Estamos no Além

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Capítulo IV

Gerard Patrick Castelnaud

Quando merecemos e necessitamos, sempre surge, em socorro ao nosso coração, um pressentimento dos eventos mais relevantes, e às vezes dramáticos, de nossa vida, atenuando os impactos e preparando-nos para os difíceis e dolorosos testemunhos de fé em Deus.

Foi o que ocorreu com D. Christiane Magliocco Castelnaud, residente no Rio de Janeiro, na noite de 11 de março de 1978, quando sonhou com a partida para o Além de seu filho Patrick, sem nenhum motivo que explicasse tal vivência onírica. De fato, na manhã do dia seguinte, às 6 horas, ela foi despertada pelos gritos da empregada, anunciando-lhe o acidente automobilístico, a quinhentos metros de sua casa de Itaipava, RJ, que ocasionaria o falecimento de Patrick, aproximadamente às 7 horas, num hospital de Petrópolis.

Tudo indica que a premonição consistiu na transmissão de um aviso por algum Benfeitor Espiritual, protetor da família, que se caracterizou como sonho na mente materna.

E digna de nota a influência do sonho na conduta de D. Christiane, assim descrita por ela mesma:

“Naquela manhã, três homens levaram-me a notícia do acidente. Eu perguntava: “É grave?” Eles responderam que houve alguns arranhões. Nesse momento, olhei à namorada de meu filho e uma de minhas amigas, e disse: “Acabo de perder Patrick.”

Quando cheguei ao Hospital Santa Tereza, em Petrópolis, ninguém me disse nada. Eu pressenti. Peguei o telefone, chamei meu marido que se encontrava no Rio, e disse: “Vem. Seu filho acaba de morrer!” Depois o vazio. Para mim o mundo acabava nesse momento.”

Mas, dez meses depois, a 19 de janeiro de 1979, em Uberaba, ela recebeu muito conforto e paz através de uma carta de próprio punho de seu inesquecível Patrick, psicografada por Chico Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, que lhe contou: “Mãezinha, esta carta é um alô iluminado de beijos. Aquilo tudo foi reajuste. Não culpem a ninguém.”

“Dois dias antes de partir, meu filho fez uma canção, que no final diz: “Geremy, Geremy. Eu sou o homem da montanha. Eu não tenho medo da morte. Eu a respeito”.” Este e outros fatos premonitórios também ocorreram com Patrick, segundo depoimento de D. Christiane.

“Uma coisa incrível. Nós nunca falamos de morte. Entretanto, dois ou três meses antes do acidente, ele disse a seu pai: “Eu não viverei até à velhice”. Falava também aos seus amigos e aos meus, que se caso alguma coisa lhe acontecesse; por favor, olhassem pelos seus pais. Há pessoas que vivem no passado e outras têm visão do futuro. Patrick já era transportado em outra dimensão. Ele pressentia, para nós de maneira inexplicável.”


Em sequência ao seu depoimento, D. Christiane contou-nos como recebeu a mensagem do querido filho:

“É inútil descrever nosso desespero. Somente os pais que perderam seus filhos sabem e podem sentir. Eu emagreci 14 quilos em 15 dias, querendo uma coisa só: ir embora deste mundo. Foi quando uma amiga me falou de Chico Xavier. No estado em que me encontrava, tanto fazia ir, ou não; vê-lo ou não, pois nunca havia me interessado pelo Espiritismo.

Fiz a primeira viagem sem êxito. Na seguinte, cheguei numa segunda-feira para ser atendida na próxima sexta. Chico recebia 60 pessoas e eu tinha o nº 11. Nessa época, chorava o tempo todo, quase não me alimentando.

Chegou o grande dia. Eu tinha em mãos redações, desenhos e fotografias de Patrick. Queria mostrar tudo, contar tudo, mas infelizmente o tempo era limitado. Seguia chorando, quando Chico, muito calmo, pegou a fotografia de meu filho e disse: “Ele está bem. É um Espírito de luz”.

Quando o médium me perguntou onde foi o acidente, eu respondi que foi no Rio de Janeiro, para não perder tempo, quando, na verdade, foi na cidade serrana de Itaipava. Porém, meu filho diria corretamente na mensagem psicografada: “Realmente não regressei de Itaipava. Retornei da guerra. (…) De uma paisagem bonita como a nossa na serra, me transferi para outra”.

Depois, Chico começou a perguntar-me: “Quem é Margueritte? Ninon?” e outros nomes de meu conhecimento. Eu olhava-o e não compreendia nada. Não sabia se ficava, se corria ou chorava mais. Nunca havia visto Chico em minha vida. Eu resido no Rio, a centenas de quilômetros de Uberaba. Sou francesa e os nomes são diferentes. Enfim, sentei-me e aguardei a noite com impaciência.

Quando ele começou a psicografar eu não parava de rezar, sempre não compreendendo nada. Tudo para mim era um sonho, uma coisa irreal. Chico parou de escrever e começou a chamar os destinatários, um por vez, lendo em seguida, ao microfone, as mensagens. Nesse dia, das seis recebidas, a quinta foi a minha. Ao ouvi-la, pensei em ter uma parada cardíaca, tal a minha emoção.”

E, concluiu seu relato com estas palavras:

“Nossa dor prossegue, não há dúvida. Mas, uma coisa deve ser dita: Chico, obrigada. Obrigada em nome de todos os pais. Que Deus te proteja.”


MENSAGEM


“Tudo é belo na obra de Deus.”

Mamãe Christine, abençoe-me.

Tudo bem. Chegada em paz. Sabe o que sucedeu? Realmente não regressei de Itaipava. Retornei da guerra. Felizmente.

Diga ao meu pai, a nossa Chantal e a nossa Ninon que prossigo. Tudo prossegue. E a vida de que se cogita ainda mesmo quando nossas capas físicas se estendam estraçalhadas nos acidentes. Ontem, o campo de resistência e de luta. Agora, é a região de paz reconquistada.

Avise à vovó “chéri grand-mère” Fernanda e ao vovô Magliocco que estou bem. De uma paisagem bonita como a nossa na serra, me transferi para outra. Graças a Deus, a guerra para mim terminou.

Aquilo tudo, mamãe Christine, foi reajuste. Não culpem a ninguém. Minha outra avó Margueritte está me ensinando a compreender. Ainda vacilo nas lições. Mas o importante é que estou na escola.

Mãezinha, lance tudo o que é recordação de infância no esquecimento. Papai Gerard está certo, somos todos irmãos. Não existem adversários. Existem os filhos de Deus e todos nos pertencemos uns aos outros.

Console a querida Chantal. A vida pede compreensão e não entende qualquer animosidade de nossa parte contra ela.

Tudo é belo na obra de Deus. O dia e a noite, a alegria e o sofrimento, o barco e a estrela, e até o próprio mal existe por bem ainda interpretado para a essência positiva em que nos transforma as dificuldades em bênçãos.

Mãezinha, esta carta é um alô simplesmente. Vai alô iluminado de beijos; são todos seus. Se possível, entregue alguns para Chantal e Ninon, e receba com meu pai Gerard todo o coração de seu filho, sempre seu filho do coração,



NOTAS E IDENTIFICAÇÕES


1 — Christine e Gerard — Pais de Patrick, residentes no Rio de Janeiro, RJ. Na intimidade familiar, D. Christiane é chamada Christine.


2 — Chantal — Irmã, residente na França.


3 — Ninon — Namorada, residente no Rio de Janeiro.


4 — “chéri grand-mère” Fernanda (em francês: querida vovó) e ao vovô Magliocco — Avós maternos, residentes na França.


5 — Aquilo tudo, mamãe, foi reajuste. Não culpem a ninguém. — Com este esclarecimento de Patrick, deduzimos que houve resgate de débito de existência anterior, em obediência às Leis Divinas, justas e misericordiosas, que presidem nosso destino.


6 — Minha outra avó Margeritte — Margeritte Yvetot, bisavó, desencarnada na França, em 1974.


7 — Console a querida Chantal. A vida pede compreensão e não entende qualquer animosidade de nossa parte contra ela. — D. Christiane explica este trecho: “Quando aconteceu o acidente, estando somente com meu marido no Brasil, pedi à minha filha, em Paris, que viesse em seguida. Ela respondeu: “Não posso.” Desliguei o telefone e disse a Gerard: “Chantal acaba de perder sua mãe.” Ninguém mais sabia deste fato.”


8 — Tudo é belo na obra de Deus. — Sua mãe comenta: “Patrick sempre revelava paz interior e era dotado de muita sensibilidade. Gostava da natureza e dos bichos. Certo dia, com 14 anos, ao regressar do colégio, disse-me: “Mãe, eu não posso falar a ninguém, mas no caminho, quando alguns homens cortavam árvores da rua, eu as escutei chorar.” Enquanto narrava, uma lágrima rolava em seu rosto.”


9 — Gerard Patrick Castelnaud — Nasceu no Rio de Janeiro, em 24/1/1958. Quando desencarnou, a 12/3/1978, era estudante de arquitetura.


10 — A assinatura de Patrick, ao final da mensagem mediúnica, foi reproduzida, nesta obra [à pág. 64 do livro impresso], como legenda de sua foto. Sobre a grafia da mesma, D. Christiane fez as seguintes observações: “A assinatura Gerard Patrick não é a mesma de sua adolescência, e sim da época em que estava, aproximadamente, com 8 anos de idade. E a assinatura Castelnaud é muito semelhante a de meu marido. Não sei explicar bem, mas, como seu pai não acreditava no Espiritismo, penso que Patrick quis provocá-lo, assinando igual a ele.”



Gerard Patrick Castelnaud n n
Francisco Cândido Xavier


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