Encontro com a Paz e a Saúde

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CAPÍTULO 6

TRANSTORNOS MENTAIS E OBSESSIVOS

No ano de 1873, quando foi nomeado diretor do Hospício de La Bicêtre, o jovem Dr. Felipe Pinei não tergiversou em definir como uma das suas primeiras providências libertar os 53 pacientes esquizofrênicos que ali jaziam sepultados vivos, distantes de qualquer assistência médica ou socorro fraternal.


Encarcerados em verdadeiras jaulas, alguns estavam prisioneiros há mais de um decênio.


A esquizofrenia era, então, considerada enfermidade incurável, de etiopatogenia desconhecida, verdadeira punição divinaimposta às criaturas para servir-lhes de corrigenda espiritual.


Considerando o paciente mental como credor de respeito e consideração, o moderno pai da psiquiatria ensejou oportunidade de serem aplicadas terapêuticas que pudessem minimizar os males decorrentes da grave psicose, abrindo espaço para a vigência da esperança.


E caso não conseguisse melhorar os seus enfermos, acreditava que os amaria, restituindo-lhes a dignidade perdida e o sentimento de humanidade.


Lentamente os métodos bárbaros aplicados aos loucos foram cedendo lugar a tratamento mais humano e condigno, de modo que fossem vistos como enfermos e não como merecedores de extinção.


O exemplo do Dr. Pinei foi seguido em Londres, pelo eminente Dr. Tucker e em Roma pelo Dr. Chiarucci, que os libertaram dos cárceres coletivos em que se encontravam praticamente esquecidos.


Os progressos, no entanto, nessa área, durante decênios, foram mínimos.


O cérebro permanecia como um grande desconhecido, portador de mistérios que, somente, a pouco e pouco, seriam elucidados.


Quando o Dr. Paul Pierre Broca apresentou à Sociedade de Antropologia de Paris, no dia 18 de abril de 1861, o resultado das suas pesquisas no cérebro do senhor Leborgne, que necropsiara na véspera, e que se tornara famoso pela impossibilidade de enunciar palavras, somente repetindo o monossílabo tan, como decorrência de um tumor em desenvolvimento na terceira circunvolução frontal esquerda, que passou a ser denominada como centro de Broca ou centro da fala, começaram a cair as barreiras que impediam a real compreensão do cérebro.


Na década 1880-1890, as notáveis investigações do Dr. JeanMartin Charcot, utilizando-se da hipnose, em memoráveis sessões, às terças-feiras, na Universidade de la Salpêtrièrre, que reuniam os mais cultos e audaciosos médicos de Paris e de outras cidades europeias, abriram-se mais amplas possibilidades de penetração nos arcanos cerebrais, a fim de identificar somatizações, conflitos profundos, alterações da personalidade, personificações múltiplas...


A histeria, que então dominava os interesses dos estudiosos, digladiando-se os mestres Liébeault e Bernheim, da Universidade de Nancy, que a consideravam de natureza fisiológica, com os pesquisadores de la Sal-pêtrièrre, que a tinham em conta de psicológica, facultou melhor compreensão do subconsciente e, logo depois, com a valiosíssima contribuição de Sigmund Freud em torno do inconsciente...


Tampouco se pode olvidar a grandiosa contribuição do eminente Guilherme Griesinger, que estabeleceu dois princípios fundamentais na psiquiatria: os distúrbios mentais devem ser classificados, e para serem devidamente tratados é necessiário que investiguem as suas causas nas enfermidades dos órgãos.


Desse modo, atribuía às problemáticas fisiológicas a responsabilidade pelos distúrbios mentais.


Anatomopatologistas dedicados, quais Cuvier e Florens, investigando cadáveres, aprofundaram o bisturi na massa encefálica e descortinaram novos horizontes para o entendimento dos transtornos mentais e com-portamentais.


Sem dúvida, a contribuição grandiosa de Freud, de Jung, de Adler, seus eminentes discípulos, igualmente do Dr. Bleuler e outros nobres investigadores, tornou mais compreensíveis os mecanismos da psique e mais claras as percepções em torno das alucinações, das de-mências, da loucura...


O psiquiatra alemão Emílio Kraepelin, discípulo de Griesinger, tanto quanto Hughlings Jackson fizera anteriormente, demonstrou ser o cérebro o responsável por faculdades e funções complexas, desmistificando os hemisférios e o seu corpo caloso, de tal modo, que as modernas neurociências podem alegrar-se com a contribuição valiosa do passado, que lhes facultou a identificação dos mecanismos neuronais e respectivas sinapses.


A esquizofrenia, embora passando por grandiosos experimentos, é considerada na atualidade como um distúrbio que engloba várias formas clínicas depsicopatia e distonias mentais próximas a ela.


Nela predomina a característica identificada como dissociação e assintonia das funções psíquicas, disto decorrendo fragmentação da personalidade e perda de contato com a realidade.


Além dos fatores preponderantes da hereditariedade, das enfermidades infecciosas e suas sequelas, bem como daqueles de natureza psicossocial, socioeconô-mica, afetiva ou traumatismos cranianos, o paciente aliena-se, tentando libertar-se de uma ignota consciência de culpa, construindo o seu mundo emocional e comportamental, vivendo outro tipo de realidade.


As terapêuticas humanas, realmente compatíveis com os fenômenos esquizofrênicos, vêm ensejando resultados auspiciosos em favor dos enfermos dessa natureza.


Das experiências do Dr. Sakel, mediante os choques de insulina e metrazol, realizados em sua clínica na cidade de Viena, aos experimentos do eletrochoque, e hoje aos modernos barbitúricos, com a simultânea contribuição psicoterápica, o conhecimento da esquizofrenia e suas sequelas avançou muito, facultando possibilidades mais amplas, no futuro, para tratamentos mais adequados e de resultados felizes.


A verdade, é que o paciente esquizofrênico já não é considerado como prejudicial à sociedade, que antes exigia-lhe a exclusão dos seus quadros, internando-o nos terríveis hospícios ou manicômios, onde era tratado com desdém e crueldade, pelo crimede ser enfermo.


Desde que não se encontre em período de agressividade, ele pode permanecer no lar, mantendo vida social, relativamente organizada, sendo exigidos da sociedade maior compreensão e respeito, de forma que contribua em favor da sua recuperação, ou, pelo menos, da relativa normalidade da sua existência.


A indiscutível contribuição da psicologia e da psicanálise, penetrando nos arcanos do inconsciente do enfermo, auxilia-o a superar os conflitos jacentes que o atormentam de maneira cruel, sem que possa entender o que se passa no seu mundo íntimo.


Herdeiro dos arquétipos ancestrais, muitos deles tornam-se adversários soezes da sua paz, afligindo-o continuamente.


À medida que o paciente se vai conhecendo, melhormente se equipa de recursos para vencer o lado escuro, o lado sombra da sua personalidade em conflito e perturbação.


Passando a identificar outro tipo de realidade, vai-se-lhe adaptando, experiênciando o prazer da convivência com as demais pessoas, ao invés de evitá-las e tê-las como inimigas, portanto, fruindo alegria de viver.


Transtorno esquizofrênico

A alienação mental, sob qualquer aspecto considerada, constitui tormento de grande porte, em face da distorção da realidade que envolve o paciente.


Incapaz de compreender as ocorrências existenciais, arma-se de revolta e de animosidade contra tudo e todos, em mecanismo inconsciente de defesa, de modo a enfrentar quaisquer situações de maneira agressiva, sem ideia das consequências que advirão.


Apresentando-se em qualquer período da existência física, tem caráter hebefrênico, quando atinge os jovens em plena adolescência, neles produzindo alterações na área da afetividade, estados de regressão, hipocondria...


Na idade adulta, expressando-se de maneira perversa, induz a vícios e dependência alcoólica, ou deles decorrentes, à perda da sensibilidade afetiva, da lucidez racional lógica, encarcerando o paciente em conflitos íntimos tormentosos, que o levam a delírios e à agressividade inesperada.


Na mente distorcida em que se encontra o paciente, a realidade comparece de maneira mágica e perturbadora, apresentando quadros terrificantes que impelem à violência como consequência do terror que se lhe instala.


Pode apresentar-se de um para outro momento, ou desenvolver-se lentamente, sempre grave a dissociação entre os sentimentos e a inteligência, isto é, acontecem as alterações afetivas enquanto ainda se expressam relativamente bem as faculdades intelectuais.


Há uma grande variedade de sintomas, porquanto alguns pacientes apresentam distúrbios na esfera moral, levando-o a atos delituosos, enquanto outros sofrem de despersonalização, não mais identificando-se ou deixando-se desintegrar, indiferentes, na área psicológica.


Normalmente apresentam-se perturbações da conduta, exteriorizando-se de maneira bizarra e esdrúxula, traduzindo a desagregação mental.


De alguma forma, no começo, em forma psicas-tênica progride até ao estado de adinamia funcional, adicionando-se obsessões, fobias, escrúpulos, remorsos, conflitos contínuos.


Podem ser classificados diversos tipos de perturbações características da conduta esquizofrênica: rigidez, desagregação do pensamento, incoerência, ideias delirantes, entre as quais as de perseguição.


São inumeráveis as causas etiopatogênicas, variando, desde aquelas de aspecto morfológico, às fisiológicas, propriamente ditas, assim como as de natureza psicológica.


Diferentes escolas psiquiátricas apresentam as suas causas e discutem-nas com vigor, procurando, cada uma tornar-se determinante, sem a inclusão de outras correntes, igualmente valiosas.


No caso, por exemplo, da tese sulivaniana, com exceção dos casos comprovadamente orgânicos, a esquizofrenia é um distúrbio nas relações interpessoais, que se constitui a partir de intercâmbios humanos desfavoráveis no início da vida, consistindo em um estado de pânico ante a realidade, desse modo fugindo o paciente para o autismo.


Sob outros aspectos, as heranças genéticas, as enfermidades infectocontagiosas, os traumatismos cranianos respondem por fenômenos orgânicos que se enquadram nas teorias que se referem às constituições corporais leptossômicas, atléticas e displásicas.


Alguns autores, como Leopold Bellak, referindo-se que, do ponto de vista psicossomático, podem-se enumerar as predisposições somáticas, sociopsicológicas e as causas précipitantes psicológicas.


Em face da variedade de conceitos, conclui-se que isso decorre da diferença existente entre um e outro paciente, demonstrando a multiface do problema esquizofrênico.


De acordo com a manifestação que ocorre no enfermo, a causa poderá estar embutida em determinadas funções orgânicas, portanto, fisiológicas, como procedentes de conflitos psicológicos não superados.


É inegável que a sequela de enfermidades já referidas, infecto-contagiosas, como a tuberculose, a sífilis, a AIDS, as sexualmente transmitidas, podem levar o indivíduo de constituição emocional débil, ao mergulho no pensamento esquizofrênico, em decorrência do sofrimento experimentado, da falta de esperança de cura, da rejeição social, da solidão a que se entrega.


Em qualquer hipótese, porém, em que seja examinado, o paciente esquizofrênico é um espírito que perdeu o endereço de si mesmo, carregado de culpas transatas, que procura refugiar-se na alienação, através, naturalmente, dos fenômenos orgânicos e psicológicos que foram impressos pelo perispírito nos genes encarregados da sua organização biológica.


Eis por que, esses espíritos conflitivos sempre reencarnam através de pessoas que tenham os fatores preponderantes para a formação fisiológica propiciatória à instalação do transtorno psicótico profundo.


Através da lei de afinidade, aqueles que estão comprometidos perante as Divinas Leis reencarnam-se em grupos familiares, afetuosos ou não, de maneira a resgatarem juntos os débitos acumulados.


Surgem, desde a infância, os ódios, os dramas e conflitos familiares, as exclusões, as perseguições, os castigos físicos injuriosos, que desencadeiam as reações psicológicas predisponentes ao distúrbio grave.


Quando se compreender que o espírito é sempre o encarregado de modelar a existência que lhe é mais favorável, dispor-se-á de elementos para estudos mais profundos em torno da loucura e suas variantes, cujas raízes estão fixadas no cerne profundo do ser.


Manias e suspeitas, insegurança e complexos de inferioridade como de superioridade, narcisismo, timidez, tormento sexual estão centrados em comportamentos anteriores do espirito, que não soube conduzir-se com a necessária dignidade, defraudando os códigos da vida, mesmo que sem o conhecimento das demais pessoas.


O importante não é que a sociedade tome conhecimento do deslize moral do ser humano, mas que ele o saiba, levando-o inserido no inconsciente, que lhe constitui o juiz severo encarregado de liberá-lo das consequências dos atos infelizes.


Somos, portanto, da opinião de que as problemáticas dessa como de outra natureza, derivam-se dos processos reencarnatórios malsucedidos, reaparecendo como oportunidade de liberação dos erros e identificação com a vida e o equilíbrio.


Saúde mental, tanto quanto física, é resultado da harmonia que deve viger entre o Self e o ego, estabelecendo-se uma real identificação de finalidade existencial e cumprimento dos deveres de iluminação e de paz interior.


Transtorno obsessivo

Examinando-se o ser humano como um espírito reencarnado, portador das experiências decorrentes das existências transatas, sabe-se que ele conduz no cerne de si mesmo o resultado das suas ações morais, que o programam para atividades reparadoras, em face de não se ter comportado com o equilíbrio que seria necessário, ou para realizações nobilitantes, o que também pode acontecer durante a fase de reparação moral.


Tudo quanto haja produzido transfere-se de uma para outra etapa evolutiva, o que lhe constitui recurso para crescer interiormente, mediante o sofrimento que o macere ou através das benesses do amor que vige em toda parte.


Em qualquer processo do binômio saúde-doença, encontra-se essa presença profunda, definidora do respectivo fenômeno, como efeito da conduta anterior que o espírito se permitiu.


Ninguém consegue atingir um nível de consciência mais elevado, enquanto se encontre moralmente aprisionado nos compromissos negativos que procedem das experiências anteriores.


Desse modo, é inerente ao Universo a Lei de Causa e Efeito, portanto, presente em todos os fenômenos, particularmente na estrutura psicofisiológica do ser humano.


Os atos incorretos, geradores da culpa, instalando-se nas telas sutis do perispírito, irão conduzir o espírito comprometido a transtornos autoobsessivos, obsessivos-compulsivos e diversas manias, como mecanismo de correção moral automática, imposta pelas Leis da Vida.


Invariavelmente, porém, como determinadas conjunturas aflitivas são sempre compartilhadas com outros ou mantidas contra os outros: agressões físicas e morais, furtos e desmoralizações, calúnias e traições, homicídios e tramas sórdidas, infelicitando-os, essas vítimas, que se sentem destroçadas, não olvidam o mal que experimentaram.


Embora lhes ocorra a morte ou desencarnação, surpreendendo-se com a continuidade da vida, e, diante dos ressentimentos e ódios que assomam, tornam-se dominadas pelos desejos incoercíveis de vingança.


Desestruturados emocionalmente, sem valores ético-morais para superar as mágoas que lhes permanecem vivas, optam pelo desforço infeliz, deixando-se arrastar para as lamentáveis situações de justiceiros, de cobradores impénitentes.


Como sempre existem sintonias por afinidades morais e mentais entre os indivíduos de ambos os planos da vida, ei-los atraídos pelos antigos algozes, dando-se início à insidiosa cobrança do mal que lhes impuseram.


Faltando, ao calceta, ao endividado, as reservas morais necessárias para uma existência digna e saudável, em algumas ocasiões são eles próprios que ensejam o infeliz conúbio com esses severos adversários que geraram...


As obsessões, portanto, propiciadas pelos desencarnados, são muito mais numerosas e graves do que se possa imaginar.


A psicologia dos relacionamentos irá estudar com mais profundidade esse campo ainda inexplorado na sua pauta, considerando a necessidade de estabelecer-se terapias próprias, de natureza preventiva e curadora, a fim de coibir essa epidemia emocional e mental que toma conta da Terra com frequência, sendo mais grave em determinados períodos como ocorre na atualidade.


Direcionando o pensamento vigoroso contra o adversário, ora no corpo carnal, o espírito enfermo pelo ódio descarrega vibrações que irão perturbar o equilíbrio de algumas monoaminas no cérebro, dando lugar, pela constância, a futuras depressões, a processos maníacos, a transtornos esquizofrênicos, que somente desaparecem quando o agente é afastado, e não apenas mediante os recursos terapêuticos convencionais.


No caso do socorro psiquiátrico, os barbitúricos aplicados produzem naturalmente a sua ação sem os correspondentes benefícios, que são alterados pelos campos enérgicos produzidos pela incidência das ondas mentais do perseguidor.


Na maioria das vezes, a terapêutica medicamentosa gera maior soma de distúrbios, porque mesclada às energias deletérias; os neurônios sofrem impedimentos para que tenham lugar as corretas sinapses, dando espaço ao surgimento de excessos ou escassez de serotonina, de noradrenalina, de dopamina...


Pertinaz e cruel, esse processo produz o surgimento de personificações parasitárias, de personalidades duplas (ou várias),que são fenômenos de incorporação mediúnica, através da qual o agente pernicioso exerce o predomínio da vontade sobre o paciente, assumindo-lhe o controle mental, passando a expressar-se por seu intermédio.


Em outros casos, ativam-se os núcleos de registros perispirituais e o inconsciente libera lembranças arquivadas, que dizem respeito ao período da convivência inditosa, volvendo o mesmo em forma viva, que se sobrepõe às paisagens atuais, o que mais degrada o ser vitimado.


O prosseguimento da indução penosa, no transcorrer do tempo, termina por desarmonizar as neurocomu-nicações e desestabilizar os fenômenos neurofisiológicos, instalando-se então os lamentáveis processos de loucura, de alienação profunda, que impedem a fácil ou possível reabilitação do enfermo.


Em fases portadoras de tal gravidade, o agente desencarnado, emaranhando-se nos campos de energia da sua vítima, passa a vampirizá-la, enfraquecendo-a de tal forma, que a vitalidade preservadora gasta-se com rapidez, apressando-lhe o falecimento orgânico.


Na sua complexidade, a obsessão pode tornar-se também um mecanismo de aprisionamento para o desencarnado que, após algum tempo, passa a ter necessidade desses nutrientes psíquicos que explora no inimigo, transformando-se em vítima da circunstância inditosa que propiciou.


São diversas as vertentes de ocorrências desequili-bradoras nas patologias obsessivas, diferindo, cada uma delas, conforme os fatores causais, as resistências do enfermo e as circunstâncias em que têm lugar.


Sempre danosas, os seus efeitos permanecem por mais algum tempo, mesmo quando cessa a incidência causai, após a mudança de conduta do perseguidor.


Nesse capítulo, merece considerar-se, também, as obsessões procedentes de mentes encarnadas, que descarregam as suas vibrações prejudiciais naqueles que são considerados como inimigos e podem gerar distúrbios de vária ordem.


É inegável a ação do pensamento na conduta humana sob qualquer aspecto considerado.


Os impulsos saudáveis são absorvidos com facilidade e transformados em campos de força edificante, harmonizadora, que fomentam o bem-estar, o equilíbrio e a paz.


O oposto igualmente se dá, quando aceitas essas ondas de ódio, de inveja, de competitividade perturbadora, transformando-se em estados de angústia, desa-justamento, desinteresse pela vida, enfermidade...


O ser humano é aquilo que pensa.


Diariamente o seu cérebro é bombardeado por incessantes informações de toda natureza, aqui incluindo, também, as procedentes do mundo espiritual.


A consciência destaca-se nesse ser, como a percepção do mundo e de si mesmo.


A consciência é seletiva por estrutura natural, como é contínua e pessoal, apresentando-se nessas três características de que se constitui.


No seu caráter seletivo, aquilo que mais lhe interessa ou se lhe torna preponderante passa a merecer maior fulcro de atenção.


No caso das obsessões, aí ocorre a fixação da ideia exterior que a perturba, através do monólogo que se lhe instala, iniciando-se a perturbação.


A continuidade da ação danosa permite conexões de memórias, trazendo de volta a culpa e permitindo-se a punição.


A perspectiva de cada qual ver o mundo conforme a sua própria óptica, é resultado da característica fundamental de ser a consciência pessoal, o que resulta na identidade de cada qual.


A consciência, no entanto, pode ser nuclear ou primária, superior ou secundária, conforme o estágio em que o ser humano se encontra.


No estágio primário, são traduzidas as informações recebidas, e é nessa fase que ocorrem as insidiosas perturbações espirituais.


Como na segunda fase a consciência é superior, estando aturdida no nível inicial, surge o impedimento para que o paciente alcance a sua identificação equilibrada com a vida, seja portador da capacidade de atender aos seus sentimentos e de relacionar-se bem com o passado, o presente, melhor aspirando ao futuro e selecionando as imagens mentais do processo evolutivo.


Há uma inevitável parada nesse processo, em face da instalação do transtorno, detendo-se no círculo estreito das ideias recebidas.


Como a consciência nuclear é indispensável para a eclosão da superior, encontramo-la também em alguns espécimes animais, que a utilizam na caça para a sobrevivência.


Sem ela não se pode alcançar o estágio superior, que é uma conquista reservada apenas ao ser humano, ensejando a faculdade de conceitos abstratos, entre os quais, aquele que diz respeito à vida espiritual.


O transtorno obsessivo, desse modo, deve ser cuidado desde as suas manifestações iniciais, evitando-se-lhe o agravamento.


Diversidade das obsessões

Os transtornos de natureza obsessiva, em face da sua especificidade, apresentam-se sob variadas formas, umas sutis, outras graves, e outras muito sérias, transformando-se em problemas psiquiátricos de conse-quências imprevisíveis.


Em face da multiplicidade dos conflitos que aturdem e infelicitam o ser humano, o Espiritismo apresenta à etiopatogenia dos problemas psicológicos e mentais, a obsessão com o seu cortejo nefando de manifestações, que permanecia desconhecida ou simplesmente ignorada por preconceito científico.


Não cabe à Ciência o direito, ou melhor dizendo, aos cientistas, de negação pura e simples daquilo que ignoram, porquanto é a partir do desconhecimento que surgem as informações e as doutrinas passam a ser consideradas.


Aquele que se dispõe ao estudo do ser humano é convidado a uma postura sempre aberta a novas informações, procurando, acima de tudo, o bem-estar dos pacientes, antes que um comportamento arrogante, que nega tudo quanto não pôde comprovar.


Impedindo-se essa análise, seu estudo e aplicação, a atitude negativa é mais soberba do que requisito de sabedoria.


Uma rápida análise comprova-o.


Antes de Pasteur e suas investigações com o microscópio, bactérias e vírus eram desconhecidos e desconsiderados; sem os critérios estabelecidos inicialmente por Inácio Semmelweis, perseguido e detestado pelos acadêmicos do seu tempo, a assepsia não era tida em conta;


antes do telescópio ignoravam-se as galáxias, os buracos negros, os astros que escapam à visão convencional; sem a valiosa perspicácia e fria análise de Freud, que arrebentou os tabus em torno do sexo e facultou notáveis contribuições à vida psicológica, continuava-se na ignorância de realidades desconhecidas; não fosse a descoberta dos raios 10, permaneceríam no obscurantismo as notáveis possibilidades de conhecer melhor o corpo humano, o mesmo ocorrendo com as modernas tomografias computadorizadas...


e um sem-número de aparelhos sofisticados que ensejam realizações dantes jamais sonhadas...


Da mesma forma, a interferência dos espíritos na vida humana sempre foi comentada e, no que diz respeito ao capítulo das perturbações de natureza espiritual, a documentação é vasta e complexa na antiguidade oriental, na cultura greco-romana, durante a vida de Jesus, no Cristianismo nascente, na 1dade Media, na Renascença, nas Idades Moderna e Contemporânea, assinalando fastos históricos memoráveis, que não podem ser desconsiderados.


Felizmente, homens e mulheres audaciosos não têm tergiversado em confirmar essa ocorrência nos seus consultórios, demonstrando a excelência das terapias aplicadas sob a inspiração do Evangelho, em momentosos diálogos com os seres desencarnados que ainda se comprazem na produção do infeliz intercâmbio doentio.


O egrégio Codificador do Espiritismo, Allan Kar-dec, examinando as obsessões, classificou-as em três formas especiais: simples, por fascinação e por subjugação. *

A obsessão simples ocorre quando o espírito enfermo, consciente ou não dos próprios atos, vincula-se ao indivíduo com o qual mantém afinidade moral e psíquica, resultante de valores negativos que os unem desde passadas experiências, na atual ou em reencarnação anterior, produzindo mal-estar, inquietação, melancolia, ansiedade exagerada, suspeitas e medos infundados...


Instala-se suavemente, quando o pensamento intruso persiste em tentativa de fixação.


Confunde-se com os próprios conflitos do paciente que ressumam do inconsciente atual, gerando inquietação.


A medida que essas ideias, esdrúxulas algumas, passam a habitar a casa mental do indivíduo, transformam-se em monólogosinsistentes que produzem receios, insatisfações, incompreensões, manias, passando a diálogos que destrambelham a ordem dos raciocínios.


Nessa fase, uma conduta em renovação moral, o hábito da oração e das boas leituras conseguem interromper o fluxo das influenciações perniciosas, impedindo a instalação do distúrbio cruel.


A obsessão por fascinação já se apresenta mais séria, em face de haver uma receptividade muito grande pelo paciente, que se deixa arrastar pela ideia negativa, particularmente quando se apresentam fenômenos de natureza mediúnica, e em especial na área da psicografia, que o levam a uma constância desconsertante para escrever onde esteja e com o material de que disponha.


Igualmente apresenta-se nas posturas irrefletidas e nos comportamentos estranhos a que se entregam as suas vítimas, sempre considerando-se portadoras da total razão e do conhecimento da verdade, irredutíveis nos seus pontos de vista, mesmo naqueles que são absurdos ante a mais singela análise, impedindo-lhes a lógica do senso comum.


O indivíduo que a padece, torna-se arrogante, vaidoso das conquistas que pensa haver adquirido, evitando os diálogos esclarecedores e deixando-se vencer, cada vez mais, pela insidiosa influência espiritual, que o deseja afastar do convívio social saudável, a fim de dominar-lhe o raciocínio e a razão por completo.


Nessa fase, o organismo fisiológico passa a ressentir-se das energias deletérias que são absorvidas, em razão de algumas manias que o fanatismo instala na mente da vítima, como sejam: mudanças abruptas na forma da alimentação, nas abstinências que se impõe, no exagero da fé religiosa ou de qualquer ideal esposado, no comportamento que se aliena, etc.


Torna-se-lhe mais difícil a terapêutica libertadora, em decorrência da intolerância do paciente em aceitar qualquer proposição que difira do que pensa, negando-se à concordância com observações acerca da conduta.


Nada obstante, a insistência da oração, nos momentos de alguma lucidez, a intercessão dos parentes e amigos mediante preces e vibrações amigas, os passes e a terapia desobsessiva conseguem resultados opimos.


Nunca esquecer-se, porém, que à vítima de hoje, algoz de antes, cabe a tarefa mais importante que é a da reforma moral, mediante o consentimento da razão e do coração, com o empenho de tornar-se melhor e mais útil a si mesmo quanto à sociedade.


A obsessão por subjugação é o estágio mais avançado e perverso do processo aliénante.


Pode resultar da sucessão das fases anteriores, mas não necessiariamente, porquanto pode ocorrer de chofre, inesperadamente, num só golpe, dependendo sempre da profundidade dos seus gravâmes geradores.


No Evangelho de Jesus, os narradores documentam-na como possessão, que o Codificador do Espiritismo preferiu definir de outra maneira, porquanto a possessão faz pressupor que o espírito perseguidor penetra no reencarnado, assumindo o lugar que lhe é próprio, o que não é possível, em face dos mecanismos que o jugulam ao corpo.


Caso isso ocorresse, dar-se-ia o seu falecimento, sem que o obsessor pudesse manter a sobrevivência da organização fisiológica.


A obsessão, seja em que forma se apresente, é sempre de espírito a espírito, através do perispírito de ambos os litigantes, cujas energias mesclam-se numa corrente inicial de hipnose, depois de intercâmbio e, por fim, de predomínio daquele que exerce o maior poder de influenciação, no caso em tela, o desencarnado.


As patologias de subjugação deprimem o Self que perde o controle sobre o ego e as faculdades de comando mental.


As neurocomunicações, em face da incidência vibratória da mente dominante, tornam-se prejudicadas e, por consequência, a produção de neuropeptídeos faz-se desordenada, trazendo resultados fisiológicos igualmente perturbadores.


Esses, que serão os efeitos colaterais da subjugação, em longo prazo abrem campo para a instalação da loucura.


Esse transtorno espiritual é verdadeiramente uma expiação dolorosa para o calceta, que poderia haver-se reabilitado dos males praticados, mediante a ação fraternal do bem ao próximo, do auto-aprimoramento moral, da conduta saudável, exceto quando se trata de ocorrência lapidadora que se instala por ocasião dos primeiros dias ou anos da existência...


Em qualquer transtorno de natureza obsessiva, o paciente é também um espírito desajustado em processo de recuperação, em decorrência da conduta arbitrária que se permitiu anteriormente, gerando os processos lamentáveis de que agora padece.


Como as criaturas terrenas encontram-se em campos experimentais da evolução, as vivências de cada existência propiciam as futuras conquistas de acordo com os mecanismos utilizados de origem elevada ou perturbadora.


Ninguém, portanto, que se encontre isento de responsabilidade nas ocorrências provacionais de qualquer natureza, particularmente nos distúrbios obsessivos.


Os recursos terapêuticos para a recuperação dos pacientes subjugados são múltiplos, e igualmente graves, em face da complexidade do problema.


Impossibilitado de contribuir conscientemente em favor da própria recuperação, o valioso recurso terapêutico será obtido mediante a doutrinação do agente perturbador, em reunião mediúnica especializada, quando puder ser trazido à comunicação pelos Benfeitores espirituais.


Récalcitrante e vingador, não poucas vezes, o espírito apresenta-se em desespero, cobrando o mal de que se diz haver sido vítima, sem dar-se conta da própria desdita gerada pela ausência do perdão, pelo menos da compreensão da fragilidade humana que se permite condutas arbitrárias conforme se encontra agindo.


Paciente e gentil, afável e enérgico, o psicoterapeuta espiritual com ele conversa, esclarece, dialoga, demonstrando-lhe o erro em que está incorrendo, terminando, invariavelmente, pela sua reconstrução emocional e reconhecimento racional de que também está agindo de maneira equivocada.


Consciente da necessidade de evoluir, a fim de encontrar a felicidade perdida, resolve por abandonar o desafeto, deixando-o aos cuidados das Leis Soberanas da Vida que a todos alcança conforme exaradas pela Justiça Divina.


Jesus, como Psicoterapeuta extraordinário, conseguia libertar os padecentes das obsessões, através da autoridade moral de que era revestido, facilmente afastando os adversários desencarnados, enquanto propunha aos pacientes em recuperação, que não voltassem aos comprometimentos infelizes, de modo que lhes não acontecessem sofrimentos ainda mais graves...


Considerando-se a gravidade das obsessões, é sempre oportuno o atendimento médico simultâneo, de forma que sejam recuperados os órgãos afetados pelo transtorno, sempre portador de fluidos e vibrações perniciosos que enfermam o conjunto fisiológico.


O espírito é o agente da vida inteligente, portanto, nele se encontram as raízes de todas as ocorrências que têm lugar durante a sua vilegiatura carnal.


Saúde mental e emocional, em consequência, resulta da harmonia moral em que se estrutura.


Temas para reflexão: "474 - Desde que não há possessão propriamente dita, isto é, coabitação de dois Espíritos no mesmo corpo, pode a alma ficar na dependência de outro Espírito, de modo a se achar subjugada ou obsidiada ao ponto de a sua vontade vir a achar-se, de certa maneira, paralisada? "Sem dúvida e são esses os verdadeiros possessos.


Mas, é preciso saibas que essa dominação não se efetua nunca sem que aquele que a sofre o consinta, quer por sua fraqueza, quer por desejá-la.


Muitos epilépticos ou loucos, que mais necessitavam de médico que de exorcismos, têm sido tomados por possessos. " *

* piores do que ele e, entrando, habitam ali; e o último es tado desse homem vem a ser pior do que o primeiro. (Lucas 11:24-26) KARDEC, Allan. O Livro dos Médiuns, Capítulo 23.


Nota da autora espiritual.


Ora, havendo o Espírito imundo saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso; e não o encontrando, diz: Voltarei para minha casa, donde saí.


E chegando, acha-a varrida e adornada. Então vai, e leva consigo outros sete Espíritos


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Lucas 11:24

Quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares secos, buscando repouso; e, não o achando, diz: Tornarei para minha casa, donde saí.

lc 11:24
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Lucas 11:25

E, chegando, acha-a varrida e adornada.

lc 11:25
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Lucas 11:26

Então vai, e leva consigo outros sete espíritos piores do que ele, e, entrando, habitam ali; e o último estado desse homem é pior do que o primeiro.

lc 11:26
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Mateus 12:43

E, quando o espírito imundo tem saído do homem, anda por lugares áridos, buscando repouso, e não o encontra.

mt 12:43
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Mateus 12:44

Então diz: Voltarei para a minha casa donde saí. E, voltando, acha-a desocupada, varrida e adornada.

mt 12:44
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