Triunfo da Vida Sobre a Morte, O

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CAPÍTULO 21

# JESUS NEGADO POR PEDRO

O Evangelho é, provavelmente, o único livro do mundo 100% objetivo e 0%

subjetivo. Os evangelistas não revelam a menor vontade de quererem dizer coisas edificantes que exaltem o herói biografado e seus adeptos. Narram candidamente o que ocorreu, como locutores neutros, quer seja pró quer contra o seu herói. Dizer que Jesus tinha medo da morte e pediu que não lhe acontecesse, parece humilhante para um herói; dizer que chegou a suar sangue e pediu consolação a seus discípulos, parece amesquinhar a grandeza do biografado.


A mesma indiferença e neutralidade professam os evangelistas com relação aos discípulos do Mestre, sobretudo com referência a Pedro, que parecia ser uma espécie de chefe da turma. Narram não só a coragem, mas também a timidez e fraqueza de Pedro; falam da sua fidelidade, mas não calam o modo vergonhoso como negou três vezes o Mestre. Se não soubéssemos que os evangelistas eram amigos de Jesus, escreveu Renan, dificilmente o poderíamos descobrir pelos seus relatos biográficos.


Na quinta-feira, à noite, dissera Jesus a seus discípulos que, nesta noite, seria pedra de tropeço para eles; que todos o abandonariam.


Simão Pedro, sempre com a alma nos lábios, protestou contra coisa tão degradante, garantindo eterna fidelidade ao Mestre: "Ainda que todos te abandonem, eu jamais te abandonarei; estou pronto a ir contigo para o cárcere e para a morte. " Jesus lhe respondera calmamente: "Ainda nesta mesma noite, antes que o galo cante duas vezes, três vezes me terás negado. " Pedro, certamente, tornou a protestar contra esse pessimismo de Jesus.


* * *

* * *

Pela madruga foi Jesus declarado réu de morte pelos chefes da Sinagoga, em casa do Sumo Sacerdote.


Pedro estava sentado ao pé de uma fogueira acesa no pátio interno, aquecendo-se, juntamente com alguns soldados, pois fazia frio; devia ser em princípios de abril, passagem do inverno para a primavera.


Apareceu então uma criada do Sumo Sacerdote, encarou a Pedro e disse: "Também tu estavas com Jesus, o Galileu. " Ele, porém, apavorado, respondeu: "Não compreendo o que estás dizendo. " Saindo do pátio, encontrou outra criada, que disse aos outros: "Esse também estava com Jesus, o Nazareno. " Pedro, cada vez mais apavorado, reforçou a sua mentira com um juramento, dizendo: "Eu nem conheço este homem. " Daí há pouco, acudiram os circunstantes, e encarando Pedro, disseram: "É verdade, tu também és do número deles; até teu sotaque te dá a conhecer. " Pedro, no auge do terror, começou a jurar e a praguejar, repetindo que não conhecia aquele homem.


Neste momento, ouviu-se na vizinhança o canto de um galo. Pedro estremeceu e lembrou-se subitamente das palavras do Mestre: "Antes que o galo cante duas vezes, três vezes me terás negado. " Saiu para fora do pátio, onde era escuro, e chorou amargamente.


Logo depois disto, foi Jesus conduzido da casa do Sumo Sacerdote para fora, passou perto de Pedro e o olhou sem dizer uma palavra. Ele, porém, compreendeu o olhar silencioso do Mestre. . .








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