominado pelo egoísmo e pelo orgulho, sujeito à clava dos prazeres fortes e tóxicos a que se acostumou e aos quais não se resolve abandonar.


Condicionado à aquisição dos valores perecíveis, os que garantem a posição social e facultam as permissividades, torna-se difícil trocá-los por aqueloutros de natureza diversa, que não se arrolam em contas bancárias nem podem ser cadastrados pelas Entidades contábeis, no entanto, são de caráter essencial para a paz duradoura e o otimismo permanente, como exteriorização da saúde mental e moral do homem.


O médium seguro, conforme Allan Kardec denominou o bom médium, revela-se através das atitudes sensatas de cidadão que é, convidado à convivência social. O seu equilíbrio no comportamento, nas diversas situações em que se vê envolvido, fala do seu estado íntimo, da qualidade dos seus pendores, consequentemente das companhias espirituais que lhe são afins.


Comedido, faz-se discreto; digno, torna-se credor de confiança; jovial, esparze alegria sem a necessidade do anedotário chulo; responsável, evita a carranca, que nada acrescenta aos valores internos de que é portador; paciente, sabe que os acontecimentos, hoje não sucedidos, se realizarão no momento próprio; humilde, exterioriza-se conforme é, sem as aparências que lhe realcem a virtude, que se compraz quando ignorada; generoso, não alardeia as manifestações da bondade natural; amigo, dispensa os encómios e as bajulações de maneira espontânea.


A procedência das mensagens espirituais que filtra se revela no conteúdo de que se revestem, objetivando sempre a reforma do ser para melhor e o socorro anônimo que espalha.


O fenômeno mediúnico está presente em todos os tempos da Humanidade quanto a mediunidade faz parte das múltiplas faculdades da alma encarnada, sempre detectada através da História.


O Espiritismo, porém, deu-lhe direção, dignificando-a, estabelecendo as leis que devem reger o fenômeno e orientando os requisitos educativos para a disciplina e a boa condução dos médiuns.


Do informe espiritual puro e simples, elevado, arbitrário e desconexo, através de homens apaixonados, temperamentais ou não, débeis, nobres e dúbios, a Doutrina Espírita ergueu toda uma metodologia eficiente para a experimentação mediúnica superior e o seu exercício com finalidade enobrecedora.


A importância da mediunidade depende da qualidade do próprio médium que lhe dá autenticidade e graças a cuja vida, sem as oscilações prejudiciais, os fenômenos se produzem dentro de um ritmo e de uma harmonia que condizem com a excelência das suas fontes de origem.


Educar-se incessantemente é dever a que o médium se deve comprometer intimamente, a fim de não estacionar, e, aprimorando-se, lograr as relevantes finalidades que a Doutrina Espírita propõe para a mediunidade com Jesus.




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