No Limiar do Infinito

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CAPÍTULO 1

O NOVO ESPIRITUALISMO

O Espiritismo ou a Terceira Revelação O Espiritualismo sempre esteve presente nas elucubrações do homem. Desde tempos imemoriais se encontram os vestígios da revelação do Mundo Espiritual, em contínuo intercâmbio, mediante o qual o homem hauria luzes e esperanças para enfrentar os problemas existentes e as naturais hostilidades do meio em que estava colocado para progredir...


As grandes Civilizações da antiguidade oriental, graças ao elevado e contínuo conúbio com as forças vivas da Natureza — os sobreviventes do túmulo —, edificaram os seus fabulosos monumentos e construíram as linhas básicas da cultura e da ética em que estribaram os próprios postulados.


Penetrando a mente ávida de conhecimento pela senda dos "Mistérios", conceberam, através da vigorosa interferência dos desencarnados, que eram tidos como deuses, fadas, anjos tutelares e gênios, as doutrinas secretas, de que nos fala o esoterismo oriental, verdadeiro repositório de espiritualidade e beleza, qual fonte generosa a fluir linfa cristalina e confortante.


A evolução da Humanidade tem sido vagarosa: conquista a conquista, pacientemente.


No princípio, no silêncio das criptas, dos santuários, no altar da Natureza, o homem realiza os seus mais eloquentes descobrimentos.


Sob os espessos véus dos cerimoniais extravagantes florescem as doutrinas secretas apresentando, todavia, odor de alta espiritualidade. Na Índia, é o Bramanismo; no Egito, o Hermetismo; em Israel, a Cabala; na Grécia e em Roma, o Politeísmo... Observando a realidade exterior, todos os ocultistas penetravam o mistério da realidade interior da natureza e do homem, colhendo as valiosas informações que contêm o gérmen da vida abundante, eterna. A alma, embora a vida dual, na Terra e fora dela, é a detentora da sabedoria.


Nascem, então, nessas pesquisas, as Ciências dos Números, conhecidas como Matemáticas Sagradas, a Teogonia, a Cosmogonia, a Astrologia, a Magia...


O iniciado tem em toda parte o seu Deus Único, que chama, na Índia, Brama; no Egito, Osíris; no Olimpo grego, Júpiter, como Soberano sobre todos os deuses, embora o aparente politeísmo.


Dessas fontes saem os grandes fundadores de Religiões: Krishna, Buda, Zoroastro e Hermes, Moisés e Jesus... Aí, também, surgem os pais do pensamento filosófico: Sócrates, Platão, Aristóteles, Pitágoras...


A religião verdadeira, porém, pairava acima das fórmulas e dos cerimoniais.


Os ensinos foram reunidos nos 5edas, no Zenda-Avesta, no Livro dos Mortos, na Bíblia...


A Idade Média guardaria, ainda, fortes reminiscências dos cultos antigos e a Maçonaria ressuscitou a iniciação essênia para preparar o discípulo e ajudá-lo a galgar os degraus superiores.


Através da boca dos seus sensitivos, em matizes diferentes, falaram os imortais.


Utilizando-se dos richis e hierofantes, dos profetas e sibilas, pítons e sacerdotes, patriarcas e oráculos, apresentaram-se os Espíritos vitoriosos ao túmulo, revestidos das paixões que os afligiam, como da excelsitude em que se elevaram exigindo e ensinando doutrinas ora estranhas, absurdas e chocantes, ora sutis e nobres, desvelando a procedência de cada um, na simbologia da dualidade conflitante em a natureza humana: o mal e o bem.


Povos e nações antigos sempre tomavam suas decisões diante dos auríspices e intérpretes dos sinais com que esperavam encontrar a resposta dos deuses às suas solicitações e problemas. Através de práticas esdrúxulas e sacrifícios bárbaros, pensavam aplacar a violência dos seus numes, conseguindo propiciamento a suas ambições e ânsias expansionistas.


Através do estudo das conjunções astrológicas, estabeleciam-se prognósticos de glórias e desgraças, tentando-se ler nos céus o destino dos homens e das civilizações...


Lentamente a revelação incessante impôs as suas soberanas leis, e, ao oceano politeísta, sobrepôs-se a grandiosidade de um Deus único, sem nome, em cada lugar caracterizado especificamente como o Absoluto, que paira acima e além de todas as concepções e entendimentos.


Na índia, no Egito, na Babilônia, na Assíria, na Pérsia, em Israel sobrenadaram no

báratro das informações confusas as excelências espirituais, constituindo verdadeiras glórias do pensamento religioso e filosófico que sustentou os seus povos, até que se alteraram os rumos das suas realizações, sucumbindo num ciclo e desaparecendo, a fim de ressurgirem noutras nacionalidades e raças, na imensa viagem para a redenção...


Profetas de variada nomenclatura vaticinaram os fastos do porvir, produziram fenômenos de relevância com que se impuseram ao respeito do tempo e das comunidades em que viviam, exteriorizando as legítimas realidades da vida espiritual, em realizações épicas, religiosas, sociais e éticas inesquecíveis.


Dentre os primeiros, os grandes iniciados, Moisés foi o escolhido para o cometimento incomparável de conduzir o povo hebreu à liberdade física e acenar-lhe a perfeita liberdade espiritual, mediante a incondicional adesão à verdade contida no Decálogo de que fora excelente instrumento do Mundo Transcendental.


A primeira grande revelação, todavia, não encontrou no seu tempo a mentalidade própria, em considerando os séculos de escravidão e degenerescência moral do povo ao qual se destinava de início, vindo a tomar-se um rude veículo de flagício e perseguição, por meio do qual se programou a constituição política, histórica e religiosa de Israel, em detrimento da finalidade essencial que era preparar nas mentes e nos corações a hora sublime do Messias.


Anunciado pelos grandes médiuns que O precederam e descrito pelos organizadores da Terra, seu advento foi revelado e saudado por anjos e sacerdotes fieis que O identificaram.


Ele chega e assinala a Era Nova com os marcos inconfundíveis da superior presença.


Com Jesus mudam-se as conjunturas do pensamento vigente. O amor de que se faz mensageiro é a aliança que o Pai mantém com os filhos, não obstante o demorado recalcitrar destes.


Não derroca o estabelecido, não se rebela contra a austera severidade dos códigos legais, submetendo-se até ao sacrifício, mesmo injustiçado, a fim de ensinar que a subida ao monte da vitória libertadora pertence a cada um após decisão irrefragável.


Prevendo, no entanto, que os homens do seu tempo, e, quiçá, do futuro, não resguardariam seus ensinos indenes da interferência das suas paixões e mazelas, prometeu O Consolador que recordaria suas palavras, adicionaria capítulos novos e nunca deixaria as criaturas...


A segunda grande revelação para a Humanidade, a do Cristo, simbolizada no amor, logo se entorpeceu e se descaracterizou através do suceder dos evos após a partida d’Ele.


Lentamente foi recebendo a introdução e a enxertia das vãs preocupações e transitórias aspirações humanas. Algum tempo depois, ei-la crivada de adulterações e modismos adaptáveis às conveniências de classes e greis, deixando à margem a transparência dos ensinos primitivos, perdidos na exegese e na teologia com o que se procurava obscurecer a mensagem sublime. (O Grifo não pertence au autor espiritual) No entanto, a previdência divina, sem cessar, prosseguiu mandando à Terra Espíritos missionários nos diversos campos do conhecimento e da religião, a fim de que não ficasse esquecida a palavra do Excelso Cantor...


Em 834, o papa Damaso inspiradamente confiara a São Jerônimo a tarefa especial de fazer uma tradução para o latim do Antigo e do Novo Testamento. A missão se revestia de quase insuperáveis obstáculos, considerando-se o número e variedade de textos. Conduzido por vigilantes obreiros desencarnados, o excelente trabalhador se desincumbe do compromisso, reconhecendo, no entanto, as dificuldades e os possíveis enganos cometidos. Todavia, o suceder dos tempos faria que se alterassem, ora no Concílio de Trento, ora por Sixto V, em 1590, posteriormente por Clemente VIII, em que hoje se estruturam as modernas traduções.


Não obstante, continua a perpassar no texto do Evangelho a sutil e elevada presença de Jesus, seus feitos e ditos, sua vida incomparável.


A mensagem original ressalta, poderosa, de todo o texto em alto brado de amor e de advertência ao homem desatento da atualidade.


As alterações não conseguem ofuscar o brilho da verdade.


— "Declaro que se estes (os discípulos) se calarem as pedras clamarão" — afirmara Jesus no monte das Oliveiras, redarguindo aos fariseus que solicitaram fossem silenciados os estudantes trabalhadores da Boa Nova nascente.


Quando as conveniências asfixiaram o vero ideal do sacrifício e da abnegação, da renúncia e da caridade, as pedras das sepulturas puseram-se a clamar em altas, vozes, libertando os que eram considerados mortos e ali jaziam tidos por adormecidos em longo letargo.


Inutilmente os homens, ávidos e zelosos das suas paixões, tentaram silenciar novamente essas vozes, ceifando as vidas por cujas bocas falavam e, ao fazê-lo,

engrossavam mais a legião dos reveladores.


Nesse momento, quando a cultura começava a libertar o homem da ignorância, o prof. Rivail foi convocado ao exame das informações mediúnicas que adornavam os salões do mundo, mergulhando a alma de escol no infinito oceano das instruções espirituais, que abandonavam a frivolidade para tomar-se roteiro e guia para a Humanidade.


Com esse trabalho ímpar, surgiu o Espiritismo, ao ser apresentada a Era Nova em delineamento, conforme lhe fora revelada pelas "Vozes dos Céus".


Allan Kardec fez-se o mensageiro da Terceira grande revelação, aquela que abalaria os alicerces do mundo, exatamente quando as criaturas já se encontravam em condições intelectuais e emocionais de compreender a sua gloriosa destinação.


Armado com os instrumentos das pesquisas, mediante os quais reconhece a própria pequenez e se faz humilde, o homem pode, agora, comprovar a imortalidade da alma, elucidar os enigmas do micro, como do macrocosmo, preparando-se para os grandes saltos da evolução.


O Espiritismo veio para ficar. Sua meta é o homem e guiá-lo com segurança é o seu fanal.


Já não sobrevivem a ignorância, a superstição, o obscurantismo em domínio absoluto. Embora teimem em permanecer algumas trevas, as poderosas luzes do Mundo Espiritual vencem as masmorras sepulcrais e alcançam a Humanidade, prenunciando o ditoso dia nascente como bênção para o futuro.


Nenhum enigma para o pensamento resiste à presença da Doutrina Reveladora. Quem é o homem, donde vem, porque sofre, para onde vai, como seguir? — eis as antigas interrogações ora elucidadas pelo novo Espiritualismo com Jesus, cujas bases se assentam nas luminosas palavras do Evangelho em dimensão de eternidade, além do tempo e do espaço — o Espiritismo ou Terceira Revelação.




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