Psicologia da Gratidão

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CAPÍTULO 13

11 Gratidão como caminho para a individuação

Toda a existência humana é uma jornada formosa que capacita o indivíduo para a conquista dos elevados objetivos psicológicos a que se propõe.


Uma vida sem significado psicológico é uma existência destituída de sentido e de busca.


Reduz-se ao amontoado de fenômenos fisiológicos, em que os automatismos funcionam com mais vigor do que os sentimentos e as expressões da razão, do discernimento, que, embora ainda adormecidos, surgem e desaparecem, não logrando ser aplicados pelo Self.


A predominância do ego é caracterizada pelos interesses mesquinhos, num estágio de consciência de sono, sem imediatos vislumbres da realidade.


Não havendo ideais relevantes, o sentido existencial é tímido, contentando-se com as satisfações orgânicas e os prazeres dos instintos, encarcerados nas sensações.


Faltando a capacidade da estesia e da estética, da emotividade superior, a sombra mantém-se vigilante e ativa, elegendo apenas aquilo que lhe basta, fazendo o ser humano transitar entre as alegrias sensoriais e os desencantos físicos.


Enquanto, porém, consegue manter os gozos, tudo segue bem e lhe é suficiente até o instante em que outros fenômenos inevitáveis, aqueles que atingem o corpo no processo degenerativo, tais como as enfermidades, os transtornos emocionais, as dificuldades sociais e a perda daquilo em que se compraz, transformam a caminhada terrestre num martírio, num verdadeiro sofrimento em que a revolta e a queixa se instalam perversamente.


A Lei de Progresso, já referida, encarrega-se de impulsionar o Espírito, mesmo quando negligente e irresponsável, a outras experiências que o despertem para o vir a ser.


O sofrimento de qualquer matiz é normalmente o instrumento de que a vida se utiliza para demonstrar ao inadvertido que a existência física não é uma viagem ao agradável exclusivamente, ao desfrutar dos contentamentos imediatos, sem nenhum respeito pelo esforço pessoal, pelas lutas e mesmo pelas reflexões afligentes que alteram a percepção da realidade.


Na claridade dos dias de júbilos, o discernimento ainda embrionário não consegue romper as algemas do primarismo para entender a necessidade do crescimento ético e da real conquista da saúde.


Esse trânsito do adormecimento para o despertar sempre se apresenta quando se é obrigado a caminhar pela noite escura da alma, conforme acentuava São João da Cruz, que a viveu demoradamente até conseguir a crucificação do ego e das suas paixões, morrendo em holocausto pessoal, para ressuscitar em madrugada de bênçãos e de conhecimentos da verdade, perfeitamente lúcido e feliz.


Quase sempre, porém, quando se é convidado a transitar por essa noite, aqueles que ainda não se adaptaram aos processos de mudança dos estágios inferiores, nos quais as necessidades são fisiológicas em predominância, para outros menos orgânicos e mais emocionais e psíquicos, em vez do esforço pelo conseguir, esse paciente rebela-se, entrega-se aos queixumes, transforma as experiências em rosário de lamentações, de infelicidade.


Nele permanece a criança maltratada, sempre ansiosa por apoio e carinho, negando-se ao crescimento psicológico, ao desenvolvimento dos valores espirituais que existem no seu interior assim como em todos os seres humanos.


O amadurecimento psicológico exige não raro muita aflição e cansaço da situação de comodidade que perde o encantamento, na razão direta em que é vivenciada, produzindo saturação emocional no gozador.


Certo genitor laborioso e dedicado ao dever tinha um filho que, ao contrário, era fútil, vivendo como parasita explorador do pai.


Aplicava o tempo nos gozos materiais e na consumpção das energias morais, mesmo que escassas.


O pai, maduro e sábio, sempre o advertia e lhe explicava que, pelo fenômeno natural da vida, seria o primeiro a morrer, e que os haveres, por mais abundantes, quando gastos sem renovação, tendiam para o desaparecimento, para a extinção.


Informava-o que os amigos que o cercavam não lhe tinham a menor estima, antes se interessavam pelos recursos de que dispunha e, quando esses escasseassem, também desapareceriam...


Os conselhos soavam como velha balada conhecida e recusada.


Oportunamente, o idoso trabalhador mandou construir nos fundos da propriedade um celeiro, colocando no seu interior uma forca, tendo fixada uma placa informativa com os seguintes dizeres: Eu jamais ouvi os conselhos do meu pai.


Posteriormente, quando tudo estava concluído, chamou o filho, levouo ao celeiro e explicou-lhe:

— Filho, encontro-me velho, cansado e enfermo.


Quando eu falecer, tudo que me pertence passará à sua propriedade.


Caso você fracasse, porque atirará fora todos os bens que lhe transfiro, peço-lhe que me prometa que usará esta forca, como medida de reparação do mal que nos fez a ambos.


O moço, sem entender exatamente o que o pai desejava dizer-lhe, silenciou, a fim de o não contrariar.


O genitor desencarnou tempos depois, e o jovem herdou-lhe os bens, passando a dissipá-los com mais extravagâncias e desperdícios.


Pouco tempo transcorrido, deu-se conta de que havia malbaratado todos os negócios e recursos, e estava reduzido à miséria, à solidão, até mesmo porque os falsos amigos abandonaram-no.


Recordou-se do pai e chorou copiosamente.


No pranto, recordou-se da promessa que lhe fizera, de que se enforcaria após o fracasso.


Trêmulo de emoção desordenada, dirigiu-se ao celeiro e lá encontrou a forca assim como os dizeres terríveis.


Teve uma iluminação, concluindo que essa seria a única vez na sua existência em que poderia agradar ao homem nobre que fora seu pai e sempre vivera decepcionado com a sua conduta.


Subiu então na forca, colocou o laço no pescoço e atirou-se ao ar...


O braço da engenhoca era oco e partiu-se, caindo dele diversas joias: diamantes, rubis, esmeraldas, uma verdadeira fortuna com um bilhete, que informava: Esta é a sua segunda chance.


Eu o amo de verdade. Seu pai...


A partir dali a sua vida tomou novo rumo e ele mudou completamente a maneira de encarar a oportunidade.


Quando a existência é vá e inútil, sempre surge uma segunda chance, mas o melhor será que cada um cresça com o esforço pessoal e saiba aproveitar o processo de amadurecimento, a fim de que não se veja forçado à mudança após situações desesperadoras.


E inevitável o amadurecimento psicológico do ser humano, mesmo quando se imponha impedimentos momentâneos.


O filho, como é compreensível, poderia ter evitado o período de sofrimento e de amargura, caso houvesse atendido ao pai, agradecido a tudo quanto recebia sem crédito ou mérito e atirava ao desprezo.


Se houvesse cultivado o mínimo de gratidão, compreenderia que o esforço do genitor, cansado e sempre trabalhador, merecia pelo menos respeito de sua parte.


A gratidão pode expressar-se como respeito e consideração pelo que os outros fazem, oferecem e a que se dedicam de enobrecedor.


A sua ausência dá lugar a um tipo de cupim emocional que devora interiormente o ser, qual ocorre com aquele inseto de vida social que se nutre da planta viva ou morta, alimentando-se com voracidade, enquanto a consome.


Experiências visionárias

No processo da aplicação da imaginação ativa existe um período ou fase em que o indivíduo que aspira à individuação, havendo atingido um maior grau de interpretação das experiências e vivências não fruídas, após desfrutá-las, pode avançar com mais coragem e aguardar que se deem as experiências visionárias.


A vivência dessas vidas não vividas consegue proporcionar uma ressignificação à existência terrena, eliminando do inconsciente as frustrações e inseguranças defluentes do não as haver experiênciado, nem sequer pela imaginação criativa.


As experiências visionárias acontecem em duas etapas: a primeira, quando o aprendiz se encontra preparado, conforme a tradição esotérica, o mestre aparece; a segunda, quando fenômenos paranormais ocorrem, chamando-lhe a atenção para outra dimensão da vida que não é exclusiva da jornada material.


Em ambos os casos é certo que os mais notáveis psicólogos informam que podem tratar-se de delírio do inconsciente ou de fantasias místicas.


Nada obstante, são reais, demonstrando a indestrutibilidade do Espírito, expressando-se como o Self.


Certamente existem aquelas que têm caráter psicopatológico, englobadas como fenômenos mediúnicos de obsessão, e aqueloutras portadoras de iluminação para o sensitivo que se torna instrumento do mundo além da matéria, demonstrando que o significado da vida prossegue mesmo após o túmulo, onde não é consumida.


Na visão unilateral materialista da Psicologia, Deus - como figura mitológica ou transferência neurótica do pai fisiológico para o transcendental - utilizou-se de muitas representações humanas para encarnar a Sua criação, como é o caso da escada de Jacó no estado onírico, que a construiu para servir de acesso ao Céu e de descida na direção da Terra.


Assim sendo, o inconsciente coletivo da humanidade construiria essa escada em forma de visões humanas, atendendo assim à necessidade de entendimento dos mistérios da própria vida.

Sem nenhuma dúvida, ocorrem fenômenos dessa ordem, que são catalogados como de natureza anímica, por procederem do próprio sensitivo, outros, no entanto, transcendem-lhe a psique e revelam-se procedentes de outra dimensão, como nos casos da psicografia com duas mãos, das correspondências cruzadas, do profetismo, da xenoglossia ou faculdade de comunicar-se em idioma totalmente desconhecido do paciente, incluindo línguas mortas e até extintas -, tanto quanto nas formidandas manifestações ectoplásmicas ou de materializações...


São portadoras de uma finalidade significativa que é despertar o ser humano para a sua imortalidade, para os deveres com a própria iluminação, para a aquisição da saúde integral, para a excelsa gratidão pela honra de viver no corpo e poder libertar-se dele, prosseguindo vivo.


Normalmente produzem grandes mudanças no comportamento para melhor, por libertar inicialmente o paciente de constrições espirituais danosas, como no caso dos transtornos obsessivos, da culpa, em razão de se pacificar com aquele a quem afligiu ou infelicitou em experiência anterior, facultando-lhe alegria de viver, após superar o fantasma da morte como aniquilamento da vida.


Essas experiências mediúnicas sucedem-se com a vontade ou não daquele que lhe é instrumento desde a infância ou surgem nos mais diferentes períodos da existência física.


Podem ter início durante um processo de enfermidade, tanto quanto em plena fase de saúde e de total harmonia psicofísica.


Dilatando a percepção psíquica constitui um sexto sentido conforme a definição abalizada do prof.


Charles Richet, que se dedicou a estudá-las por mais de quarenta anos...


Irrompem às vezes suavemente, como delicada brisa emocional, ou se apresentam como tempestades que causam preocupação, merecendo cuidadosos comportamentos especializados, de modo que as torne portadoras de equilíbrio e de utilidade.


Allan Kardec estudou-as longamente, realizando observações práticas e cuidadosas com mais de mil portadores da peculiar faculdade, classificando todas as suas manifestações e catalogando-as como de natureza orgânica, por sediar-se no cérebro, tal como ocorre com a inteligência, a memória, as aptidões artísticas e culturais, religiosas e científicas...


O preconceito vigente no século XIX com tudo quanto transcendesse aos padrões estabelecidos e às superstições em que se alicerçavam algumas crenças religiosas castradoras e punitivas procurou erradicar dos seus estudos nas áreas acadêmicas tudo quanto pudesse parecer místico, qual fez o severo Sigmund Freud.


A sua intolerância foi tão extrema, ao abraçar a ditadura da libido, que interrompeu o relacionamento com Jung, a partir de quando este em visita à sua residência em Viena acompanhou os estalidos produzidos na estante de livros, procurando esclarecer que se tratava de uma emanação catalíptica e que se iriam repetir, conforme sucedeu...


O mestre, sempre receoso de que os misticismos pudessem incorporar-se à nascente psicanálise, procurou escoimá-la de qualquer remota confusão, mantendo-se adversário inclemente inclusive da religião, que considerava como uma neurose da sociedade.


Quando em Paris, participando das experiências hipnológicas realizadas pelo eminente anatomopatologista JeanMartin Charcot, recebeu de Charles Richet, auxiliar do mestre, o Tratado de metapsíquica humana, que era a síntese das pesquisas do sábio fisiologista, não a examinando nem sequer superficialmente.


Quarenta anos depois, ao fazê-lo, lamentou-se pelo tempo transcorrido, informando que, se o tivesse realizado antes, teria encontrado muito material para as próprias pesquisas e conclusões.


Apesar disso, os fenômenos foram estudados por outros não menos nobres cientistas que os confirmaram, após submeterem os médiuns aos mais rigorosos instrumentos de controle, a fim de os impedirem de fraudar, conseguindo comprovar a realidade das manifestações espirituais que ocorriam simultaneamente em diferentes países do mundo...


Garimpando todas as informações e observando as manifestações espirituais que ocorriam diante dele, Allan Kardec apresentou O Livro dos Médiuns, 4 que é um tratado incomum sobre a imensa fenomenologia paranormal, partindo da possibilidade de existirem Espíritos até às conclusões vigorosas da sua realidade e da sua interferência na vida humana, no comportamento e na saúde, nos relacionamentos afetivos e nas animosidades, nos fenômenos da natureza, nos intrincados enigmas da psicometria, do profetismo e das aparições...


Graças a essa contribuição, diante da imensa gama de portadores de transtornos de variada gênese, podem-se introduzir as perturbações de natureza obsessiva igualmente como desencadeadores de transtornos e problemas afligentes.


Desse modo, no quadro das experiências visionárias podem-se sem sombra de dúvida incluir os fenômenos anímicos e mediúnicos como responsáveis por um grande número delas, convidando o ser humano à conquista da individuação.


Ainda nesse particular, há lugar para a gratidão aos imortais, porque se preocupam com todos aqueles que ainda se encontram no envoltório material e não se recordam da procedência espiritual, auxiliando-os a preparar-se para o retorno ao grande lar que é sempre inevitável.


4| - Nesta oportunidade desejamos homenagear O Livro dos Médiuns, de Allan
Kardec, publicado em Paris, no dia 15 de janeiro de 1861, que comemora em
2011

| o seu sesquicentenário de surgimento, guiando milhões de vidas ao equilíbrio, à saúde e à paz.


Encontro com o self

Jung definiu o Self como a representação do objetivo do homem inteiro, a saber, a realização de sua totalidade e de sua individualidade, com ou contra sua vontade.


A dinâmica desse processo é o instinto, que vigia para que tudo o que pertence a uma vida individual figure ali, exatamente, com ou sem a concordância do sujeito, quer tenha consciência do que acontece, quer não.


Capitaneado pelo instinto, o experimenta a sua injunção, vivenciando um processo de transformação contínuo e sublimante no rumo da individuação.


Muitas vezes, experimentando a própria sombra, tem como finalidade precípua auxiliar o ego na sua integração plena durante a vigência do eixo que os vincula e os influencia reciprocamente.


Apesar da sombra ser geradora de muitos conflitos, deve-se considerar que em muitas situações ela responde por vários fatores que produzem alegria, relacionamentos felizes, motivações para se viver, apresentando uma outra face oposta à sua constituição primitiva como arquétipo.


Na integração da anima com o animus, a fim de ser conseguida a harmonia, a sombra contribui com uma boa parcela de entendimento das suas finalidades, facultando a vivência de ambos sem perturbação da persona.


Sendo ela o resultado da repressão de muitos sentimentos que não puderam ser vivenciados, emerge do inconsciente e expressa-se muitas vezes de maneira afligente.


Todos creem, por exemplo, que a função do médico é sempre a de curar, para a qual deve estar sempre preparado, às ordens.


Nada obstante, existem outros fatores que o levam a mudanças dessa estrutura da persona, assumindo também o comportamento de esposo e pai, de cidadão e idealista com direito a outras atividades, significando essa alteração a presença da sombra que lhe emerge do inconsciente pessoal onde estão arquivadas, desde antes da concepção, as heranças do inconsciente coletivo.


Numa análise contemporânea, à luz dos ensinamentos espíritas, esses arquivos do inconsciente coletivo são o resultado de vivências que o Espírito realizou em reencarnações transatas através dos tempos, conduzindo essas heranças impressas no seu períspirito (na consciência, enquanto as vivenciando no seu período próprio).


Em razão disso, não seja de estranhar que se tornem rejeições da consciência, que as mantém estáticas e uniformes, aguardando o momento para poderem expressarse.


Desse modo, é certo que o indivíduo nasce com todas essas informações adormecidas, que vão ressumando através dos tempos, e tornando-se conscientes pelo Self.


A imagem apresentada por Jung a respeito do inconsciente é bemfundamentada, porquanto ele o imaginava como um iceberg, cuja parte visível são apenas 5 % do seu volume (consciência), estando os 95 % da sua massa submersos (o inconsciente).


Assim se encontra a consciência no ser humano.


Faz recordar também o mesmo conceito de Freud, quando o comparou a um oceano, e a consciência a uma casca de noz sobre ele.


Em realidade, os arquivos de todas as experiências pretéritas vivenciadas ao longo das sucessivas existências corporais é imenso, presentes no inconsciente e que vão sendo revividas pela consciência, nos momentos dos grandes transes de sofrimento, nos estados alterados (de consciência), durante os estágios oníricos, quando são liberados automaticamente, permitindo que o Espírito volte a vivê-los.


Em razão, portanto, desse imenso arsenal que se encontra no inconsciente e que pode flutuar na consciência, muitos conflitos e complexos da personalidade tomam corpo, conduzindo as pessoas a transtornos de variada denominação.


Quantos pacientes que se apresentam resignados na miséria, confiantes na escassez, nobres e honestos nas situações mais lamentáveis da existência socioeconômica em que se encontram!


Em tal situação prosseguem exercendo os caracteres morais de existência anterior, quando se encontravam em posição relevante, no poder, no conforto, na dignidade, e hoje experimentam o oposto, contribuindo em favor do Self harmônico, com o ego nele integrado, formando a unidade.


De igual maneira, existem aqueles que se apresentam soberbos e malcriados na pobreza, agressivos e raivosos, ostentando recursos que realmente não possuem, revivendo situações anteriores que não puderam ser dignamente cumpridas, e voltaram ao proscênio terrestre em provas e expiações rigorosas.


Tal ocorre a fim de poderem valorizar as oportunidades existenciais, especialmente os desafios ou provações da riqueza, do poder, da beleza, das situações invejáveis que invariavelmente são transformadas em sítios de escravidão para os quais o retorna quando sob o açodar das recordações inconscientes.


Os muitos complexos de inferioridade ou de superioridade em que expressivo número de pessoas estorcega, não conseguindo disfarçar as mágoas da situação em que se encontram, projetando o que se demora no inconsciente, na difícil condição em que transitam no mundo, têm a sua origem nas condutas mantidas em existências anteriores que não souberam utilizar ou aplicaram de maneira ignominiosa.


Essas pessoas - portadoras do complexo de inferioridade - são rudes, ingratas, exigentes, comprazendo-se em humilhar os servos e auxiliares, mantendo-se dominadoras e inacessíveis...


De maneira idêntica, outra s — portadoras do complexo de superioridade — nem sequer se permitem a convivência saudável no círculo familiar e social em que estagiam, não ocultando o conflito que as amargura...


Essas heranças marcantes das experiências passadas são muito mais comuns do que podem parecer, consumindo as suas vítimas, aquelas que os conservam.


Cabe ao Self diluir essas construções vigorosas impressas na persona pelo inconsciente pessoal desde quando a psique passou a animar a matéria na concepção fetal.


A adoção de condutas saudáveis com disciplina da sombra, que se apresenta como o instrumento de execução dessas frustrações do processo evolutivo, torna-se inevitável e de imediata aplicação.


Mediante a reflexão é possível ao Self a constatação do que é e de como se conduz, esforçando-se por alterar as emissões mentais para outras condutas mais equilibradas, dentro dos padrões da saúde que proporciona relacionamentos edificantes e compensadores.


Mantendo a postura referente às imagens reprimidas no inconsciente, esses pacientes não têm noção do quanto devem à vida, tornando-se ingratos e reacionários, quando, ocorrendo uma mudança de atitude adquirida por intermédio da auto análise que faculta a identificação das mazelas, poderá começar por bendizer a vida, por ascender na escala dos valores, por vencer a empáfia, passando a agradecer a oportunidade de crescimento real para a felicidade.


Será mediante esse esforço que o ego se integrará no Self, sem que desapareçam os seus valores de alta significação.


Conquista da individuação e da gratidão

A individuação é a conquista mais expressiva do processo evolutivo do ser humano.


Aparentemente se resume na vitória do Self em relação à sombra e ao ego, assim como à superação dos arquétipos responsáveis pelos transtornos emocionais e enfermidades de outra natureza que facultam ao ser humano a perfeita compreensão da vida e das suas finalidades.


E o momento quando a consciência toma conhecimento dos conteúdos inconscientes e prossegue realizando a sua superação, que consiste na integração dos arquétipos, a fim de que sejam evitados os conflitos habituais, ou surjam novos.


Pode parecer difícil de acontecer, por exigir o grande esforço de depuração da personalidade, elegendo-se os valores mais nobres do Espírito.


Em uma análise mais simplista, pode-se asseverar que a individuação é algo semelhante à auto iluminação dos místicos ou à conquista do Reino dos Céus proposta por Jesus, quando o indivíduo se liberta das exigências imediatistas do ego para se transformar em um oceano de amor e de tranquilidade, passando a vivenciar experiências emocionais superiores, sem tormentos nem ansiedades.


Os instintos permanecem como parte integrante do conjunto fisiológico, expressando-se nas necessidades primárias automaticamente sem os impulsos da violência ou os ditames das paixões asselvajadas.


Em diluindo-se a sombra, ocorre a harmonia do eixo egol Self, ao tempo em que outros arquétipos como a anima e o animus, a persona, proporcionam equilíbrio psicológico, qual ocorre em Jesus, que é o modelo da verdadeira individuação.


É toda uma viagem realizada pelo self integrado, fulcro energético e central da personalidade.


Sendo o Self o desenhador de toda a trajetória da existência humana, desde o período infantil, que se manifesta nos períodos oníricos, nos quais se apresenta através de símbolos arquetípicos, é natural que haja uma grande ansiedade no paciente que deseja a integração no Self, a autoconsciência, podendo orientar os arquétipos perturbadores que antes geravam os conflitos e os transtornos de comportamento por falta de conhecimento da sua realidade.


Todos podem alcançar esse momento culminante da evolução psíquica mediante o esforço que realizem para interpretar os símbolos e as angústias que lhe precedem à ocorrência.


Santa Tereza d"Ávila alcançou-o mediante os momentosos êxtases que a conduziram ao estado de plenitude, de iluminação interior, assim como São Francisco de Assis, ou Michelangelo ao terminar de esculpir a estátua de Moisés, que o deslumbrou a tal ponto que exclamou emocionado:

— Parla!


Era tão viva a obra que faltava apenas falar, para se tornar um ser real...


Músicos e artistas de vária procedência, cientistas e mártires, filósofos éticos e místicos conseguiram essa integração perfeita, vivenciando o estado de plenitude que os acompanhou até o momento da desencarnação.


Normalmente, um psicoterapeuta experiente pode conduzir os seus pacientes ao momento culminante da libertação dos seus transtornos quando os leva à individuação, como estágio superior e culminante da saúde integral.


Jung logrou vivenciá-la, conseguindo individuar-se por meio dos métodos psicoterapêuticos por ele próprio elaborados.


O mestre suíço elucidou igualmente que é possível conseguir-se a individuação quando se logra a assimilação das quatro funções por ele descritas como sensação, pensamento, intuição e sentimento.


Nos seus estudos alquímicos comparou a meta da individuação ao que sucede com a Opus ou Grande obra que os alquimistas tentaram vivenciar.


E, portanto, um processo lento, contínuo e de elevação emocional.


Pode-se alcançá-lo também mediante a oração, os fenômenos mediúnicos e paranormais, as regressões psicológicas que conduzem à fase infantil ou mesmo uterina, assim como às existências passadas, a meditação, de forma que todos os conteúdos inconscientes geradores do medo e da ansiedade, das angústias e inquietações possam ser diluídos por intermédio do enfrentamento consciente, nada deixando de enigmático nos painéis do inconsciente que possa ressurgir de forma assustadora...


Essa conquista formosa torna o ser diferenciado, libertando-o dos clichês e das imposições sociais que sempre o escravizam, exigindo-lhe condicionamento, quando aspira por liberdade.


Com essa conquista, o ser humano torna-se consciente de si mesmo, das responsabilidades que lhe dizem respeito no concerto da sociedade, encorajando-o para os ideais relevantes, embora raciocinando que novas situações difíceis surgirão, mas que poderão ser vencidas naturalmente.


A individuação pode ser também denominada, no seu início, de alguma forma como a participation mystique, de Lévy-Bruhl.


Na etapa final, situando-se o Self como a Imago Dei, numa conquista de unidade, que não isola o indivíduo, antes, pelo contrário, favorece o seu intercâmbio com as demais pessoas que passa a ver de maneira diferenciada de quando havia o predomínio do ego.


E tão complexa que se pode afirmar que tem início, mas nunca termina, porque se trata da busca da perfeição, no relativo do mundo em que se encontra o ser humano.


Pode-se, durante o processo de individuação, examinar o desenvolvimento da sociedade desde os seus primórdios e a maneira consciente como vem lidando com as suas projeções e superando-as, mediante as conquistas do conhecimento cultural nos seus vários aspectos, especialmente naqueles de natureza psicológica.


A perfeita identificação dos conflitos vem facultando que sempre se aspire pela aquisição do bom e do belo, como metas da saúde e do bemestar.


Vencendo as diferentes etapas do desenvolvimento emocional, logo surgem os primeiros alvores da individuação, em decorrência da superação ou conscientização dos arquétipos que geram sofrimento.


As denominadas virtudes religiosas, que eram tidas como heranças místicas, no momento da individuação adquirem sentido de realização, quais o amor, que se transforma numa conquista relevante, indispensável para uma existência harmônica; a bondade, que multiplica os bens dos sentimentos elevados; a fé no futuro, como condição de estímulo — sentido e significado psicológico — para se prosseguir nas lutas naturais do processo evolutivo; a compaixão, em forma de solidariedade e de compreensão das aflições do próximo; a gratidão, como coroa de bênçãos por tudo quanto se conseguiu e pode realizar-se.


A gratidão, filha dileta do amor sábio, enriquece a vida de beleza e de alegria porque com a sua presença tudo passa a ter significação enobrecida, ampliando os horizontes vivenciais daquele que a cultiva como recurso de promoção da vida em todos os sentidos.


Narra-se que certo dia, em Boston, nos Estados Unidos da América do Norte, um rebanho de carneiros era levado por uma das avenidas centrais da urbe.


Um dos carneiros repentinamente caiu sem forças...


Uma criança muito pobre e malcuidada, observando a cena, deu-se conta que deveria ser por sede que o animalzinho perdera as resistências.


Tomando do seu gorro, correu a uma bica próxima e colheu algum líquido, trazendo-o ao carneiro quase desfalecido e deu-lhe de beber.


Poucos minutos depois o animal correu e juntou-se ao grupo que seguia em frente.


Uma das pessoas que nada havia feito, num tom irônico, disse ao menino:

— Obrigado, titio!


E pôs-se a rir zombeteiramente.


Um cavalheiro que havia observado a cena disse ao irônico:

— O carneirinho pediu-me para que agradecesse por ele, escusando-se de fazê-lo.


Como eu sou dono de uma casa editora, sou conhecido como Eduardo Baer, e sempre estou procurando crianças dotadas de sentimentos nobres para cuidá-las, acabo de encontrar mais uma.


A partir deste momento, você estará sob a minha responsabilidade - disse à criança aturdida.


Mais tarde, a sociedade acompanharia a trajetória do Dr. Carlos Mors, que se fez conhecido pela inalterável bondade com que tratava todas as criaturas.


A gratidão do carneiro havia alcançado a sua nobre finalidade, porque jamais esmaece ou perde o seu sentido.


Poder-se-ia incluir esse fato na extensa relação daqueles de natureza mitológica, da mesma forma que Hércules combateu o mal, vencendo todos os inimigos do bem pelo imenso prazer de ser grato à vida pelo seu poder.


O carneiro, que é símbolo da mansuetude, e o menino gentil, que pode ser considerado como um arquétipo de misericórdia e compaixão, unindo-se no mesmo sentimento de ajuda recíproca, produziram o missionário do amor e da bondade.


Isso porque a gratidão é um dos mais grandiosos momentos do desenvolvimento ético-moral do ser humano e está ínsita na individuação, quando tudo adquire beleza e significado.


A gratidão é, portanto, um momento de individuação, quando o ser humano recorda o passado com alegria, considerando os trechos do caminho mais difíceis que foram vencidos, alegrando-se com o presente e encarando o futuro sem nenhum receio, porque os arquétipos responsáveis pelas aflições foram diluídos na consciência, não restando vestígios da sua existência.


O ego, que os mantinha em ação, alargou a sua percepção psicológica da vida e tornou-se parte vibrante do Self, que ama sem distinção nem interesse de retribuição e é grato a Deus por existir, ao Cosmo por viver nele, à mãe-Terra por ser o seu habitat, a todas as cores e vibrações da Natureza, que lhe facultam contemplação e emotividade especial, aos sons maravilhosos que o fazem vibrar, ao oxigênio que o nutre e à psique responsável pelo seu pensamento e pela faculdade de discernir que a consciência alcançou.


Quando o ser humano se der conta de que necessita abandonar as faixas menos harmônicas por onde transita, aspirará pela conquista da individuação, exercitando-se na sublime arte do amor a Deus, ao próximo e, certamente, a si mesmo, abandonando o egotismo e vivenciando o altruísmo como forma segura de realização plena, no rumo da gratidão...


A gratidão abrange, num afetuoso abraço, os sentimentos que dignificam os seres humanos e os tornam merecedores de felicidade, quando estarão instalando no íntimo o decantado Reino dos Céus, conforme proposto por Jesus, o maior psicoterapeuta da Humanidade.


A gratidão abrange os sentimentos que dignificam os seres humanos e os tornam merecedores de felicidade, quando estarão instalando no íntimo o decantado Reino dos Céus, c conforme proposto por Jesus, o maior psicoterapeuta da Humanidade.


Joanna de Ângelis, que realiza uma experiência educativa e evangélica de altíssimo valor, tem sido nas suas diversas reencarnações, colaboradora de Jesus: a última ocorrida em Salvador (1761 - 1822), como Sóror Joana Angélica de Jesus, tornando-se Mártir da Independência do Brasil; na penúltima, vivida no México (1651 - 1695), como SorJuana 1nésde la Cruz, foi a maior poetisa da língua hispânica.


Vivera na época de São Francisco (século XIII), conforme se apresentou a Divaldo Franco, em Assis.


Também vivera no século I, como Joana de Cusa, piedosa mulher citada no Evangelho, que foi queimada viva ao lado do filho e de cristãos outros no Coliseu de Roma.


Até o momento, por intermédio da psicografia de Divaldo Franco, é autora de mais de 60 obras, 31 das quais traduzidas para oito idiomas e cinco transcritas em Braille.


Além dessas obras, já escreveu milhares de belíssimas mensagens.






FIM





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