Filosofia cósmica do evangelho

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CAPÍTULO 5

"FOI CRESCENDO EM SABEDORIA E GRAÇA PERANTE DEUS E OS HOMENS" Esta única frase de Mestre Lucas resume dezoito anos da vida de Jesus, mais da metade da sua vivência terrestre.

Muito se tem fantasiado sobre esses dezoito anos de silêncio dos Evangelhos.


Não é provável que Jesus tenha abandonado a Palestina e visitado outras terras – Egito, Índia, Pérsia, Tibete – para aprender ou para ensinar. Os nazarenos nada sabem dessa suposta ausência do jovem carpinteiro; viam-no todos os dias e estranham a sua sabedoria superior; pois, se nem frequentara escola. . .


Só aos 30 anos começa Jesus a revelar-se como um profeta e iniciado.


Quem o iniciou nos mistérios do Reino dos Céus? Quem foi o seu guru?


O Nazareno é um verdadeiro auto-iniciado. Pelo menos, nada sabemos nada sabemos duma alo-iniciação, como é de praxe no Oriente.


Auto-iniciado é cosmo-iniciado é cosmo-iniciado, Cristo-iniciado, Teo-iniciado.


É provável que, nesses 18 anos de silêncio e solidão nas montanhas da Galileia o jovem carpinteiro tenha realizado a sua auto-iniciação. A profissão do seu ego humano era a de carpinteiro, mas a vocação do seu Eu divino era outra. Certamente, o Verbo não se fizera carne para ser carpinteiro, mas para realizar alguma missão cósmica aqui no planeta terra.


Que tarefa era essa?


Era a tarefa magna de cristificar plenamente uma creatura humana, de elevar à mais alta perfeição um ser humano, Jesus de Nazaré. Aliás, é ele mesmo que afirma aos discípulos de Emaús que viera à terra para entrar em sua glória. E a epístola aos hebreus descreve a evolução ascensional do Jesus humano rumo ao Cristo divino.


Muitos dos nossos teólogos dogmáticos não simpatizam com essa ideia da evolução de Jesus, tanto mais que confundem a pessoa humana do Nazareno com a entidade divina do Cristo. E o Cristo, dizem eles, não podia evolver, porque era Deus, e Deus é imutável.


Até neste ponto estão as nossas teologias em erro. Segundo os livros sacros, houve evolução tanto na pessoa humana de Jesus, como também na entidade divina do Cristo.


Mas, se o Cristo é Deus?


O Cristo é Deus, mas não é a Divindade. Ele mesmo insiste nesta diferença entre o Cristo-Deus e o Pai-Divindade: "Eu e o Pai somos um, mas o Pai é maior do que eu. " A Divindade é maior que Deus.


Paulo de Tarso afirma que o Cristo é "o primogênito de todas as creaturas";


logo, é creatura, e toda a creatura é evolvível.


Também, nós os homens somos "deuses".


A encarnação do Cristo cósmico na pessoa humana de Jesus de Nazaré não visava apenas a sublimação máxima de uma creatura humana, mas também evolução do próprio Cristo. Mais uma vez teve Paulo de Tarso um momento de suprema inspiração, quando escrevia aos cristãos de Filipes: "Ele (o Cristo), que estava na glória de Deus, não julgou dever agarrar-se a essa divina igualdade; mas esvaziou-se dos esplendores da Divindade e se revestiu de forma humana, aparecendo, por fora, como homem, servo, vítima, crucificado.


E por isto, Deus o exaltou e lhe deu um nome que está acima de todos os nomes, de maneira que em nome de Jesus se dobram todos os joelhos dos celestes, dos terrestres e dos infra-terrestres, e todos confessam que o Cristo é o senhor".


Que é isto senão Cristo-evolução?


A voluntária infra-cristificação aparente produziu uma super-cristificação verdadeira.


Esta voluntária antidromia rumo às profundezas produziu uma subida às alturas, o Cristo pré-encarnado se tornou um super-Cristo pós-encarnado.


Paulo, que escreveu as suas epístolas em grego, gosta de duas palavras sonoras: pléroma e kénoma, isto é, plenitude e vacuidade. O Cristo desceu do pléroma cósmico para dentro do kénoma telúrico; e daqui regressou a uma plenitude maior do que antes, a uma super-plenitude.


É este o grandioso paradoxo do mundo superior; quando o homem sacrifica voluntariamente a sua liberdade e se escraviza por amor, então eleva ele ao supremo zênite a sua liberdade. O homem é plenamente livre só depois de se tornar voluntariamente escravo – por amor.


Se o Cristo fosse a Divindade, não teria sido possivel essa evolução. Mas, como o Cristo é Deus, o primogênito de todas as creaturas, nada há de paradoxal nesta evolução.


Os nossos teólogos têm de superar as suas velhas interpretações analíticas e abrir-se à grande visão intuitiva do Evangelho e dos livros inspirados. "E Jesus foi crescendo em sabedoria e graça perante Deus e os homens. "








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