Triunfo da Vida Sobre a Morte, O

Versão para cópia
CAPÍTULO 10

"EU ESTOU NO PAI, E O PAI ESTÁ EM MIM"

Muitas vezes e de modos vários repete Jesus esta verdade: que ele está no Pai e que o Pai está nele. Afirma, também, que o Pai está em seus discípulos e que eles estão no Pai. Diz que não é ele que faz as obras, mas que é o Pai que nele está que as faz. . . Diz que a doutrina que ele ensina não é dele, mas sim daquele que o enviou, o Pai. . .


Com estas palavras enuncia Jesus o princípio central de toda a religião e filosofia digna deste nome. Na Índia e no Egito foi, em tempos antigos, amplamente desenvolvido esse princípio básico de toda a sabedoria: Deus está em tudo e tudo estás em Deus – nada é separado de Deus e nada é idêntico a Deus, tudo é distinto de Deus.


A verdadeira filosofia ou religião é equidistante do dualismo separatista ocidental e do panteísmo identificador oriental.


Os filósofos enunciam este princípio, geralmente, em termos abstratos, ao passo que a linguagem de Jesus é essencialmente concreta e familiar.


Logo depois de afirmar a imanência de Deus nele: "Eu e o Pai somos um", acrescenta Jesus o fato da transcendência, dizendo: "Mas o Pai é maior do que eu. " No tópico que encima estas páginas, o conceito central é a palavra "Pai". Nas filosofias humanas vem esta ideia expressa por palavras como "Essência", "Causa-Prima", "Brahman", "Tao", "Eidos", "Natura naturans", "Coisa em si" (das Ding na sich). Também aparece como o Absoluto, o Infinito, o Eterno, o Todo, a Alma do Universo, a Consciência Cósmica, etc.


Do fato de Jesus apelidar essa suprema Realidade de "Pai", concluíram muitos teólogos ocidentais que ele considerava a Deus como um indivíduo ou como uma pessoa. Essa conclusão, porém, não procede. Seria absurdo admitir que Jesus supusesse a presença duma outra pessoa ou indivíduo dentro dele ou dentro de seus discípulos.


O que Jesus chama "Pai" é o elemento divino em sua pessoa humana, o eterno Lógos que no princípio estava com Deus e que era Deus.


É também neste sentido que Paulo escreve "O Cristo vive em mim". O Jesus, essa pessoa humana, não pode viver em outra pessoa humana, mas o espírito de Deus, que em Jesus se chamava o Cristo, pode viver em qualquer pessoa humana. Quando o divino Lógos se encarna em A ou B ou C, é ele o Cristo dessa pessoa, único e irrepetível nessa forma individual. Toda vez que o divino Lógos se encarna numa pessoa humana, aparece novamente o Cristo, mas o seu modo de ser, a sua existência, varia de pessoa a pessoa, consoante as condições peculiares que A, B ou C lhe oferecerem.


* * *

* * *

A presença do Pai é um fato em todos os homens, como Jesus afirma claramente. É ele que ilumina a todo o homem que vem a este mundo.


Mas a consciência que os homens tem dessa presença passa por inúmeros graus. E é precisamente o grau dessa consciência do Deus imanente que determina a perfeição de cada um. Pode o grau dessa consciência ser 10 em A, 20 em B, 50 em C, e assim por diante. Em Jesus, era tão nítida e intensa essa consciência da presença do Pai que ele podia dizer em verdade: "Eu e o Pai somos um", "as obras que eu faço não sou eu que as faço, mas é o Pai que em mim está que as faz". . . Jesus fora "ungido" plenamente pelo elemento divino, razão pela qual é chamado o "Ungido" (em grego Christós).


Na sua essência é todo homem idêntico a Deus; na sua existência é ele infinitamente inferior.


Toda a cristificação do homem consiste em que ele procure harmonizar a sua existência humana com a sua essência divina; o plano horizontal da sua ética com o plano vertical da sua mística; sintonizar o seu externo agir com o seu interno ser. "Eu e o Pai somos um – mas o Pai é maior do que eu. " "O reino de Deus está dentro de vós – orai sem cessar: "venha a nós o teu reino!"








Acima, está sendo listado apenas o item do capítulo 10.
Para visualizar o capítulo 10 completo, clique no botão abaixo:

Ver 10 Capítulo Completo
Este texto está incorreto?