Triunfo da Vida Sobre a Morte, O

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CAPÍTULO 25

# JESUS É COROADO DE ESPINHOS E LUDIBRIADO

Depois da bárbara flagelação, Pilatos entregou Jesus aos caprichos da soldadesca romana. Estes, ouvindo que o Nazareno se dizia rei, inventaram uma cena macabra de realeza fictícia: fizeram Jesus sentar-se sobre uma pedra, teceram uma coroa de ramos espinhosos, puseram-lha sobre a cabeça, deram-lhe um cana de taquara nas mãos como cetro real e lançaram-lhe aos ombros um farrapo de manto escalarte, arremedando a púrpura dos reis daquele tempo. Depois dobravam os joelhos diante dele, dizendo: "Salve, rei dos judeus. " Também lhe deram bofetadas e escarraram-lhe no rosto – tudo que o ego despeitado pode imaginar para se vingar dum Eu sublimado.


Para quem não conhece devidamente a bipolaridade da natureza humana, e a luta entre os dois pólos dela, o sopro de Deus e o sibilo da serpente, não pode compreender essa cena grotesca a que Jesus se sujeitou livremente. Em face dessa incompreensão, ou descompreensão, da natureza bipolar do homem, o enigma continua insolúvel. Através de séculos tem a cristandade tentado solver esse enigma, e chegou à conclusão estranha de que Jesus teria sofrido tudo isso para pagar ao Pai celeste a dívida da humanidade pecadora. Com nenhuma palavra, já o dissemos, lembra Jesus esta explicação; ele sofreu tudo isto, diz ele mesmo aos discípulos de Emaús, para assim entrar em sua glória, para realizar em sua pessoa a plenitude da natureza humana, a desintegração do seu ego humano a fim de realizar a integração dele no seu Eu divino. Ele queria realizar o homem integral, imagem e semelhança de Deus, como dissera simbolicamente pela misteriosa parábola do pão e do vinho, na última ceia. Expressamente disse a seus discípulos: "Convém a vós que eu vá, porque, se eu não for, não virá a vós o espírito da verdade. " Assim como o alimento material não pode ser integrado e assimilado pelo princípio vital sem passar por uma desintegração prévia, assim também não podia o Jesus humano cristificar-se plenamente sem provocar essa integração da sua humanidade, por meio de sofrimentos e ludíbrios. Somente a compreensão esotérica e mística do plano da encarnação fará compreender devidamente o enigma do sofrimento e da morte de Jesus.


Ecce homo!


Eis aí o homem plenamente realizado no seu Eu divino – e por isso reduzido a uma chaga viva pelos egos humanos!








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