Triunfo da Vida Sobre a Morte, O

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CAPÍTULO 6

# A PARÁBOLA DO LAVA-PÉS

Antes de falar a seus discípulos do amor integral como sendo o novo mandamento, o sinal característico da verdadeira cristicidade, procede Jesus ao ato simbólico do lava-pés.


Por quê?


Para mostrar-lhe que só pode amar realmente quem está disposto a servir. De ego a ego não há amor integral, mas só de Eu para Eu. O ego ilusório do homem sempre quer ser servido, e não está disposto a servir.


Já em outra ocasião, dissera o Mestre a seus discípulos: "Quem entre vós quiser ser grande, seja o servidor de todos. " O homem profano, egocêntrico, só vê grandeza em mandar aos outros e ser por eles obedecido e servido. É esta a filosofia do homem que se identifica com o seu ego ilusório. Mas, quando ele descobre a verdade "Eu e o Pai somos um", eu sou a minha alma, o meu Eu central, então acha felicidade em servir, espontânea e gratuitamente, aos outros; o conhecimento da verdade sobre si mesmo o libertou da ilusão. Por isto, a verdade também é chamada humildade.


Humildade nada tem que ver com servilismo e mesquinhez; humildade é grandeza, por ser a consciência e a vivência da verdade libertadora. Só pode amar realmente quem descobre em si a verdade e vê em qualquer ser humano esse mesmo Eu divino que descobriu em si mesmo; só então pode ele amar de alma para alma, e servir voluntariamente de alma para alma.


Sem esse prelúdio da verdade ou humildade, não é possivel o amor integral, de que fala o Mestre.


Por isto, se ajoelhou ele aos pés de seus discípulos e lhes lavou os pés, abrindo, por assim dizer, as portas para a invasão do verdadeiro amor.


Muitos servem por dever, poucos servem por querer. O que dá grandeza e libertação não é o dever-servir, mas o querer-servir. A imensa maioria da humanidade serve e deve servir, porque a isto a obrigam as circunstâncias e condições sociais; mas nem por isto o homem é grande; pode ser um servidor mesquinho, escravo por fora e escravo por dentro. O maldito tu deves não dá grandeza; somente o bendito eu quero é que liberta o homem de toda a pequenez e mesquinhez interior.


No episódio do lava-pés, é o superior que serve o inferior, o Mestre ao discípulo. E esse ato externo de servir é que é a expressão de uma atitude interna, como Jesus explica em outra ocasião: o Filho do Homem não veio para ser servido, mas sim para servir e para pôr sua vida a serviço dos pecadores, que só querem ser servidos. Essas palavras foram erroneamente interpretadas como um prenúncio da sua morte expiatória. Entretanto, o maior serviço que alguém pode prestar a seu semelhante não é morrer por ele, mas sim viver por ele; o maior serviço não é morrer uma única vez, mas viver sempre por amor de outrem, servindo-o voluntariamente.


Neste sentido, disse o Mestre: "Maior amor não tem ninguém do que aquele que dá a sua vida aos outros", que põe a sua vida a serviço dos outros.


Quando chegou a vez de Pedro, este, impetuoso e explosivo como sempre, não quis permitir que o Mestre lhe lavasse os pés. Jesus, porém, insiste dizendo que é necessário que assim aconteça, para que Pedro tenha contato espiritual com ele, para que o exemplo do Mestre transforme o discípulo. Então Pedro se oferece para que Jesus o lave totalmente, por sinal que não compreendera o sentido simbólico do lava-pés.


Pouco depois disto, procedeu Jesus a outra parábola, o mistério do pão e do vinho, que, nesta ocasião, não foi compreendida pelos discípulos em seu sentido simbólico, mas foi compreendido integralmente na manhã do Pentecostes, quando eles, e mais outros, comungaram o Cristo em espírito e em verdade.








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