Triunfo da Vida Sobre a Morte, O

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CAPÍTULO 8

# A MISTERIOSA PARÁBOLA DO PÃO E DO VINHO

Ainda estava Jesus com seus discípulos à mesa da última ceia. Com a traição de Judas, estava virtualmente declarada a sua sentença de morte.


Nesta linha divisória entre a vida do Jesus humano e a vida do Cristo divino, recorreu o Mestre a uma parábola genial, tão profundamente misteriosa e esotérica que, em quase dois mil anos, não foi compreendida pela cristandade, e até explorada por alguns para fins deploravelmente profanos. "Ansiosamente desejei comer convosco esta ceia pascal, antes que padeça. . .


Convém a vós que eu me vá, porque, se não for, não poderá vir a vós o espírito da verdade. " Isto é, convém que o meu Jesus humano seja desintegrado pela morte, para que o meu Cristo divino seja integrado em vossas almas pela fé.


Em seguida, tomou Jesus nas mãos um pão, agraciou-o, benzeu-o e disse: "Isto, meu corpo, que é entregue por vós. " Depois tomou nas mãos um cálice de vinho, agraciou-o, benzeu-o e deu-o a seus discípulos, dizendo: "Isto, o novo dispositivo em meu sangue, que é derramado sobre vós. " O Evangelho segundo Marcos acrescenta: "Para remoção de erros", que as versões modernas traduzem "para remissão de pecados". Jesus se refere ao erro dos judeus e de outros, de que o sangue físico possa anular pecados. O vinho no cálice é "o novo dispositivo (testamento) em seu sangue"; não é o sangue físico que anula pecados, mas o sangue metafísico da fé ou transformação espiritual, o despertamento do Cristo interno, como ocorreu na manhã de Pentecostes.


O texto aramaico, que Jesus falava, não diz "isto é meu corpo, isto é meu sangue", mas sim: isto, meu corpo; isto, meu sangue, devendo entender-se: este pão representa meu corpo, este vinho simboliza meu sangue. Também não está no futuro o verbo "que será entregue, que será derramado", mas está no presente: "que é entregue, que é derramado". Na quinta-feira não foi entregue o corpo nem derramado o sangue real de Jesus, senão apenas o seu corpo e sangue simbólicos, em forma de pão e vinho.


Este simbolismo místico-esotérico não é explicado por Jesus, nem foi compreendido por seus discípulos. Referindo-se ao pão e ao vinho que deviam ser ingeridos, refere-se o Mestre ao processo de assimilação dos alimentos, sólido e líquido, que só é possivel depois da destruição deles pela trituração e digestão das suas substâncias materiais. A integração das energias invisíveis (calorias) de qualquer alimento supõe a desintegração prévia dos mesmos.


Sem a desintegração do corpo do alimento não há integração da alma dele. De modo análogo, vai o Jesus visível ser desintegrado pela morte voluntária para que o Cristo invisível possa ser assimilado por seus discípulos, como realmente aconteceu algumas semanas depois, quando 120 pessoas, homens e mulheres, comungaram o Cristo em espírito e em verdade, dando início ao verdadeiro cristianismo sobre a face da terra.


Se os discípulos, na última ceia, tivessem comungado realmente Jesus, ter-seiam espiritualizado totalmente; mas o que, logo depois, ocorreu, prova que não receberam a sagrada comunhão, no sentido de hoje, porque um dos supostos comungantes consumou o plano da traição e suicidou-se; outro negou o Mestre três vezes, jurando não ser discípulo dele; e todos os outros, à exceção de um, fugiram covardemente.


Com nenhuma palavra, depois da ressurreição, estranha o Mestre esse fracasso vergonhoso dos supostos neo-comungantes e neo-sacerdotes, porque sabia que a ingestão dos símbolos materiais, pão e vinho, não espiritualiza ninguém. Mais tarde, porém, no Pentecostes, quando eles e outros comungaram realmente o Cristo, não houve traição nem suicídio, nem negação, nem deserção de nenhum deles; pelo contrário, todos estes Cristocomungantes sofreram jubilosamente perseguição e morte por amor dele.


Mas, para que se desse essa grande metamorfose espiritual, foi necessário que os discípulos ficassem 9 dias em silêncio e oração no cenáculo, conforme o Mestre lhes ordenara.


Enquanto o cristianismo se contentar com a comunhão do Jesus eucarístico e não realizar a comunhão do Cristo carismático, continuará a haver traição, suicídio, negação e deserção dos supostos comungantes.


A compreensão da parábola do pão e do vinho, e sua realização na vida, marcaria o início da verdadeira cristicidade na face da terra, em vez do nosso cristianismo tradicional. Mas, para essa comunhão do Cristo é indispensável um prelúdio prolongado de silêncio e meditação. E, além disto, é necessário o abandono de um equívoco milenar de que uma classe de cristãos possa fazer o que o Cristo não fez: a transubstanciação do pão e do vinho no corpo e no sangue dele. "As palavras que vos digo são espírito e vida – a carne de nada vale. . . fazei isto em memória de mim. "








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