Psicologia da Gratidão

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CAPÍTULO 3

2 O MILAGRE DA GRATIDÃO

Os sentimentos inferiores, herança perversa do trânsito evolutivo quando no período assinalado somente pelo instinto dominador, constituem presídios sem grades que limitam a movimentação emocional e espiritual do ser, constrangendo o processo iluminativo e gerando sofrimentos.


São responsáveis pelo ressentimento, pela raiva, pelo ciúme que se transformam em conflitos graves no comportamento humano.


Esse ego primitivo tem por obrigação consciente eleger o bem-estar e a saúde como diretrizes que lhe facultem harmonia, ensejando a identificação com as aspirações do Self em estágio superior de apercebimento da finalidade existencial.


Permanecendo na condição de sombra morbosa, dá lugar à instalação de emoções igualmente primárias, que a razão bem-direcionada deverá superar.


Ressumando com frequência do inconsciente pessoal, afastam o paciente do saudável convívio social, fazendo que os seus relacionamentos domésticos sejam desagradáveis, de agressividade ou de indiferença, de distanciamento ou de introspecção rancorosa.


O ser humano, graças à conquista da consciência, está destinado à individuação que alcançará mediante a perfeita fusão do eixo egol Self, à completude, na qual retornará à unidade que sofreu fissão durante o processo antropossociopsicológico da evolução através das sucessivas reencarnações.


Conforme Jung declarou, a individuação é o processo de diferenciação que tem como objetivo o desenvolvimento da personalidade individual e da consciência do ser único, indivisível e distinto da coletividade, quando o self atinge a culminância da sua realidade imortal...


Nesse sentido, todo o empenho para combater as imperfeições morais deve ser colocado a serviço do equilíbrio, da harmonia emocional e psíquica.


Em tal abordagem clínica, a gratidão desempenha uma função psicoterapêutica de suma importância pelo fato de entender as ocorrências do dia a dia, mesmo aquelas que possuem conteúdos perturbadores, não podendo interferir no comportamento equilibrado, que resulta da consciência de responsabilidade perante a vida.


O amadurecimento psicológico desperta a consciência para a sua realidade transcendental, superando os impositivos imediatos dos instintos e ampliando as percepções em torno dos valores existenciais.




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