Filosofia cósmica do evangelho

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CAPÍTULO 13

"Quando eu estiver exaltado acima da terra, atrairei tudo a mim". . .

À luz da cruz cósmica, emblema da vida eterna. . .


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Surge agora o grande problema: Como é possivel que a mesma coisa – digamos, o permanente amor aos inimigos – que ontem me era imensamente difícil, quase impossivel, me seja hoje espontaneamente fácil, e até deleitável?


Como é possivel que alguém, sem mentir a si mesmo, possa dizer: "Transbordo de júbilo em todas as minhas tribulações"? Como se compreende que os primeiros discípulos de Jesus, após o Pentecostes, se retirassem de grandes torturas infligidas pela sinagoga, "cheios de alegria por terem sido achados dignos de sofrer injúrias pelo nome de Cristo", quando, poucas semanas antes, haviam fugido covardemente à vista do sofrimento e renegado o seu Mestre?


Não supõe essa radical transformação da consciência ética e espiritual também no veículo físico e orgânico uma correspondente transformação? Como poderia essa nova consciência cósmica operar sobre a base dos velhos nervos de vibrações primitivas e grosseiras, como são as da consciência telúrica?


É inevitável admitirmos que essa transformação no plano do espírito tenha o seu paralelo no plano da matéria, porque, na presente existência, o espírito nada faz sem que a matéria lhe forneça o competente substrato e veículo.


Deve, pois, ter havido no corpo do "convertido" também uma profunda transformação biológica, sobretudo no domínio dos nervos e sua receptividade.


Deve ele ""renascer pelo espírito e pela água" (matéria).


Se se tratasse apenas de um ato isolado e transitório, menos difícil seria compreender o fenômeno; mas, no caso duma verdadeira "conversão", não se trata apenas de atos isolados e intermitentes, mas sim duma atitude constante e permanente da parte dessa "nova creatura em Cristo". Estamos diante de um novo início, e não diante duma simples continuação de um processo antigo.


Não houve apenas um "novo remendo cosido em roupa velha", nem "vinho novo deitado em odres velhos", não houve algum precário conserto do homemego a fim de o tornar sofrivelmente bom por alguns dias, não – mas verificou-se uma nova gênese, um original e inédito "fiat-lux", um fato virgem, um verdadeiro "renascimento pelo espírito", e surgiu o homem Eu inteiramente novo.


Essa nova consciência, essa transformação total da consciência telúrica, individual, numa consciência cósmica, universal, supõe, repetimos, uma profunda transformação no veículo nérveo desse homem.


Se houve um renascimento "pelo espírito", deve ter havido também um renascimento "pela água", quer dizer, pela matéria – um homem novo de alma e corpo. Só assim se explica a espontânea e estética facilidade com que o homem da ética pós-mística realiza coisas que o homem da moral pré-mística só conseguia realizar com extrema dificuldade e sacrifício.


Como se operou essa transformação biológica?


Quem o poderia dizer? Devemos supor que o veemente impacto do mundo espiritual, por ocasião do contato direto com o mesmo, atue sobre o organismo, máxime os nervos, desse homem como uma espécie de poderoso catalizador, modificando radicalmente a função tradicional dos nervos, potencializando lhe intensamente a voltagem e frequência habitual e imprimindo-lhe uma frequência vibratória essencialmente superior. Uma vez realizada essa potente catalização dos nervos (acompanhada, não raro, de êxtase ou samadi), esse novo estado de vibração se perpetua e adquire caráter permanente. A consciência telúrica, de baixa frequência nérvea, passa a uma frequência muito superior, e nesse plano se estabiliza, realizando com espontânea facilidade as vibrações da consciência cósmica.


E renasceu "de espírito e água" a "nova creatura em Cristo" – esse Cristo cujo corpo, espiritualizado, oferecia ao espírito o mais dócil veículo que já existiu sobre a face da terra.








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