Filosofia cósmica do evangelho

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CAPÍTULO 26

"A VIDA ETERNA É ESTA: QUE OS HOMENS TE CONHEÇAM, Ó PAI. . . "

Não é possivel compendiar em termos mais precisos e concisos a verdade fundamental da humanidade.


Que é que mais deseja o homem?


Existência eterna?


Não! Vida eterna.


Todas as coisas existem eternamente, sem princípio nem fim – mas nem todas têm vida eterna, isto é, a consciência do seu eterno existir.


Não há início absoluto nem fim absoluto de coisa alguma, nem de Deus nem dos seus mundos. O SER de Deus e das suas creaturas é eterno, embora, o existir dessas últimas seja temporário. Em Deus tudo é, mesmo antes de existir. Existir (de ex e sistere – estar de fora) é um efeito do SER. Antes de existirem, todas as coisas do mundo SÃO, e depois de deixarem de existir, continuam a SER, não já como indivíduos, sim como fundidos na grande Realidade Universal.


Não há creação nem aniquilamento absoluto – toda creação e aniquilamento são processos meramente relativos. Nascer é passar do estado universal para o estado individual; morrer é passar do estado individual para o estado universal.


Mas não é isto que chamamos vida eterna.


Vida eterna é a eterna consciência do Eu, a interminável perpetuação da consciência da identidade do Eu. Onde não há perpetuação da Eu-consciência não há vida eterna, embora haja existência eterna.


Vida eterna é incomparavelmente mais que existência eterna. É uma existência auto-consciente.


Não me interessa se vou ou não vou existir eternamente; interessa-me unicamente se vou viver eternamente.


O existir é comparável à luz, essa creatura inconsciente.


O viver, porém, é como que uma luz consciente.


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A vida eterna não é um estado de ser, mas um processo de agir. Não é uma realidade estática, é uma realidade dinâmica. Vida não é passividade inerte, é atividade vibrante. Vida é conhecer. Vida eterna é eterno conhecimento.


Viver eternamente é conhecer eternamente. Mas, como o cognoscente é finito, e o cognoscível é infinito, jamais o cognoscente chegará ao termo final da sua jornada cognoscitiva. Por mais que conhece, sempre lhe resta infinito a conhecer. Em ponto algum da sua jornada evolutiva encontrará "luz-vermelha" na estrada, "trânsito impedido". Sempre terá diante de si a "luz verde" de "trânsito livre". Quanto mais o homem conhece a Deus, mais o deseja conhecer, porque vai "de glória em glória", como diz Paulo de Tarso.


Se o homem finito chegasse algum dia a conhecer plenamente o Deus Infinito, ou o homem se teria infinitizado, ou Deus estaria finitizado. Nenhum dos dois processos é possivel. Entre o finito do cognoscente e o Infinito do cognoscíve " – ou incognoscível – vai uma distância infinita.


Nesse incessante bandeirismo do espírito, rumo a Deus, é que consiste o fascínio da vida eterna. A consecução da meta final seria morte eterna, absorção do indivíduo pelo Universal, de relativo pelo Absoluto, do finito pelo Infinito, da parte pelo Todo. Se eu me diluísse em Deus, assim como uma pequena onda se dilui no grande Oceano, não seria eu imortal, mas tãosomente Deus, porque eu não existiria depois.


O homem não dilui em Deus, mas integra-se em Deus.


Há dois sistemas filosóficos que destroem o conceito da imortalidade do homem: o materialismo, que destrói a imortalidade por deficiência – o panteísmo, que o destrói por excesso. O materialismo ensina que a alma é matéria e, como tal, se decompõe de deixa de existir como um todo. O panteísmo ensina que o homem é Deus, e, algum dia, perderá a sua individualidade no imenso nirvana do Universal e deixará de existir individualmente. Nem no materialismo nem no panteísmo há imortalidade do homem no sentido verdadeiro.


O Evangelho do Cristo, porém, não é materialista nem panteísta. Para ele, o homem individual nunca deixará de existir; a diferença entre a nossa vida individual de hoje e a nossa vida individual de amanhã está em que hoje a nossa individualidade não está permeada pela Universalidade, ao passo que, um dia, esta mesma individualidade será totalmente penetrada da divina Universalidade, assim como um límpido cristal é inteiramente permeado de luz solar, embora o cristal continue a ser o que é e sempre foi, o cristal, ele mesmo.


Não é, pois, o sujeito cognoscente que vai se diluir no objeto cognoscível, mas este penetrará de tal modo aquele que o sujeito (homem) se tornará plenamente penetrado pelo objeto (Deus). O homem cósmico se diviniza, mas não se deifica.


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Só Deus é, fora dele nada é. "Eu sou o que sou", Yahveh, eu sou aquele que simplesmente é, e é com infinita necessidade.


Dizer a um profano que só Deus é, é dizer o maior absurdo. Este aparente absurdo, porém, encerra a maior das verdades.


Só Deus é – eu (o meu eu individual) não sou, eu apenas existo.


O Universal é, o individual apenas existe.


O que existe começou a existir e pode acabar de existir – mas o que é nunca poderá deixar de SER. O existir é apenas um fenômeno temporário do eterno






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