Estamos no Além

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Capítulo X

Fernanda Coghi Cruañes

Em tarde ensolarada, quando passeava de trator pela fazenda, com seu pai e irmã mais velha, a graciosa e serelepe Fernanda, de 4 anos de idade, ao fazer um movimento inesperado, caiu do veículo, sofrendo grave contusão na cabeça.

Conduzida às pressas à cidade mais próxima, Descalvado, SP, recebeu os primeiros socorros, e, logo em seguida, com a constatação de fratura craniana, foi encaminhada à Santa Casa de Ribeirão Preto. Neste hospital submeteu-se a um tratamento intensivo, mas, ao final de duas semanas, não mais reagiu, vindo a falecer aos 8 de agosto de 1981.

Seus pais, Francisco Antônio Cruañes e Terezinha Coghi Cruañes residentes em Limeira, SP, muito sofreram nos angustiosos dias de hospitalização, que culminaram com a desencarnação prematura de criaturinha tão amada. Viram-na atravessar o 30 de julho, seu 4º aniversário, num quarto hospitalar, com tênue esperança de recuperação…

Porém, aos 30 de julho de 1982, data que seria do 5º aniversário, a Misericórdia Divina permitiu a volta de Fernanda. Sim, por abençoada ponte mediúnica — que une o Céu à Terra —, ela trouxe oportuno e restaurador consolo aos familiares queridos. Unindo sua mãozinha à da vovó Jenny, e ambas unidas à de Chico Xavier, foi possível a transmissão de seu pensamento, testemunhando muito amor aos saudosos progenitores, em comovente carta, assim redigida:


MENSAGEM


Querida mamãe Terezinha, estou escrevendo com a mão da vovó Jenny sobre os meus dedos. Ela recomenda que lhes escreva para pedir conformação ao papai, ao seu carinho e a todos de nossa família, sem nos esquecermos das queridas irmãs Giovanna e Paula.

Mamãe, diga ao papai que lhe estou pedindo esqueça a minha queda do trator. Parece que ainda escuto aqueles gritos ou as vozes deles a me chamarem.

Diz a vovó Jenny que era preciso eu demorar tantos dias com a cabeça doente, para que a paciência ficasse na família.

Sei que os seus nervos estão machucados, e que o papai não está se aguentando, mas peço, mãezinha, para não se incomodar. Fico muito agitada quando a sinto cansada e quanto noto o papai Francisco pensando até em morrer.

Mamãe, eu melhorei e vou auxiliar as suas forças. Existe esta vida diferente para onde a vovó Jenny me trouxe. Queria trazer flores para o seu carinho, mas a vovó me diz que há tempo para a realização de qualquer desejo.

Mamãe, como não sei escrever, fiquei assim com dificuldade para continuar, mas quero que você e papai saibam que os amo cada vez mais, e que vou me fortalecer a fim de estar em casa auxiliando, como desejo fazer a fim de aumentar as suas energias.

Já conheço a vovó Alzira, que tem sido muito carinhosa para mim. Muitas lembranças para Giovanna e Paula.

Mãezinha Terezinha e papai Francisco, espero que me sintam a abraçá-los para a nossa união de sempre. Um beijo para cada um, valendo muitos, para afirmar que estou viva para amá-los cada vez mais.

A vovó Jenny me recomenda terminar. Eu queria escrever mais, muito mais, mas ainda não posso.

Deus nos abençoará, diz a vovó Jenny, e eu repito “Amém”, como aprendi em seus conselhos.

Mamãe, guarde com o papai o coração repleto de muitas saudades, com o carinho de sempre.

De sua querida filhinha


NOTAS E IDENTIFICAÇÕES


1 — Psicografada em reunião pública do Grupo Espírita da Prece, Uberaba, por Francisco C. Xavier.


2 — Vovó Jenny — Jenny Fonseca Cruañes, avó paterna, desencarnada a 18/9/1980, em Limeira.


3 — Giovanna e Paula — Irmãs, respectivamente com 7 e 2 anos de idade.


4 — Parece que ainda escuto aqueles gritos ou as vozes deles a me chamarem — Seu pai confirma que ele e Giovanna, envolvidos por compreensível desespero, ante a gravidade do acidente, gritaram várias vezes, chamando-a pelo nome.


5 — Noto o papai Francisco pensando até em morrer — Devido ao seu abalo emocional, sentindo-se culpado pelo acidente, o Sr. Francisco vinha cultivando a ideia de que não aguentaria tal estado por muito tempo, e viria a falecer de enfarte. Após as notícias da filha, sente-se bem melhor, não mais com ideias pessimistas.


6 — Vovó Alzira — Alzira Corghi Coghi, bisavó materna, desencarnada a 14/7/1978, em Limeira.


7 — Deus nos abençoará, diz a vovó Jenny — D. Jenny, em vida física, dizia sempre: “Deus nos abençoe!”


8 — E eu repito “Amém”, como aprendi em seus conselhos. — Todas as noites, como não sabia acompanhar a prece materna, feita com as filhas, dizia apenas, no final: “Amém”.


9 — Fernanda — Fernanda Coghi Cruanes nasceu em 30/07/1977.


10 — Este é mais um caso em que podemos constatar, claramente, a bênção da premonição, preparando um coração materno para a duríssima separação de um ente tão querido.

Contou-nos D. Terezinha, em recente entrevista, que no início da gravidez de Fernanda, cinco anos antes do acidente, começou a “ouvir uma voz”, que se manifestava ocasionalmente, todas as vezes com o mesmo timbre e com a mesma mensagem: “Você vai perder uma filha em acidente.” Com o passar dos anos, esta “voz” se faria ouvir por ela sem preferência de local ou horário, com intervalos variáveis, de dias ou semanas. D. Terezinha sempre ficava um pouco preocupada com o insistente aviso, mas nunca chegou a se perturbar, continuando sua vida normalmente, nada dizendo a ninguém, nem a seu marido, com receio de atormentá-lo. Embora a manifestação paranormal tivesse iniciado na gestação de Fernanda, ela pensava que — se fosse verdade — o aviso se referia à filha mais velha.

Meses antes do acidente, a “voz” tornou-se mais frequente, o que fez D. Terezinha quebrar seu segredo, contando-o à amiga íntima Leny. E, por coincidência, Leny estaria ao lado da família Cruañes no dia do grave acontecimento.

Em uma das noites de março de 1982, quando assistia ao programa de televisão: “Chico Xavier — Encontro com a Paz” (da TV Record, São Paulo), sete meses após o acidente, ela voltou a ouvir aquela “voz”, com o mesmo timbre, mas agora dizendo que D. Terezinha receberia uma mensagem de Fernanda, no dia do aniversário da filha. Ela deduziu, ao ver o médium no vídeo, que seria através de Chico Xavier, passando, desde então, a cultivar esta convicção.

Em 30 de julho de 1982, estávamos em Uberaba e presenciamos, casualmente, o encontro rápido de D. Terezinha com o médium, em sua residência. Não a conhecíamos até então, ignorando o sofrimento de sua família. Ela se mostrava muito ansiosa, mas Chico a acalmou, pedindo-lhe paciência, chegando a afirmar: “Os últimos serão os primeiros.” E, realmente, naquela tarde, no Grupo Espírita da Prece, ela conseguiu o último lugar na fila que habitualmente se forma para o diálogo com o médium; ainda mais, naquela mesma sexta-feira, recebeu a tão esperada cartinha de Fernanda, a última da noite…



Fernanda n n
Francisco Cândido Xavier


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