Messe de Amor

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CAPÍTULO 37

EXAMINA E PROSSEGUE

Recordas com tristeza a deserção dos companheiros mais afeiçoados, aos propósitos de bem servir.


Viste a falência de idealistas arrebatados, quando o testemunho lhes exigia oração e jejum moral.


Acompanhaste com inquietação o recuo de amigos que lutavam nas primeiras linhas de combate.


Choraste, amargurado, ante a reação negativa daqueles em quem mais confiavas.


Ouviste a voz da cólera na boca da revolta, quando servidores calmos se desordenaram ante as injunções do serviço.


Esperaste sem êxito, que os cooperadores afastados retornassem às atividades edificantes, onde serves ao Divino Servidor.


Ante as decepções sofridas e as rudes provações dizes-te cansado. Enxergas sombras onde antes brilhava a luz, pessimismo no lugar em que se demorava a esperança, aflição punitiva na alma que sofria em renovação, e sentes a falta de forças para continuar.


Tudo parece conspirar contra os teus elevados compromissos: incompreensão de uns, dificuldades com outros, abandono e solidão.


No entanto, é inadiável a tua necessidade de prosseguir.


A fé se transformou num alimento de que não podes prescindir.


Todos os teus planos de felicidade nasceram com ela no teu coração.


Escuta a própria consciência e compreenderás quanto te significa.


Faze o que estiver ao alcance e faze sempre o melhor.


A hora que se apresenta sombria é oportunidade de acender luz na lâmpada que se vai apagando em muitas mentes, antes clareadas pela chama da esperança.


Busca o entusiasmo, e a alegria te vestirá novamente com o alento.


O lar não te parecerá penitenciária punitiva, mas escola onde aprendes a servir; os companheiros deixarão de ser desertores para se transformarem em enfermos, aguardando compaixão e medicamento; os perseguidores já não se apresentarão na condição de algozes, antes parecerão atormentados em mãos cruéis a zurzirem e inquietarem os outros; os escassos recursos parecerão suficientes, porque descobrirás os tesouros ocultos nos dotes do espírito...


Desse modo, mesmo que a maioria escolha outra linha de conduta, na escola de fé a que filiaste o espírito, não há porque desanimar.


No momento justo, todos devolverão os haveres que receberam com o uso que fizeram.


O minuto que soa no clímax dos teus desenganos pode ser também o instante que precede à transição da tua alma, como imposição natural que a vida exige aos fugitivos e postulantes da verdade. E. além da morte, tudo o que fizeste, vencendo pessimismo e luto, dores e angústias, por teres perseverado fiel, ser-te-á o lenitivo para a saudade, a segurança feliz e a paz vitoriosa.


Examina e prossegue, pois, sob a inspiração do bem, enquanto são fortes as tuas forças, para que ao anoitecer dos dias, na velhice, descortines o caminho ensolarado.


Lembra que o Excelente Filho de Deus, sem erro nem crime, após a sementeira do bem imperecível entre infelizes e sofredores, viu os amigos queridos desertarem, atemorizados, e experimentou injúrias e maldições, aceitando, por amor, vinagre e fel, para tornar-se depois de "morto", um sublime clarão para todos, apontando a rota da glorificação, ao alcance da Humanidade inteira.




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