Amor, Imbatível Amor

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CAPÍTULO 26

OBJETIVOS CONFLITIVOS

O desajuste emocional e a perda de identidade que predominam na sociedade contemporânea determinam como indispensável a conquista de metas estabelecidas pelo egoísmo, em indisfarçável preocupação de parecerem proporcionar a felicidade, O triunfo que todos devem almejar, segundo essas tendências, apresenta-se estatuído em como conseguir-se destaque social, parecer-se vencedor, tornar-se divertido.


Para esse cometimento surgem cursos e técnicas variadas para superarse obstáculos — circunstâncias, ocorrências e pessoas — conquistar-se amigos, lograr-se relacionamentos úteis, que significam vantajosos, numa terrível, quase neurótica preocupação pelas vitórias exteriores.


O ser, em si mesmo, é quase secundária importância, desde que a aparência seja agradável, a posição tenha representatividade e o dinheiro se encarregue de resolver as situações embaraçosas.


Tais objetivos não passam de disfarces para a luta pela supremacia do ego portador de recalques, que deixa de lutar pela libertação do Self para engendrar novos futuros conflitos.


A busca de poder que favorece a projeção social e o ter produzem contínua inquietação, de algum modo pelo medo de não mais vir a dispor da situação cômoda, invejável.


Esse receio induz à insegurança, à desconfiança, à instabilidade.


A medida porém, que as contas bancárias aumentam e o brilho social projeta, o indivíduo perde contato com a sua realidade, tornando-se antinatural, exigindo tratamento especial em toda parte, especialmente no lar — qual lhe é propiciado pela insensatez da bajulação — sentindo-se todo poderoso e agressivo. Não permite ser contrariado nas coisas e situações de quase nenhuma importância, porque susceptível em demasia, se irrita, agride, se indispõe.


Essa conduta sistemática e as pressões sofridas no mundo do parecer estressam-no, e cada vez tombam-no na insatisfação.


Noutras vezes, afadiga-se por defender a posição em que estagia, e não desfruta daquilo que foi anelado, porque está sempre preocupado com aqueles que vêm atrás e ameaçam-lhe o lugar de falso triunfo.


Prossegue, então, acumulando mais, defendendo-se mais, amando menos, tranquilizando-se menos ainda.


Se escapa dessas injunções conflitivas, experimenta a saturação e desmotiva-se, mergulhando no tédio gerador de morbidez e depressão.


Os objetivos, quando legítimos, não podem encarcerar nem entorpecer, menos ainda afligir.


Somente aqueles que são constituídos por qualidades e valores profundos, compensam o afã e o esforço por lográ-los.


Formam-se pelos anseios de vitórias, de realizações, não porém, exclusivamente exteriores, senão também, internas, as únicas que produzem renovação, que estimulam e dão sentido existencial.




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