Garimpo de Amor

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CAPÍTULO 19

Amor e conflitos

O amor é o único tônico de sustentação da vida e lenificador para as mágoas e aborrecimentos.


Quem racionaliza demais o amor e dispara as aspirações como flechas para que o alcancem, perde-lhe o contacto, o benefício que o mesmo exterioriza.


É necessário deixar à margem o receio de ser amado e abrir-se para o amor dos outros. Não poucas vezes, os conflitos de inferioridade, de narcisismo, de superioridade fecham o indivíduo no seu círculo esmagador, impedindo-o de expandir-se, de tornar-se receptivo ao amor que vem da Vida e àquele que procede das demais criaturas.


Na ânsia de amar, é dispensável atirar-se com sofreguidão no intento, como se fosse algo material que se consegue quando se persegue. Pensa-se que o amor se encontra sempre à frente, esperando, necessitado de ser encontrado.


Pode ser exatamente o contrário: o amor está atrás do indivíduo, tentando alcançá-lo enquanto ele corre a buscá-lo noutra direção. Para que isso se torne viável, basta estar aberto, receptivo e quando o sentir, deixar que se aposse por inteiro.


A sofreguidão por amar, de tal forma inquieta que se torna um tormento, em vez de transformar-se num deleite, numa realização plenificadora.


De outras vezes, é o medo de ser amado, por não saber como comportarse, retribuindo o que recebe, assumindo postura compatível; silencia-se e mergulha-se em angústia...


Qualquer raciocínio em torno de como receber o amor torna a receptividade perturbada, porque é tão espontâneo o sentimento, o estado em que permanece, que nenhuma planificação pode estabelecer o melhor método de resposta, que sempre se dá sem regra adrede estabelecida.


Amado, não se tenha o cuidado de retribuir, deixando-se felicitar, e se estará demonstrando como lhe faz bem e quanto é reconhecido à fonte de onde promana a mensagem amorosa.


A retribuição pode parecer pagamento, mediante o qual anula o valor da doação, ficando, portanto, quite em relação ao outro.


O amor assim transforma-se em um negócio, em um devolvo-te conforme me ofereces, alterando completamente o seu feliz objetivo.


Em situação análoga, se a pessoa acredita que não merece ser amada, então o conflito diante do que recebe faz que se atormente, subestimandose e não se sentindo bem quando visitada pela bênção do amor.


Ninguém há, no mundo, que não seja merecedor de amar e de ser amado.


Todos se encontram em um Universo que nasceu do amor de Deus e dele está repleto, aguardando somente que cada qual o absorva na medida das suas possibilidades.


Em razão disso, o amor é infinito, nunca se desgasta, nem desaparece, suprindo de vida a tudo e a todos.


O amor é como uma música sublime que penetra a alma e produz melodia inimaginável; como o oxigênio que se absorve para manter a vida e é eliminado em forma de gás carbônico sem qualquer esforço consciente. Alimenta, no entanto, e é necessário exteriorizá-lo, a fim de renovar-se na sua estrutura básica.


São muitos os conflitos que aturdem o indivíduo ante o amor.


Há aqueles que têm medo de amar, recordando-se dos sofrimentos que experimentou em outros tentames, que certamente não expressavam o amor real, mas sim os interesses, alguns talvez inconfessáveis, mediante os quais refugiava-se no seu nome.


Quando se ama, diluem-se os fantasmas do passado e não se corporificam os receios a respeito do futuro.


Ninguém pode passar pela existência terrena sem experimentar a presença do amor, rápida ou duradoura, dependendo do próprio comportamento.


Por mais que se haja sofrido no trânsito existencial, o amor é o único tônico de sustentação da vida e lenificador para as mágoas e aborrecimentos.


Quando morre um dos nubentes, aquele que fica tem a impressão que nunca mais será capaz de amar a outrem. Nada obstante, à medida que o tempo transcorre, encontra novo coração a quem se afeiçoa e com quem se consorcia, voltando à alegria de viver. É lógico que não se trata de uma traição à memória de quem desencarnou ou de esquecimento. Sucede que cada amor é uma expressão própria, cada convivência oferece um tipo de lição, cada ocorrência possui um significado específico.

Também, quando desencarna um outro ser querido, filho, genitor, irmão, amigo, a nuvem de melancolia que envolve aqueles que ficam na Terra deixa resíduos de amargura através do tempo, que o amor se encarrega de desfazer, direcionando-se a outras criaturas que se tornam igualmente importantes, até mesmo quando ignorando o significado que passaram a ter em benefício de quem se encontrava em desalento.


Assim são os milagres do amor. Quanto mais se ama, maior facilidade adquire-se para amar, mais amplo se faz o campo de expansão dos sentimentos de ternura, de compaixão, de fraternidade, de caridade.


O amor é luz da vida, que não pode ficar emboscado ou guardado sob o alqueire, mas colocado no velador para iluminar tudo.


Ninguém há, no mundo, que possa impedir o amor de realizar o seu sublime ministério, proibindo-lhe o avanço, obstaculizando-lhe a marcha, caçando-o no território em que se encontra.


Os ditadores implacáveis, os justiceiros mercenários, os criminosos rudes, os impiedosos tentaram em todos os tempos demonstrar o poder de que supunham dispor, perseguindo os fracos e oprimindo-os, exterminando os que amavam e se deixavam consumir nas chamas vorazes que lhes ateavam, ou se permitiam decapitar, crucificar, morrer nos campos de extermínio. No entanto, à semelhança da relva gentil que renasce assim que chega a primavera, ressurgiam em toda parte, superando-os e cantando as glórias imperecíveis da sua realidade.


Desse modo, ninguém extingue o amor. Pode-se proibir-lhe a divulgação em palavras, em demonstrações ruidosas, nunca porém anular-lhe os efeitos na emoção.


O amor, no entanto, necessita de estímulos, de combustível para permanecer vigoroso, tais a oração, a meditação, os pensamentos saudáveis, as leituras edificantes, a elevação moral, haurindo energias nos páramos de onde procede.


Reserva-te alguns minutos para escutar uma música repousante, refazente, renovadora.


Pensa na sua mensagem delicada e penetrante, no poder de que se reveste, a fim de arrancar o indivíduo da melancolia e alçá-lo à alegria, ao bemestar.


Contempla a paisagem silenciosa e inunda-te do seu colorido impressionante no matizado de luz colorida e de sombras delicadas.


Alimenta um pássaro, um animal, planta uma árvore e acompanha-lhe o desenvolvimento, não te importando, se não conseguires colher-lhe os frutos, que alguém receberá graças à tua dedicação e ao teu amor.


Assim é o amor, indefinível, mas expressável.




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