Triunfo da Vida Sobre a Morte, O

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CAPÍTULO 24

# JESUS POSPOSTO A BARRABÁS

Voltou, pois, Jesus à presença de Pilatos, que se julgara livre do ominoso processo contra um homem que, como ele sabia, era inocente; mas era ao mesmo tempo um personagem tão enigmático que o Governador se sentia mal na presença dele.


Então fez Pilatos uma última tentativa para se libertar do profeta de Nazaré.


Desde a libertação dos hebreus da longa escravidão no Egito, mantinha Israel o costume de pôr em liberdade, por ocasião do aniversário dessa libertação nacional, um dos prisioneiros presos nas cadeias.


Nesse tempo, jazia no cárcere de Jerusalém um famigerado criminoso cuja vida era tão feia como seu nome: Barrabás. Cometera um homicídio por ocasião de uma sedição, diz Marcos; era ladrão, acrescenta João; chefe de bandidos, completa Mateus.


Pilatos, que vira frustrada a sua tentativa de se libertar de Jesus, enviando-o a Herodes, mas recebendo-o de volta, lançou mão dessa escapatria, propondo ao povo dois candidatos à libertação: Jesus, o taumaturgo – ou Barrabás, o criminoso.


Esperava o Governador que eles não pedissem a soltura de um homem perigoso como Barrabás, mas sim a de um inocente e amigo do povo, como Jesus.


E assim teria acontecido provavelmente, se fosse o povo simples que decidisse. Mas não era o voto do povo que decidia. Os chefes da Sinagoga nutriam ódio mortal ao profeta de Nazaré, que com seu poder sobre-humano eclipsava o prestígio dos guias espirituais de Israel, e se dizia Filho de Deus.


Por isto, os sacerdotes instigaram o povo que pedissem a libertação de Barrabás e a condenação de Jesus.


Inesperadamente, porém, e antes que houvesse solução desse caso, ocorreu um incidente estranho: apareceu um mensageiro com um recado urgente da esposa de Pilatos, que segundo a tradição, se chamava Cláudia Prócula. O recado que ela mandava ao marido era este: "Nada tenhas que ver com esse homem justo, porque, nesta noite, em sonhos, sofri muito por causa dele. " Estas palavras fazem crer que Pilatos não passara em casa a última noite.


O recado da esposa era misterioso: ela tivera sonhos e pesadelos por causa do processo contra o Nazareno, e pedia ao marido que abandonasse esse processo, em que ela via maus agouros para ele.


Estranhamente, Cláudia Prócula pedia ao marido uma atitude de neutralidade, de abrir mão do processo, em vez de fazer justiça e absolver um inocente.


Através de todo esse processo, tenta Pilatos libertar Jesus, como lhe aconselhava a sua retidão de juiz romano; mas as suas preocupações para conservar a sua posição de Governador da Judeia frustraram uma decisão justa e retilínea.


Assim também desta vez falhou o seu estratagema de evitar a condenação de Jesus. Não prestou atenção ao recado da esposa. Mas esse incidente deu tempo aos chefes da Sinagoga para sugestionarem o povo que pedisse a libertação de Barrabás e a morte de Jesus. Se mais numerosos tivessem sido, em Jerusalém, os galileus, sempre amigos de Jesus, outra teria sido, provavelmente, a solução; mas em Jerusalém eram muitos os que dependiam dos favores e do prestígio da Sinagoga, e se deixaram arrastar pelo ódio dos chefes.


Pilatos, depois do inesperado incidente com o recado da esposa, voltou-se ao povo, e, calmamente lhe deu a alternativa entre Jesus e Barrabás. Mas eles, instigados pela Sinagoga, bradaram: "Solta-nos Barrabás. " Pilatos insistiu: "E que farei de Jesus, que vós chamais o Cristo?" E todos bradaram: "Crucifica-o!" "Crucifica-o!" Novamente, tenta Pilatos libertar Jesus, dizendo ao povo: "Mandarei crucificar vosso rei?" ao que eles, cada vez mais furiosos, bradaram: "Não temos outro rei se não a César. " Estas últimas palavras são a decisão fatal de Israel: rejeitam publicamente o seu Messias, e publicamente se declaram súditos do Imperador romano, o invasor e destruidor da sua independência nacional. E esse César, que eles proclamaram seu rei, daí há poucos decênios mandaria seus exércitos, sob o comando de Tito e Vespasiano, cercar Jerusalém e dispersar os judeus por todos os quadrantes do Império. Por cerca de 2. 000 anos andaria Israel sem pátria pelo mundo inteiro como judeu errante. . . Não temos outro rei senão a César.


Pilatos atendendo ao pedido deles, soltou-lhe Barrabás, e, estranhamente mandou flagelar Jesus, cuja inocência havia declarado tantas vezes.


Flagelar, para quê?


Talvez para demover a Sinagoga da insistência na morte do Nazareno, depois de o verem ensanguentado e reduzido a uma chaga viva, da cabeça aos pés.


Muitas vezes, os flagelados sucumbiam a essa horrorosa tortura.


Jesus aceitou silenciosamente a flagelação, que fazia parte do seu plano de desintegrar o seu Jesus humano a fim de integrá-lo totalmente no seu Cristo divino. Era necessário que um homem atingisse a plenitude da sua grandeza humana, na qual residia corporalmente toda a plenitude de Deus.








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