Garimpo de Amor

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CAPÍTULO 13

Amor e família

O amor na família constrói a sociedade do mundo.


O amor é a mais sublime manifestação do pensamento de Deus, portanto de origem divina, que deve ser preservado com alegria e distribuído com exuberância, graças à sua potencialidade ilimitada.


Procedente do Genitor por Excelência, torna-se uma forma de ação emocional que se transforma em energia a ser concedida a todos quantos se encontram próximos da sua fonte de exteriorização.


Não é apenas um sentimento que sofre as injunções da emotividade, alterando-se conforme as ocorrências do dar e receber, do doar e não ser aceito, do oferecer sem retribuição.


Deve transformar-se em uma atividade viva e pulsante, capaz de expressar-se conforme a situação em que se apresente: paternal, fraternal, conjugal, social, geral, abrangente e infinito.

Para que atinja esses diferentes níveis, torna-se essencial que se dirija a Deus, de tal forma que inunde a alma de alegria, a fim de poder manifestar se nas diversas modalidades a que se destina.


Com o amor a Deus vicejando nas emoções e traduzindo-se em ações do bem, a família passa a constituir o núcleo de maior necessidade da sua vigência, tomando as formas de conjugal, filial, paternal, maternal... Os pais, em consequência, são convidados a vivenciá-lo em todos os instantes, não somente em relação aos filhos, a fim de que se conscientizem da profundidade de que se reveste, mas também para que possam fruir os benefícios que proporciona, como segurança, equilíbrio, confiança e entrega.


No mesmo sentido, esse amor não deve privilegiar os filhos gentis e generosos, em detrimento daqueles que são difíceis e atormentados, ou que apresentam quaisquer distúrbios de comportamento, assim podendo desmerecer a afetividade.


Se o genitor, contrariado com a atitude rebelde do filho, desconsidera-o, poderá criar insegurança nos outros, que passarão a pensar que somente serão amados enquanto agradarem, submeterem-se às determinações domésticas e cooperarem em favor da harmonia no lar.


Os comentários ácidos a respeito desses descendentes geradores de atritos não podem ser abordados com aspereza, não só porque mais aumenta a distância deles em relação aos pais, como também abre brechas de ressentimentos desnecessários.


Por outro lado, essa atitude demonstra que esse tipo de amor é retributivo, homenageando quem o devolve, censurando quem o não aceita e condenando quem o rechaça...


Afinal, é esse filho ingrato e incapaz de entender o alto significado da família, da doação dos pais, que nunca devem alegar o que fazem ou trazer à consideração os esforços e empenhos que lhe têm sido direcionados, evitando a impressão de que está havendo uma cobrança, tornando-se uma dívida a ser resgatada na primeira oportunidade...


O próprio amor gera um sentimento de compreensão naquele que se vê enriquecido pela sua presença, explícita ou não, invisível mas percebida, sem qualquer imposição verbal ou exigência comportamental.


Naturalmente, quem doa amor, inconscientemente que seja, aspira à sua vigência no mundo, especialmente na família.


Desabituado a esse sublime investimento, o ser humano, que procede dos instintos primários e automatistas, somente a pouco e pouco se impregna do seu valor especial, passando a compreender a profundidade do ato de amar.


No começo, é algo egoísta, permanecendo na consanguinidade, ampliando-se em outros relacionamentos afetivos até alcançar o patamar da comunidade, que nem sequer tem conhecimento do seu benefício.


Como treinamento para melhor fixação no imo da alma, a convivência, o diálogo positivo, a participação nas atividades dos filhos, o interesse pelos seus estudos, sem exigências de bons resultados, pelos seus ideais humanitários, desportivos ou de outra natureza, transformando-se em vínculo de segurança e de estreitamento das relações saudáveis e enriquecedoras do clã.


Vivenciada essa experiência, alastra-se para o meio social, irrigando de coragem e bem-estar todos quantos participam da convivência desse indivíduo afável, os quais passam também a assumir comportamento equivalente e produtivo.


Tal atitude não significa anuir com os desmandos e desequilíbrios que, não poucas vezes, irrompem nas famílias, gerando tumulto e crises existenciais.


Uma atitude enérgica, educativa, não implica uma postura agressiva, mesclada de violência.


O amor estabelece parâmetros de respeito e de consideração que devem ser vivenciados, facultando, ao mesmo tempo, ordem e disciplina no aconchego da família.


Quando esse amor é vitalizado pelos exemplos de paciência e de amizade, impede a virulência da rebeldia e da tensão doméstica.


Por sua vez, os filhos são convidados ao amor fraternal, convivendo uns com os outros em clima de concórdia e de afeto, ajudando-se reciprocamente e amparando-se quando necessário, sem acusações nem desculpas quando as ocorrências não sejam corretas.


O amor na família constrói a sociedade do mundo.


Provavelmente alguns membros do grupo familiar não consigam alcançar a estrutura afetiva necessária, permanecendo em infância psicológica, geradora de insegurança e de mal-estar, descambando para os vícios e as dissensões. Tal ocorrência, porém, resulta da situação do Espírito ali reencarnado, em si mesmo necessitado de mais amparo, em face dos seus compromissos perturbadores com a retaguarda evolutiva de onde procede sob injunções penosas.


Muitas famílias são redutos de batalha, onde se reencontram adversários de renhidas lutas fratricidas do ontem, em tentativa de recomposição e restabelecimento de vínculos afetivos. Em razão disso, maior deverá ser o investimento do amor que não ceda às provocações nem aos desatinos dos seus membros.


Por outro lado, a verdadeira união dos cônjuges, que saberão renunciar aos caprichos egoístas, a fim de não perturbarem a prole, representará o maior investimento para o sucesso familiar.


Costuma-se dizer, na atualidade, em uniões que foram duradouras, que o amor não existe mais e por isso a separação apresenta-se como inevitável.


Será o caso, então, de recomeçar-se o amor, desconsiderando os sentimentos feridos e magoados, descobrindo novas fontes de inspiração, particularmente havendo uma prole para cuidar.


... E quando ocorrer que a situação se apresente quase insustentável, há um recurso de que o amor nunca pode prescindir, que é a oração, igualmente possuidora de energia divina, porque reaproxima a criatura do Criador e permite que o Criador se comunique com o orante.


Quem ama, ora, e quem perdeu o contato com o amor, mais necessidade tem da oração, a fim de reatar os laços consigo mesmo, com o seu próximo e com Deus.




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