Estamos no Além

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Capítulo XV

Júlio Fernando Leite de Sant’Anna

Em consequência de lamentável acidente de moto, o jovem Júlio Fernando Leite de Sant’Anna, deixou o Plano Físico, aos 31 de agosto de 1976, com 18 anos de idade.

Filho do casal José Leite de Sant’Anna e Maria de Lourdes Leite de Sant’Anna, ele residia com sua família em Goiânia, GO, onde frequentava um Cursinho com vistas a um próximo Vestibular.

Mas, dois anos depois, auxiliando seus pais de forma marcante, a superarem o compreensível tempo de lágrimas, Júlio regressou da Vida Maior, através de confortadora carta, compartilhando suas “saudades no mesmo cálice de esperança”, em busca de um feliz e produtivo tempo de compreensão.

Eis a sua primeira carta:



“Deus que nos reuniu uns aos outros, nunca nos separaria para sempre.”

Querida mãezinha, abençoe-me.

Estas notícias serão curtas. Só um alô para dizer “presente”.

Estou em companhia do Álvaro e juntos abraçamos nossas mães queridas, rogando a Deus nos proteja a todos. O Álvaro abraça com muito carinho ao mano Marcelo, e conosco estão minha avó Elvira e meu avô Durval, que especialmente me auxiliam.

Vovô Durval pede ao papai, a quem abraço com o respeitoso amor filial de todos os dias, para dizer aos tios João e Iracema que o Sérgio não está esquecido e, com outros amigos, estão sustentando o meu primo na renovação pela qual por aqui todos passamos.

Minha avó Elvira trouxe consigo duas amigas que me protegem e me servem aqui, na condição de protetoras, cuja dedicação é para mim um retrato da ternura da senhora e de meu pai, em nossa casa de Goiânia. São elas as irmãs Joaquina de Macedo e Maria de Sant’Ana Bastos, que meu avô Durval afirma serem antigas afeições de nossos familiares.

Mãezinha, peço-lhe muita coragem para vencermos a suposta separação, que gera tanta saudade no coração da gente. Estamos juntos, sem perceber isso, no lado terrestre, como permanecemos sempre aí protegidos pelos Mensageiros de Deus. Tanto quanto possível, auxilie-me com a sua paz e com sua fé no Poder Maior. Deus, que nos reuniu uns aos outros, nunca nos separaria para sempre.

A todos de casa, muitas lembranças. Não alinho nomes para não esquecer de alguém. Escrevo às pressas sob auxílio de meu avô e não disponho de muito tempo no pensamento para lembrar-me nominalmente de todos. Desejava unicamente dizer ao seu coração que seu filho é o mesmo de sempre, tentando melhorar para faze-la um dia mais feliz.

Com muito carinho e gratidão, rogo à senhora aceitar tudo o que possa existir de bom em minha alma. Com muitos beijos e abraços do seu filho, que pede a Deus nos proteja e abençoe,


Júlio Fernando Leite de Sant’Anna.

NOTAS E IDENTIFICAÇÕES


1 — Psicografada por Francisco C. Xavier, em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, Uberaba, a 19/5/1978.


2 — Álvaro — Álvaro da Silva Ferreira (1956-1976), filho de Maria José da Silva Ferreira, presente à reunião, e Alfredo da Costa Ferreira, residentes em Goiânia. Os pais de Álvaro e Júlio são amigos desde a infância.


3 — Marcelo — Marcelo da Silva Ferreira, irmão de Álvaro, presente à reunião.


4 — Avó Elvira — Elvira Alexandre Bó, avó materna, desencarnada em 1973.


5 — Avô Durval — Durval Leite de Sant’Anna, avô paterno, desencarnado em 1940.


6 — Sérgio — Sérgio Leite de Sant’Anna, filho de João Batista Leite de Sant’Anna e Iracema Lopes de Sant’Anna, faleceu em acidente aéreo, com 21 anos, em 1976.


7 — Joaquina de Macedo — Falecida em Goiás, GO, aos 12/01/1939, era muito amiga da família Sant’Anna.


8 — Maria de Sant’Anna Bastos — Falecida em Goiás, GO, era comadre do Sr. Durval Leite de Sant’Anna.



“O meu tempo deveria ser curto e de qualquer maneira aquele dia, de minha volta, era o meu mesmo.”

Querida mãezinha Lourdes, abençoe-me.

O vovô Durval e a vovó Elvira me acompanham e se fazem lembrados ao seu carinho.

A verdade é que se pode seguir na direção da Vida Espiritual, no dorso da moto voadora a que me afeiçoara. Presentemente devo ser mais comedido e regressar aos meus, com a prudência precisa.

Mãezinha Lourdes, muito obrigado por sua devoção incessante à memória de seu filho. Graças a Deus, o nosso tempo de lágrimas deu lugar aos dias de compreensão que hoje buscamos enfileirar.

Ouço as divagações do papai José e as referências dos irmãos, e eu mesmo me penitencio, afirmando de mim para comigo, embora sabendo que os desígnios de Deus devem prevalecer em todas as ocorrências da vida. Pergunto a mim próprio se não teria sido melhor acomodar-me sem o veículo, mas o vovô Durval, amigo dedicado de todos os dias, pondera, a fim de consolar-me, que os processos da desencarnação diferem de pessoa para pessoa, e que tanto se perde o corpo num acidente de moto, quanto é impelido o Espírito à liberação do carro físico sob o impulso de uma embolia. Ele me esclarece que o meu tempo deveria ser curto e de qualquer maneira, aquele dia de minha volta, era o meu mesmo.

Isso me reconforta e me auxilia a tocar o barco pra frente, apesar da falta que sinto de casa e da família.

Mãezinha Lourdes, agradeço quanto me proporciona com suas preces e lembranças. Estou conformado. Muito agradecido. Tudo se vai renovando naturalmente para o meu coração de rapaz, hoje mais sereno.

Envio lembranças aos meus queridos José Eduardo, Lília, Maria Lysia, Luíza e Paulo Henrique, pois notei que os irmãos estranharam a ausência deles em minhas letras-fraternas. E não posso esquecer o pessoal miúdo que está chegando por aí. Um abraço de muito carinho ao Thiago e à Ana Carolina, que me trouxeram a sensação de tio feliz na 5ida Espiritual.

Rogo ao papai ânimo e confiança em Deus. Tudo passa no rumo do melhor porque a Divina Providência nunca se empobrece de amor.

Agradeço as preces que o seu devotamento me endereçaram no aniversário de 4 anos de vida diferente em que me vejo agora.

Querida mãezinha, sabemos nós ambos que esta carta guarda a finalidade de renovarmos energias, de modo a trabalharmos com mais decisão. Quando o cansaço ameaçar ou amedrontar a senhora e o papai, lembrem-se de que não nos achamos separados. Terei muito reconforto em ser intimado pelos pais queridos a compartilhar nossas saudades no mesmo cálice de esperança.

Muita alegria e paz é o que desejo a todos os nossos queridos familiares.

O Álvaro veio em minha companhia e deixa-lhes, a todos, muito reconhecimento e carinho.

Querida mãezinha, em seu coração junto ao papai, muitos beijos do seu filho, em preces a Jesus por nossa felicidade,


Júlio Fernando Leite de Sant’Anna

NOTAS E IDENTIFICAÇÕES


9 — Psicografia de Francisco C. Xavier, em reunião pública do GEP, Uberaba, 17/10/1980.


10 — Mãezinha, muito obrigado por sua devoção incessante à memória de seu filho. — Ela guarda, carinhosamente, vários pertences do filho inesquecível e, todos os domingos, visita seu túmulo.


11 — Ouço as divagações do papai e as referências dos irmãos e eu mesmo me penitencio — Refere-se ao abuso de velocidade quando dirigia sua possante moto.


12 — José Eduardo, Lília, Maria Lysia, Luíza e Paulo Henrique — Irmãos.


13 — Thiago e Ana Carolina — Sobrinhos nascidos 4 anos após a partida de Júlio; são filhos, respectivamente, de José Eduardo e Lília.



Júlio Fernando Leite de Sant’Anna.
Francisco Cândido Xavier


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