Triunfo Pessoal

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CAPÍTULO 6

Transtornos Profundos

O ser humano é o somatório dos seus pensamentos, atitudes e realizações. O Self, na condição de um arquétipo primordial; preside ao processo de desenvolvimento que lhe é imperioso alcançar, mediante as experiências que fazem parte dos estatutos da Vida.


Larguíssima trajetória percorre o psiquismo desde os impulsos primários até o patamar dos instintos agressivos, depois aos mantenedores da vida, passando pelos reflexos condicionados; quando então surge desafiadora a inteligência, a princípio obnubilada pela cortina das manifestações primárias, clareando os impulsos que se transformam em emoções, quando então o Self avança no rumo da consciência que enfrenta novos desafios até alcançar o nível cósmico ou de plenitude.


Todo esse arcabouço inicial se insculpe nos recessos do ser e se transforma em alicerce para novas edificações que se concretizam, a pouco e pouco, dando surgimento a imagens arquetípicas que lhe passam a constituir o patrimônio pessoal intransferível.


Porque muito largas as experiências primárias, que se desenvolvem mediante os automatismos, que se convertem em percepções que identificam os significados das coisas e da realidade, tornando-se reflexos que se condicionam e são transferidos de uma para outra geração, as suas fixações são muito profundas. Mesmo quando o Self começa a desempenhar a sua formidanda faculdade de expressar-se nos patamares da inteligência e do sentimento, nas formulações dos anseios e dos ideais de enobrecimento, aqueles registros mais fortes predominam na sua constituição psicológica e ressurgem sempre com força dominadora, que deseja impor-se, perturbando os direcionamentos que conduzem ao bem-estar pleno.


Os fatores endógenos e exógenos que preponderam para o surgimento de psicopatologias profundas e de transtornos variados são decorrência do clima pessoal de cada indivíduo, das suas realizações anteriores, das suas ambições dignas ou vulgares, que geram ondas de sintonia com esses implementos responsáveis pelo surgimento dos mecanismos de realização e evolução na pauta do seu desenvolvimento.


As más inclinações que induzem ao erro, ao crime, à crueldade; são as heranças perversas que não o abandonaram, jungindo-o ao primarismo que deve ser superado a esforço contínuo, qual a débil plântula fascinada pelo raio de sol, ascendendo na sua direção, enquanto dele se nutre e submete-se-lhe ao tropismo.


Há um Sol transcendente, que é o Arquétipo Primacial — a Divindade -, que se irradia como fonte de vida, de calor, de energia, Eixo central do Universo e Gerador do Cosmos, que atrai na Sua direção todas as expressões que O manifestam na Criação.


A vida, portanto, desenvolve-se no rumo desse Fulcro, que é a Causalidade absoluta, da qual ninguém ou coisa alguma se pode evadir.


É essa força incoercível da evolução que propele o ser humano ao crescimento, a um objetivo de natureza eterna, ao invés da transitoriedade que se consome no aniquilamento, ou melhor dizendo, na transformação dos implementos moleculares da sua constituição orgânica. Eis por que o Self é imemorial; indestrutível na sua essência.


Depressão

Na raiz psicológica do transtorno depressivo ou de comportamento afetivo, encontra-se uma insatisfação do ser em relação a si mesmo, que não foi solucionada. Predomina no Self ura conflito resultante da frustração de desejos não realizados; nos quais impulsos agressivos se rebelaram ferindo as estruturas do ego que imerge em surda revolta, silenciando os anseios e ignorando a realidade. Os seus anelos e prazeres disso resultantes, porque não atendidos, convertem-se em melancolia; que se expressa em forma de desinteresse pela vida e pelos seus valiosos contributos, experienciando gozos masoquistas, a que se permite em fuga espetacular do mundo que considera hostil, por lhe não haver atendido as exigências.


Sem dúvida, outros conflitos se apresentam, e que podem derivar-se de disfunções reais ou imaginárias da libido, na comunhão sexual, produzindo medos e surdas revoltas que amarguram o paciente, especialmente quando considera como essencial na existência o prazer do sexo, no qual se motiva para as conquistas que lhe parecem fundamentais.


Vivendo em uma sociedade eminentemente erótica, estimulada por um contínuo bombardeio de imagens sonoras e visuais de significado agressivo, trabalhadas especificamente para atender as paixões sensuais até a exaustão, não encontra outro motivo ou significado existencial, exceto quando o hedonismo o toma e o leva aos extremos arriscados e antinaturais do gozo exorbitante.


Ao lado desse fator, que deflui dos eventos da vida, o luto ou perda, como bem analisou Sigmund Freud, faz-se responsável por uma alta cifra de ocorrências depressivas, em episódios esparsos ou contínuos, assim como em surtos que atiram os incautos no fosso do abandono de si mesmos. Esse sentimento de luto ou perda é inevitável, por ferir o Self ante a ocorrência da morte, sempre considerada inusitada ou detestada, arrebatando a presença física de um ser amado, ou geradora de consciência de culpa, quando sucede imprevista, sem chance de apaziguamento de inimizades que se arrastaram por largo período, ou ainda por atos que não foram bem-elaborados e deixaram arrependimento, agora convertidos em conflito punitivo.


Ainda se manifesta como efeito de outras perdas, como a do trabalho profissional, que atira o indivíduo ao abismo da incerteza para atender a família, para atender-se, para viver com segurança no meio social; outras vezes, a perda de algum afeto que preferiu seguir adiante, sem dar prosseguimento à vinculação até então mantida, abrindo espaço para a solidão e a instalação de conflito de inferioridade; sob outro aspecto ainda, a perda de um objeto de valor estimativo ou monetário, produzindo prejuízo de uma ou de outra natureza...


Qualquer tipo de perda produz impacto aflitivo, perturbador; como é natural. Demora-se algum tempo, que não deve exceder a seis ou oito semanas, o que constitui um fenômeno emocional saudável. No entanto, quando se prolonga, agravando-se com o passar do tempo, torna-se patológico, exigindo terapêutica bemelaborada.


Pode-se, no entanto, evitar as consequências enfermiças da perda, mediante atitudes corretas e preventivas.


Terapia profilática eficaz, imediata, propiciadora de segurança e de bem-estar, é a ação que torna o indivíduo identificado com os seus sentimentos, que deve exteriorizar com frequência e naturalidade em relação a todos aqueles que constituem o clã ou fazem parte da sua afetividade.


Repetem-se as oportunidades desperdiçadas, nas quais se pode dizer aos familiares quanto eles são importantes, quanto são amados, explicitar aos amigos o valor que lhes atribui, aos conhecidos o significado que eles têm em relação à sua vida...


Normalmente se adiam esses sentimentos dignificadores e de alta magnitude, que não apenas felicitam aqueles que os exteriorizam; mas também aqueloutros, aos quais são dirigidos, gerando ambiente de simpatia e de cordialidade. Nunca, pois, se devem postergar essas saudáveis e verdadeiras manifestações da afetividade, a fim de serem evitados futuros transtornos de comportamento, quando a culpa pretenda instalar-se em forma de arrependimento pelo não dito, pelo não feito, mas sobretudo pelo mal que foi dito, pela atitude infeliz do momento perturbador... Esse tipo de evento de vida — a. agressão externada, o bem não retribuído, a afeição não enunciada - pode ser evitado através dos comportamentos liberativos das emoções superiores.


Muitos outros choques externos como acidentes, agressões perversas, traumatismos cranianos contribuem para o surgimento do transtorno da afetividade, por influenciarem os neurônios localizados no tronco cerebral próximo ao campo onde o cérebro se junta à medula espinal. Nessa área, duas regiões específicas enviam sinais a outras da câmara cerebral: a rafe; encarregada da produção da serotonina e o locus coeruleus, que produz a noradrenalina, sofrendo os efeitos calamitosos dessas ocorrências, assim como de outras, desarmonizam a sua atividade na produção dessas valiosas substâncias que se encarregam de manter a afetividade, propiciando a instalação dos transtornos depressivos.


Procedem, também, dos eventos de natureza perinatal, quando o Self em fixação no conjunto celular, experienciou a amargura da mãe que não desejava o filho, do pai violento, dos familiares irresponsáveis, das pelejas domésticas, da insegurança no processo da gestação, produzindo sulcos profundos que se irão manifestar mais tarde como traumas, conflitos, transtornos de comportamento...


A inevitável transferência de dramas e tragédias de uma para outra existência carnal, insculpidos que se encontram rtos refolhos do Eu profundo - o Espírito viajor de multifários renascimentos carnais - ressumam como conflito avassalador, a princípio em manifestação de melancolia, de abandono de si mesmo, de desconsideração pelos próprios valores, de perda da autoestima...


Pode-se viver de alguma forma sem a afeição de outrem, sem alguns relacionamentos mais excitantes, no entanto, quando degenera o intercâmbio entre o Selfe o ego o indivíduo perde o direcionamento das suas aspirações e entrega-se às injunções conflitivas, tombando, não poucas vezes, no transtorno depressivo.


Esse ressumar de arquétipos profundos, em forma de imagens arquetípicas punitivas, aguarda os fatores que se apresentam nos eventos de vida para manifestar-se, amargurando o ser, que se sente desprotegido e infeliz.


Incursa a sua consciência em culpa de qualquer natureza; elabora clima psíquico para a sintonia com outras fora do corpo somático, que se sentem dilapidadas, e sendo incapazes de perdoar ou de refazer o próprio caminho, aspiram pelo desforço covarde e insano, atirando-se em litígio feroz no campo de batalha mental, produzindo sórdidos processos de parasitose espiritual, de obsessões perversas.


Quando renasce o assinalado pelas heranças pregressas, no momento em que se dá a fecundação, mediante o mediador plástico ou períspirito, imprimem-se, nas primeiras células, os fatores necessários à evolução do ser, que oportunamente se manifestarão, no caso de culpa e mágoa, de desrespeito por si mesmo, de autocídio e outros desmandos, em forma de depressão. A hereditariedade, portanto, jamais descartada, é resultado do processo de evolução que conduz o infrator ao clima e à paisagem onde é convidado a reparar, a conviver consigo mesmo, a recuperar-se...


Pacientes predispostos por hereditariedade à incursão no fosso da depressão carregam graves procedimentos negativos de experiências remotas ou próximas, que se fixaram no Self; experimentando o impositivo de liberação dos traumas que permanecem desafiadores, aguardando solução que a psicoterapia irá proporcionar.


Uma catarse bem-orientada eliminará da consciência a culpa e abrirá espaços para a instalação do otimismo, da autoestima; graças aos quais os valores reais do ser emergem, convidando-o à valorização de si mesmo, na conquista de novos desafios que a saúde emocional lhe irá facultar, emulando-o para a individuação, para a conquista do numinoso.


Em razão do largo processo da evolução, todos os seres conduzem reminiscências que necessitam ser trabalhadas incessantemente, liberando-se daquelas que se apresentam como melancolia, insegurança e receios infundados, desestabilizandoo. Ao mesmo tempo, estimulando-se a novas conquistas; enfrentando as dificuldades que o promovem quando vencidas; descobre todo o potencial de valores de que é portador e que necessitam ser despertados para as vivências enriquecedoras.


O hábito saudável da boa leitura, da oração, em convivência e sintonia com o Psiquismo Divino, dos atos de beneficência e de amor, do relacionamento fraternal e da conversação edificante constitui psicoterapia profilática que deverá fazer parte da agenda diária de todas as pessoas.


Transtorno obsessivo-compulsivo

A saúde, sob qualquer aspecto considerada: física, mental; emocional, moral, é patrimônio da vida, que constitui meta a ser conquistada pelo homem e pela mulher no processo da sua evolução.


Engrandecendo-se o ser através dos esforços que empreende na conquista dos múltiplos valores nele adormecidos, penetra-os; no mundo íntimo, a fim de exteriorizá-los em hinos de alegria e de bem-estar.


Porque malbarata as oportunidades que deveriam ser utilizadas em favor da auto iluminação, da conscientização da sua realidade, infelizmente envereda pela trilha dos prazeres exorbitantes e deixa-se arrastar pelos vícios perniciosos; estacionando na marcha ascensional e sofrendo as sequelas que a insensatez lhe brinda em forma de consequência dolorosa quase imediata.


É nesse mundo íntimo, no inconsciente pessoal, que se encontram as fixações perversas e desvairadas do primarismo do ser, que permanece durante o período da razão, gerando distúrbios que reaparecem na consciência atual, desestruturando os equipamentos da saúde física, psíquica e, especialmente, da emocional.


Dentre outros, pela sua gravidade, o transtorno neurótico obsessivo-compulsivo se destaca, infelicitando não pequeno número de vítimas em toda a Terra.


Neste capítulo, podemos anotar três diferentes itens, que são: o pensamento compulsivo, a atividade compulsiva e a personalidade ou caráter obsessivo.


Quando se é portador de pensamento compulsivo, a consciência torna-se invadida por representações mentais involuntárias, repetitivas e incontroláveis, variando de paciente para paciente. Trata-se de ideias desagradáveis umas; repugnantes outras, que infelicitam, e o enfermo não dispõe de meios lúcidos para as enfrentar, superando-as. Trata-se de um objetivo defensivo do inconsciente pessoal, impedindo que o doente tome conhecimento da sua realidade interior, dos seus legítimos impulsos e emoções.


Fixam-se-lhe pensamentos repetitivos, alguns ridículos, mas dos quais o enfermo não se consegue libertar. Outras vezes; manifestam-se em forma de dúvidas inquietantes, que desequilibram o comportamento.


A atividade compulsiva apresenta-se como incoercível necessidade de ações repetidas. Desde o simples ato de traçar linhas e desenhos em papel, enquanto conversa ou não, em contar lâmpadas ou cadeiras num auditório, que parecem sem sentido, mas não se consegue ser evitados, incidindo-se sempre na mesma atividade. Podem variar para fórmulas, rituais; cerimônias, como atavismos ancestrais, em imagens arquetípicas perturbadoras que se refletem no comportamento atual.


De alguma sorte é um mecanismo para fazer uma catarse da ansiedade de que se é vítima. Nas tentativas para evitar a atividade compulsiva, em razão de circunstâncias poderosas, o paciente sofre, transtorna-se, terminando por entregar-se à ação tormentosa de maneira discreta, simulada que seja...


Historicamente, Pilatos, por exemplo, após deixar assassinar Jesus, em Quem reconhecia a ausência de culpa, fez um quadro neurótico obsessivo-compulsivo, que o celebrizou, em face da situação aflitiva de sempre lavar as mãos, que lhe pareciam sujas pelo sangue do Inocente. A sua desdita se teria encerrado; somente, quando se suicidou, atirando-se na cratera de um vulcão extinto, na Suíça.


Na literatura de Shakespeare, Lady Macbeth, após assassinar o rei, ajudada pelo marido, passou a sofrer o mesmo conflito das mãos sujas de sangue, que deveria lavar sempre, em estado sonambúlico ou não, atirando-se nos resvaladouros da loucura...


À semelhança dessas personagens, o conflito adquire robustez e apresenta-se em inúmeros pacientes, como a necessidade de se banharem continuamente, usando álcool e outras substâncias desinfetantes, a fim de se isentarem da imundície que lhes parece cobrir o corpo. Outras vezes, são os impulsos irresistíveis para se assepsiarem, evitando contrair doenças infecciosas, ou supondose portador delas, através da eliminação de bactérias e micróbios outros alojados no corpo, como se isso fosse possível, já que a própria condição celular impede que haja uma ausência absoluta dessas vidas microscópicas.


Odores pútridos, quais os de cadáveres em decomposição; atormentam não pequeno número de enfermos, exigindo deles o uso de substâncias fortes e aromatizadas, que aspiram ou mascam, em desesperada tentativa de se libertarem dessas desagradáveis emanações que, no entanto, encontram-se no inconsciente e são somatizadas, gerando desespero e alucinação.


Aqueles indivíduos que são portadores de caráter obsessivo apresentam-se, invariavelmente, sistemáticos, impressionando pela rigidez do comportamento, inclusive, para com eles próprios.


São portadores de sentimentos nobres, confiáveis e dedicados ao trabalho, que exercem até o excesso. No entanto, foram vítimas de ambiente emocional duramente severo, a partir do parto e especialmente na infância, quando sofreram imposições descabidas e tiveram que obedecer sem pensar, única maneira de se livrarem das imposições e castigos dos adultos. Sentindo-se obrigados, desde cedo, a reprimir as emoções e sentimentos outros, tornam-se ambivalentes, escapando-lhes de controle as que se constituem de natureza hostil, apresentando-se mais como intelectuais do que sentimentais, mecanismos escapistas que se impõem inconscientemente.


Essa compulsão obsessiva é cruel e alucinante, porque se encontra ínsita no ser, que não consegue momento algum de paz e de renovação, mergulhando cada vez mais no desespero com piora do próprio quadro, derrapando na loucura ou no suicídio como solução insolvável para o transtorno aflitivo.


São relevantes, neste capítulo, os estudos de Freud a respeito do caráter anal dos portadores de transtornos obsessivos, em razão das exigências da mãe, quando no trato com eles na infância, higienizando-os, exigia-lhes obediência irracional a horários rígidos, incluindo aqueles para as funções intestinais sob controle estabelecido. Através dessas imposições, as mães negavam-lhes afeto e identificação emocional, tornando-as crianças carentes, sob a mentirosa justificativa de que esse era um comportamento para não "porem a perder os filhos".


Na fisiopatologia desses transtornos são detectadas várias anomalias biológicas, dentre as quais a presença de epilepsia do lobo temporal, o aumento expressivo de atividade metabólica no giro orbital esquerdo e até mesmo uma alteração cromossômica na constituição do ser. Sob o ponto de vista neurológico, observase a influência não somente da epilepsia do lobo temporal, mas também da Coréia de Sydenhan, da síndrome de Giles de la Tourette etc. Aí também são encontradas perturbações neurobiológicas, como, por exemplo, o aumento do fluxo sanguíneo cerebral no córtex orbitofrontal, neostriatum, globo pálido e tálamo, no hipocampo e córtex posterior do giro cíngulo.


Esses desencadeadores dos transtornos neuróticos obsessivocompulsivos, do ponto de vista psicológico, encontram-se no inconsciente pessoal, como herança também de atos transatos; sem dúvida, no qual estão inscritos igualmente os códigos das imagens arquetípicas que permitem, por outro lado, vinculação com outras mentes ora desencarnadas. Essas Entidades impõem-se o direito de cobranças esdrúxulas, mediante processos espirituais devastadores. Trata-se de Espíritos que foram vitimados pela urdidura de crimes perversos contra eles perpetrados, e não conseguiram superar os traumas e os ressentimentos que se transferiram do ego para o Self, e agora transformam em instrumentos de vingança através de obsessões vigorosas com que se destorçam daqueles que lhes foram adversários sórdidos.

Porque permanece impressa nos painéis do inconsciente pessoal, nos refolhos do períspirito, a dívida moral, os pacientes assimilam as ondas mentais das suas antigas vítimas, que são convertidas em sensações penosas, em forma de consciência de culpa - lavar as mãos, assepsiar-se em demasia, sentir o corpo sempre sujo — tanto quanto a captação de odores pútridos ativação da pituitária pelo psiquismo que sente necessidade de reparação - que são exteriorizados pelos cobradores espirituais que padeceram exulceraçóes prolongadas, apodrecendo em vida antes que a morte viesse liberá-los da pungente situação.


A psicosfera emanada pelo agente perturbador sobre a atual vítima perturbada permite a assimilação das ondas e vibrações viciosas, que se transformam nesses odores de cadáver em decomposição, que nada exterior consegue superar, diminuir ou fazer cessar.


Sob outro aspecto, esses endividados espirituais reencarnam com os fatores neurológicos e orgânicos em geral impressos no corpo perispiritual, em face dos transtornos morais que se permitiram anteriormente, de forma a experimentarem a recuperação moral através do processo depurador a que ora fazem jus.


A psicoterapia cognitiva-comportamental, bem-conduzida em relação a esses enfermos, ameniza ou produz a cura dos efeitos danosos e mórbidos; no entanto, a terapêutica bioenergética, por alcançar os fulcros espirituais de onde se exteriorizam os campos vibratórios, interrompe a emissão da energia enfermiça; afastando os agentes que, necessariamente atendidos, orientados e confortados moralmente, terminam por abandonar os propósitos malsãos em que permanecem e libertam os seus inimigos entregando-os à Consciência Cósmica.


Evidentemente, o contributo de alguns barbitúricos e fármacos diversos sob cuidadosa orientação psiquiátrica, portadores de inibidores de reabsorção de serotonina, torna-se de inestimável significado para o reequilíbrio do paciente. Entrementes, a educação, o trabalho junto ao enfermo, auxiliando--o na mudança de atitude perante a vida, de comportamento mental; de sentimento rancoroso e agressivo em relação ao seu próximo; para o qual, não raro, transfere o perigo de trazer-lhe contaminação, resulta em valiosa psicoterapia para o reequilíbrio do Self, e lento, posterior, mas seguro bem-estar.


Ideal, portanto, que sejam tomadas providências para que as referidas terapêuticas, psicológica, espiritual e psiquiátrica sejam utilizadas, a fim de facultar ao paciente a sua recuperação.


Na economia moral de todo ser encontram-se os seus atos próximos ou transatos programando a sua existência; estabelecendo processos de liberdade ou de encarceramento; asas para alá-lo ou grilhões para retê-lo no piso das paixões dissolventes.


Esquizofrenia

Nos transtornos psicóticos profundos, a esquizofrenia destacase aterrorizante, em face da alienação que impõe ao paciente; afastando-o do convívio social e conduzindo-o à vivência da própria incúria, sem a capacidade de discernimento que se encontra embotada.


Denominada, por Freud, como "neurose narcisista", identificada por Kraepelin, que estabeleceu como sintoma frequente a "indiferença ou embotamento afetivo", coube a Bleuler assinalar que o paciente é vítima de uma "desagregação do pensamento", que produz certa rigidez com extrema "dificuldade de exteriorização dos sentimentos", não sendo; portanto, imune à afetividade.


Clinicamente apresenta-se sob três formas, consideradas clássicas: hebefrenia, catatonia e paranoide. Posteriormente foi acrescentada outra, que ficou denominada como esquizofrenia simples.


Muito difícil de ser diagnosticada, em face das suas variedades de sintomas, vem sendo estudada desde há muito tempo; recebendo as mais valiosas contribuições para a sua compreensão, nos dois mais recentes séculos, a partir, dentre outras, das investigações de Kahlbaum e Hecker, na segunda metade do século XIX, já que, até então, pouco se conhecia a seu respeito.


Sem dúvida, fatores hereditários preponderantes impõem o desvio psicótico profundo, graças às impressões vigorosas registradas nos genes desde os primórdios da concepção.


Essa terrível afecção mental responde pela falta da associação de ideias, pelo desleixo e abandono do Si em transtorno grave de conduta.


Enfermidades infectocontagiosas e suas sequelas podem; também, desencadear o processo esquizofrênico, em razão dos prejuízos que impõem aos neurônios cerebrais e às suas sinapses, que se desconectam, tornando-se incapazes de enviar as mensagens corretamente de um ao outro, nessa cadeia complexa de informações que transitam através das suas delicadas conexões. Fenômenos orgânicos que promovem grande tensão; como aqueles considerados críticos, tais a puberdade, o catamênio, a menopausa e a andropausa, são arrolados como responsáveis também pelas manifestações lentas e contínuas do transtorno esquizofrênico.


Por outro lado, traumatismos cranianos atingindo o cérebro produzem efeitos equivalentes, perturbando o raciocínio do paciente e afastando-o do convívio da sociedade.


Outrossim, fatores exógenos, que dizem respeito aos eventos de vida, também respondem pelo transtorno cruel, especialmente nos indivíduos de compleição moral frágil ou marcados por graves distúrbios familiares, sociais, de trabalho, de relacionamento afetivo, que os predispõem às fugas espetaculares para o quase-autismo.


Não obstante, deve-se incluir na psicogênese do transtorno esquizofrênico, a consciência de culpa das ações vivenciadas em existências anteriores, quando a delinquência assinalou o desenvolvimento do Self, hedonista e explorador, que somente se utilizou dos amigos e conhecidos para os explorar, traindo-lhes a confiança ou covardemente destruindo-lhes o corpo em horrorosos crimes que não foram justiçados, porque passaram desconhecidos ou as circunstâncias legais não os alcançaram.


Não havendo sido liberados pela reparação através dos cometimentos impostos pela Lei vigilante, insculpiram nas delicadas tecelagens vibratórias do corpo perispiritual a responsabilidade infeliz, que ora ressurge como cobrança; necessidade de reparação, impositivo de reequilíbrio, de recomposição social, familial, humana.


Eis que nessa, como noutras ocorrências psicopatológicas, a interferência de seres desencarnados ou de outra dimensão, se assim for mais acessível ao entendimento, impondo sua vontade dominadora sobre aquele que o infelicitou no curso de existência anterior, produz distonia equivalente àquelas que procedem das psicogêneses internas e externas.


Essa imposição psíquica frequente e insidiosa afeta os neurotransmissores, facultando que moléculas — neuropeptídeos — responsáveis pelo equilíbrio das comunicações, os desconectem produzindo a alienação.


A mente, que não é física, emite ondas especiais que são captadas por outras equivalentes, que sincronizem com as emissões que lhes são direcionadas.


Há, em todo o Universo, intercâmbio de mentes, de pensamentos, de vibrações, de campos de energia...


No que diz respeito às afinidades psíquicas, a sintonia vibratória permite que sejam decodificadas mensagens mentais por outros cérebros que as captam, conforme os admiráveis fenômenos parapsicológicos da telepatia, da clarividência, da precognição, da retrocognição, cujas experiências em laboratório tornaram-nos cientificamente comprovados, reais.


É natural, portanto, que não havendo a destruição do Self quando ocorre a morte ou desencarnação do ser humano, a mente prossiga enviando suas mensagens de acordo com as construções emocionais de amor ou de ira, de felicidade ou de desdita, que se fazem captadas por estações mentais ou campos psi, dando curso às inspirações, às percepções enobrecidas ou perturbadoras, facultando o surgimento das nefastas obsessões de efeitos calamitosos.


É muito mais vasto o campo dessas intercorrências espirituais do que se pode imaginar, sucedendo tão amiúde, que seria de estranhar-se não as encontrar nos transtornos neuróticos ou psicóticos de qualquer natureza...


O Self dessa maneira, desenvolve-se mediante as experiências que o acercam do Arquétipo Primacial, no qual haure vitalidade e força, transferindo todas as aquisições nobres ou infelizes para futuros cometimentos, assim ampliando os primeiros e recuperando-se dos segundos, armazenando todas as experiências que o conduzirão à individuação plena, ao numinoso ou sintonia com Deus.


Mergulhando, a princípio, no Deus interno, desperta o potencial de sabedoria e de amor que nele jaz, a fim de poder crescer em amplitude no rumo do Deus Criador do Universo...


A saúde mental somente é possível quando o Self, estruturado em valores éticos nobres, compreende a finalidade precípua da existência humana, direcionando os seus sentimentos e conhecimentos em favor da ordem, do progresso, do bem-estar de toda a sociedade.


A liberação do ego arbitrário, desvestido dos implementos da aparência que se exterioriza pela persona, permite a integração do ser na vida em caráter de plenitude.


Todas as terapias acadêmicas procedem valiosas e oportunas; considerando-se a imensa variedade de fatores preponderantes e predisponentes, para o atendimento da esquizofrenia, não sendo também de desconsiderar-se a fluidoterapia, o esclarecimento do agente perturbador e o consequente labor de sociabilização do paciente através de grupos de apoio, de atividades espirituais em núcleos próprios onde encontrará compreensão, fraternidade e respeito humano, que o impulsionarão ao encontro com o Si profundo, em clima de paz.




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