Garimpo de Amor

Versão para cópia
CAPÍTULO 30

Amor e felicidade

O amor é um privilégio que deve ser conseguido com esforço e dedicação.


Para onde se dirija o olhar percuciente e a atenção se fixe, perceberão a presença do amor, mesmo que sem denominação convencional.


O amor esplende em a Natureza, convidando à reflexão e ao trabalho como recursos preciosos de elevação e de felicidade.


Os percalços existenciais, os desafios e sofrimentos são consequências do não-amor, que geraram, no passado da criatura em processo de evolução, esses efeitos perturbadores, por meio dos quais se pode recuperar, volvendo ao equilíbrio e dando prosseguimento aos compromissos dignificadores.


Quem ama estua de felicidade, porque se encontra pleno de ternura e de compaixão, de fraternidade e de perdão.


Não espera fruir de imediato quaisquer resultados, apenas se coloca em posição de oferecer e de ajudar os outros no seu desempenho moral.


Enquanto se espera receber, trabalhando o programa evolutivo na base do auxílio que deve proceder de outrem, permanece-se em infância psicológica, em dependência lamentável.


Um coração rico de alegria de viver e uma estação mental que irradia beleza e paz, são as mais elevadas expressões do amor embutido no ser que se autoconquistou e expande-se na direção das demais criaturas.


O amor é um privilégio que deve ser conseguido com esforço e dedicação, porquanto a sua é uma resposta de incomparável bem-estar e de satisfação íntima incomum.


Somente pode entender-lhe todo o poder e sentir-lhe toda a grandeza aquele que se permitiu impregnar pela sua essência.


As pessoas lutam pela aquisição de coisas, pelas projeções sociais, pelo poder temporal, pela beleza física, pelas situações invejáveis, pensando que encontrarão a felicidade nesse ufanismo hedonista, para logo despertarem vazias de sentimentos, tediosas e amarguradas, solitárias e sofridas.


Os valores realmente positivos são aqueles que não pesam nem ocupam espaços materiais, mas que se restringem às dimensões emocionais livres de posse e de paixão.


São eles que trabalham em favor da felicidade real do indivíduo, porque nunca se perdem, jamais são roubados ou sofrem envelhecimento. Sempre atuais, são grandiosos, porque iluminam a vida.


Indague-se às pessoas que usam os favores existenciais, os que desfrutam dos bens terrenos, da alucinação do sexo, que têm atendidos os desejos de todo tipo, se estão felizes, e responderão que se encontram cansadas, entediadas, ansiosas por novas formas de prazeres.


O jogo dos interesses imediatistas que trabalham em favor do egoísmo e da vaidade, somente oferece desencanto, porque conduz a novas formulações de ansiedade e de desespero.


Quem nada tem atormenta-se pela falta, encarcerando-se na ambição da posse.


Quem muito tem inquieta-se pela abundância, aprisionando-se no medo da perda dos haveres. Outrossim, aflige-se para atingir o topo entre aqueles que lhe compartem as posições da fortuna, destacados nas revistas especializadas e invejados pela sociedade sofredora.


São os felizes na aparência e infelizes na realidade.


Se alguns tivessem coragem trocariam a situação de quase-miséria pela conquista da paz, amando. No entanto, preferem a amargura da situação desditosa, ambicionando o que talvez nunca venham a possuir.


Os outros, aqueles que possuem muito, se tivessem valor moral e força espiritual, permutariam, conforme às vezes pensam, a abundância vazia pela lealdade do amor de alguém, da confiança irrestrita em outrem, do apoio emocional em algum coração desinteressado dos seus tesouros.


Só o amor consegue milagres desta natureza: enriquecer o pobre de dinheiro com alegria de viver e empobrecer o rico de moedas, tornando-o feliz com a paz de ser livre da prisão tormentosa.


Certamente essa é uma tarefa muito difícil de ser realizada, especialmente tendo-se em vista a cultura do poder terreno, da apresentação bemcuidada de fora, das possibilidades de mando e de destaque que tanto deslumbram e desequilibram. Mas não é impossível, porque não são poucos também aqueles que renunciaram a tudo ter, a fim de cada qual tornar-se uma pessoa integral.


Quando Francisco de Assis saiu a pregar a humildade, a renúncia, o amor, foram muitos os nobres, os ricos, os poderosos que abandonaram tudo e se lhe renderam emocionados, seguindo-lhe as pegadas por dedicação a Jesus e ao Seu Evangelho.


Clara, fascinada pelo verbo cândido do Pobrezinho de Assis, deixou o mundo de mentiras onde vivia e partiu na sua direção, pouco antes do matrimônio com um rico negociante, para vincular-se à Dama pobreza.


Outros há, como Léon Tolstoi, que abdicou da fortuna para dar oportunidade aos seus irmãos camponeses que estorcegavam na miséria.


Luísa de Marillac, igualmente comovida com os exemplos de São Vicente de Paulo, libertou-se da abundância, para poder melhor servir a miséria, tocada profundamente pela palavra do apóstolo que apresentava Jesus nos seus atos.


Ainda hoje há muitos indivíduos que compreendem ser a felicidade algo conquistável por meio do amor e empenham-se pelo entregar-se-lhe totalmente.


Conveniente não confundir prazer e felicidade, gozo e plenitude.


Há prazeres saudáveis e singelos que abrem espaços para os gozos espirituais, pórtico de entrada da futura plenitude que se experimentará.


Os pequenos prazeres que não afadigam, que não perturbam, que somente propiciam bem-estar a quem os busca, como também aos outros, são os sinais da posterior felicidade que tomará conta do ser em caráter de totalidade.


Tudo, porém, sob a égide do amor.




Acima, está sendo listado apenas o item do capítulo 30.
Para visualizar o capítulo 30 completo, clique no botão abaixo:

Ver 30 Capítulo Completo
Este texto está incorreto?