Além da Morte

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CAPÍTULO 35

GRATIDÃO

Filha do meu coração, enxugo os olhos úmidos e deposito aos pés da Mãe Santíssima da Humanidade as flores débeis dos meus sorrisos de esperança.


No seu amor que ameniza o sofrimento e acalma o desespero, tenho colocado a minha taça de solicitações incessantes, rogando-lhe auxílio e paz. Endívidada, fracassada tantas vezes e rastejando em perigosos caminhos, tomada de ignorância e miséria, sou a filha pródiga que retorna aos braços da sua caridade e compaixão.


Sem fazer jus, ao menos, às concessões de esperança e trabalho que me enriquecem os dias, tive minhas horas utilizadas pela insuperável alegria de poder falar-te, despertando-te a alma, com a preocupação que vive em todas as mães, para a utilização inteligente do tempo.


Nestas últimas palavras, através das quais ofereço o meu ósculo de carinho sem limite, ao teu coração inesquecido, tento erguer-me da pequenez que me caracteriza para falar à Rainha do Céu, enquanto lhe oferto o meu ramalhete de gratidão.


— Senhora!


Em nome de todas as mães sofredoras do Além Túmulo, ofereço-Vos a alegria destes momentos incomparáveis, eu que sou uma delas.


Oh! Rosa Mística de Nazaré, tende piedade de quantas mulheres, desrespeitando o santuário da maternidade, se atiram loucas nos abismos do crime.


Mulheres que adiaram o santo ministério da procriação.


Mulheres que se embriagaram na taça dos vícios.


Mulheres que degradaram o vaso sublime da perpetuação da espécie. Mulheres que desdenharam o ideal supremo de toda mulher. Mulheres que envenenaram a existência com o licor da vaidade e da paixão, descendo à vala do assassínio.


Mulheres enceguecidas pelo ciúme que se atiraram no despenhadeiro sem fundo do suicídio.


E socorrei aquelas outras que: Mães, sacrificaram-se no anonimato e na renúncia. Mães, amarguraram no silêncio e no esquecimento, guardando a própria dor.


Mães, desprezadas e vilipendiadas, permaneceram desconhecidas. Mães, lutaram e sofreram sem desânimo nem receio.


Mães, morreram no holocausto do lar, para que os filhos se tornassem filhos do vosso amor, dignos do vosso Filho.


Oh! Vós que experimentastes todas as máximas agonias e sorvestes sem reclamação, até a última gota, a taça de fel e amarguras, por amor do amado Filho, perdoando aos seus algozes, descerrai vossos olhos e contemplai a mulher sofredora e desfalecente, ajudando-a e reconvocando-a aos sagrados deveres do Lar e da Maternidade.


Senhora Nossa, ajoelhada aos vossos pés, ofereço a minha insignificância ao trabalho do amor, pelo menos, em favor de mim mesma.



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