No Limiar do Infinito

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NO LIMIAR DO INFINITO

Deslumbrado ante o resultado das primeiras conquistas espaciais, o homem sonha com incursões mais avançadas e sua mente arde em fantasias, quanto às possibilidades de transladar a vida da Terra para esses ninhos estelares que fulguram em pujança de luz e estesia indescritível.


Não obstante, apenas se encontra no limiar do infinito das galáxias e dos universos que apenas dealba...


Retornando das suas viagens fantásticas, Marco Polo narrava aos seus contemporâneos às belezas orientais, do Pamir, do Japão, da China e das índias, enquanto a imaginação cobiçosa dos seus compares ambicionava apropriar-se de tão grandes riquezas...


Após a vitoriosa conquista da América, Colombo conduziu aos reis da Espanha espécimes animais e vegetais que fascinaram a mente aturdida de parte da Ibéria sonhadora...


Diogo Cão, tentando chegar à índia, aprisionou o orgulhoso chefe N’gola da costa ocidental áfricana e o apresentou ao rei de Portugal, provocando verdadeira sensação a epiderme negra do bravo filho de Angola...


Posteriormente, as viagens contínuas se encarregaram de desbravar o Mundo Novo, a princípio com os indesejáveis pela Civilização, que deveriam no desterro ou atraídos pela aventura, conquistar a terra selvagem e dela apropriar-se...


Dos primeiros nautas que buscavam os caminhos novos pelo mar aos irmãos Montgolfier, a Santos Dumont, aos modernos argonautas das viagens espaciais, vai um pego...


Recentemente, como a repetir façanhas transatas, retornando da luta, cinco séculos depois, os atuais astronautas conduziam à Terra, para os grandes laboratórios do mundo, amostras do minério que se encontrava na superfície do Satélite cinza...


Intrinsecamente, porém, o homem hodierno continua quase o mesmo.


Busca o infinito dos espaços, procura novos processos para fomentar o progresso e, todavia, destrói metódica, desesperadamente, o berço materno que é a Terra

generosa onde nasceu...


A tecnologia empurrou-o para fora, enquanto a ética não conseguiu trazê-lo para dentro de si mesmo.


A religião falou-lhe de um Deus exterior, poderoso, e, sem embargo, não pode imbuí-lo do Deus presente nele próprio.


A filosofia ensinou-o a decifrar porquês, inobstante, fracassou ao oferecer-lhe uma visão e atitude comportamentais que lhe dessem felicidade perante a vida...


Há abundância e miséria, em mixórdia de sorrisos e esgares.


Confundem-se os ideais da beleza com os surtos de barbárie, num esfuziar de alucinações...


Explodem as glórias nos laboratórios, a beleza nos santuários da arte, os heroísmos grandiosos nos campos de guerra, as largas expressões de humanismo nas Academias e a delinquência, a alienação nas ruas do mundo...


O medo campeia em toda parte e a juventude estroina arroja-se nos lôbregos sítios da vida tribal em espetáculos lamentáveis de despudor e fugas inúteis, para depois realizar a viagem de volta, estiolada, inecessariamente sofrida...


Vigem e lampejam esperanças renovadoras, acenando melhores dias, horas ditosas, que parecem tardar...


No báratro, porém, de todas as complexidades que aturdem o mundo nestes dias, Cristo se manifesta, chamando ao amor, à paz e à felicidade.


O Evangelho volta a fazer parte das atividades domésticas e lucilam suas lições como lâmpadas acesas na treva que antes se instalara nos lares, nas famílias, parecendo ali definitivas.


Os imortais põem-se de pé e volvem ao antigo convívio humano, instaurando a hora da era nova. Trazem os sinais que os caracterizam e produzem despertamentos, conduzindo os atestados da sobrevivência em várias formas, com que desatam os interesses que jaziam presos ao amalgama das paixões, induzindo a outros valores, os de natureza imperecível.


Nautas da sobrevivência, eles retornam aos velhos portos da carne trazendo o testemunho das terras novas, enquanto fremem as imaginações dos homens e algumas entretecem envoltórios fantasistas para revestir as revelações, tentando desviar-lhes o significado.


A contínua caravana dos que retornam apesar da teimosa rebeldia dos civilizados agarrados ao prazer, termina por conseguir conclamá-los a adentrar-se além do pórtico em que se demoram nas questões espirituais, passando a integrar os centros dos seus interesses legítimos.


Nesse sentido, a Doutrina Espírita logra realizar o ministério para o qual se destina: conduzir o homem, recristianizando-o, aos penetrais do Mundo Maior.


As páginas que se irão ler visam oferecer paisagens espirituais que preparam a mente para o amanhã, conforme as lições de Jesus Cristo e os nobres esclarecimentos dos Benfeitores Espirituais exarados por Allan Kardec, na Codificação Espírita.


São reflexões e estudos, observações e conotações, realizados por nós mesmos, no desejo de participar desse arrojado trabalho que se encontra no limiar do infinito da vida espiritual — nosso berço e porto — intercalada pelos revestimentos da cápsula carnal, nas sucessivas reencarnações.


Reconhecemos o pouco valor do contributo que nos animamos a doar aos interessados nos estudos espiritistas, entretanto, no desatavio em que aparece, faz lembrar a parábola do "grão de mostarda", que na sua insignificância serviu de motivação à nobre palavra do Cristo.


Bahia, 07 de junho de 1976


Joanna de Ângelis Salvador


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