Garimpo de Amor

Versão para cópia
CAPÍTULO 27

Amor e educação

Educa-se para o amor, como dever inalienável para uma vida feliz.


A tradição egoística, que ainda permanece em muitos quadros da educação familial, transformou o amor em um recurso utilitarista, isto é, somente oferecê-lo quando se puder recebê-lo de volta ampliado e compensador. Na maioria das vezes, por meio desse comportamento, arma-se o educando com desamor, a fim de que não seja explorado, não se transforme em um ingênuo, acreditando-se que o seu sentimento não poderá modificar as demais pessoas nem o mundo. Com essa ultrapassada conceituação, propõe-se a indiferença em relação ao próximo, que deve ser explorado, considerado descartável, de maneira a não lhe ser vítima, conforme assevera-se, prejudicialmente, tem sempre acontecido.


Em consequência, a generosidade, a pouco e pouco, desaparece-lhe do convívio social desde a infância, quando se cultivam as tendências comodistas, personalistas, em detrimento da solidariedade, dos interesses recíprocos que devem constituir a saudável comunhão social.


Nesse tipo de cultura os relacionamentos são baseados no lucro, naquilo de que cada um se pode beneficiar, na exploração do outro, embora as legislações de muitos países e incontáveis partidários dos direitos humanos digam-se vinculados à não exploração do homem pelo homem. Essa exploração, é claro, não se encontra adstrita apenas ao trabalho convencional, mas também a qualquer maneira de depauperamento do outro a benefício pessoal, ao uso indevido dos recursos e valores alheios, ao benefício das afeições com objetivos interesseiros...


O amor adquire, então, a conotação infeliz de intercurso sexual destituído de compromisso e de responsabilidade, no qual, o outro, o parceiro que se afeiçoa, quando abandonado, o que sempre acontece, passa a experimentar dilaceração emocional.


Utilizado, mas não estimado ou ao menos valorizado, dele alguém se livra com indiferença, seguindo adiante até tornar-se vítima dos próprios atos, quando é, por sua vez, desprezado também.


A sociedade é o que dela fazem os seus membros. Quando se cultivam respeito e dignidade, compreensão e solidariedade, temo-la feliz; no entanto, quando se lhe aplicam o relho e a soberba, a falsa superioridade e o despotismo, ei-la desditosa e anárquica.


O que se lhe semeia, facilmente medra e produz, assinalando-a de maneira irrefragável.


Uma cultura utilitarista é profundamente infeliz, porque ninguém pode viver sem o concurso de outrem, sem a participação do companheirismo que o dinheiro ou o poder jamais podem conquistar. Pessoas compradas não têm nenhum significado emocional, pois que são trêfegas e traiçoeiras, mudando de situação e parceria conforme o prêmio que lhes é oferecido.


Somente o sentimento de amor possui o milagre de poder plenificar, porquanto, independendo de preço, de condição, possui o vigor da generosidade que enriquece o coração e refaz a lucidez do Espírito. Isso porque o amor procede de dentro, do âmago do ser, onde tem a sua origem divina, em razão da sua causalidade.


O amor é sempre generoso, possuidor das fortunas da bondade, do carinho, da compreensão, da compaixão que nele predominam, antídoto eficaz para a crueldade, a ignorância, o egoísmo, esses adversários cruéis da criatura humana.


Nos lares onde o amor escasseia, os sentimentos são controvertidos e a família se apresenta dissociada dos vínculos de união, cada um trabalhando para vencer na luta e superar o outro.


O grupo familial torna-se acidente biológico, em cujo curso os pais se desincumbem do dever, que nem sempre se lhes apresenta como agradável, que é o de atender a prole e dela libertar-se quanto antes, a fim de viverem os prazeres que se reservam, considerando o tempo perdido que aplicaram, dizem, na assistência aos filhos.


Assistência, sim, porque nem sequer houve preocupação de amá-los, de educá-los, de prepará-los para a existência, instrumentalizando-os com os incomparáveis bens do Espírito: amor, respeito ao próximo, abnegação, compaixão.


Áridos emocionalmente, tornam-se insensíveis em relação às demais criaturas, pouco importando-se quando as ocorrências inevitáveis do curso existencial alcançam aqueles que os geraram, aos quais decretam solidão, oferecendo assistência remunerada a distância, quando o fazem, nunca porém doando-lhes afeto, pois que jamais o receberam.


O resultado nefasto dessa conduta não para aí, porquanto, por sua vez, tornam-se também genitores desapiedados, mal-humorados, que reclamam de tudo quanto concedem no lar, considerando não haver possibilidade de próxima ou de remota retribuição, o que os aflige no seu desenfreado egotismo.


Esse comportamento espúrio que viceja em muitos setores da atualidade é responsável pela miséria moral, geradora daquelas de natureza social, econômica, emocional, estimuladora da agressividade e da violência, do ódio urbano e das paixões desabridas.


Entre as pessoas que possuem cultura, torna-se mais perversa essa conduta, porque ninguém pode ignorar os benefícios do amor que se recusa a dar e até mesmo a receber quando lhe é direcionado, em razão da sua filosofia pessimista.


Nas classes menos afortunadas socioeconomicamente, o drama é mais doloroso, porque a ignorância que as insensibiliza é transferida para os descendentes em forma de ódio contra a sociedade, na qual respiram com dificuldade, estimulando a tomada pela força de tudo quanto lhes é negado pelo direito de cidadania e de humanidade.


O amor, no entanto, quando medra e é estimulado a desenvolver-se, amplia-se em generosidade que multiplica recursos, colocando-os à disposição de todos, com o que se alegram e se compensam afetivamente, dando surgimento à justiça social e ao trabalho edificante que os unem em clima de progresso.


O amor sempre avança na direção de outrem, iluminando-o, se jaz em sombras, ou fundindo a sua na luz que defronta, aumentando-a, desse modo, sem qualquer esforço.


O amor faz parte do programa de educação no lar e da grade escolar, orientando os impulsos que se devem transformar em sentimentos, os instintos que evoluirão para emoções, a aprendizagem que se encarregará de criar atos de afabilidade e de doçura, de reto dever em relação aos demais, produzindo bênçãos para aquele que assim se comporta.


Educam-se comportamentos, costumes e necessidades, que se fazem um compêndio de boas maneiras com as quais se pode transitar equilibradamente nos diferentes setores e períodos da existência terrena.


Da mesma forma, educa-se para o amor como dever inalienável para uma vida feliz, permanecendo-lhe receptivo à manifestação que se expande ou à sua captação quando lhe é direcionado.


O hábito de amar é adquirido no lar, ampliando-se na escola, aplicandose na vida social que se encontra na família, na convivência entre colegas, no comportamento fora dos limites domésticos e dos estabelecimentos de ensino.


Essa educação, porém, não deve ser formal, aquela que apenas transmite conhecimentos, mas sim a que se reveste de valores morais, que são de caráter imperecível, conforme a própria vida.


Onde há amor a vida se multiplica ditosa, a produtividade do bem é imbatível, a alegria é insuperável.




Acima, está sendo listado apenas o item do capítulo 27.
Para visualizar o capítulo 27 completo, clique no botão abaixo:

Ver 27 Capítulo Completo
Este texto está incorreto?